As pessoas que se vão cruzando contigo pelo caminho também são parte da riqueza do teu gap year (e de qualquer viagem) e quantas vezes um “boa tarde”, um sorriso e uma dose de compaixão e empatia não nos dizem muito mais do que descobrir uma nova cidade de uma ponta à outra. Quando combinados então, são a receita ideal. O concelho de Proença-a-Nova representa esse papel na perfeição.

Há vila, há aldeias e serra, muita serra. Há dialetos próprios, palavras estranhas que nos fazem rir, mas que começamos a adotar com o tempo, há um café a cada esquina, há empresas em crescimento, há discotecas com história, há adegas por metro quadrado, há padarias e há carrinhas do pão, há biblioteca e respetivos polos, há um aeródromo, há rios, há ribeiras e há praias, há ciência, há literatura, há vida na rua e dentro de casa, há cozinhas de fora e cozinhas de dentro, há bonés, boinas, chapéus e lenços em cada cabeça, há banhos de mangueira e banhos de rio, há maranho e muito mais comida boa. Mas acima de tudo, há pessoas. Proença-a-Nova é um mundo que se caracteriza pelos seus e chegou a hora de o conheceres.

Conhecer este mundo, mas em segurança e, idealmente, ao ar livre. Não que a prática seja novidade. Os jovens do concelho já o faziam habitualmente, correndo pelas cinco praias fluviais que por lá podes encontrar. São elas a praia fluvial da Fróia, a praia fluvial do Malhadal, a praia fluvial da Aldeia Ruiva, a praia fluvial do Alvito da Beira e a praia fluvial da Cerejeira. Não é de estranhar ver jovens de mochila às costas ao início da tarde e ao cair da noite, a pé ou de bicicleta, a caminho das praias ou já de regresso a casa. Estradas sinuosas, estreitas, só com uma faixa e serra abaixo dão origem a pequenos paraísos azuis e verdes, onde se respira a natureza em pleno.

Fica a nota de que a praia fluvial da Fróia é apta para pessoas com mobilidade condicionada e que a praia fluvial da Aldeia Ruiva está encerrada em 2020, para obras.

Praia fluvial da Fróia
Praia fluvial da Fróia créditos: Tomás Ribeiro

Em jeito de resumo, dizemos-te que este concelho é composto por quatro freguesias - Proença-a-Nova e Peral, Montes da Senhora, S. Pedro do Esteval e Sobreira Formosa e Alvito da Beira - cujas aldeias se desenrolam em histórias, saberes e figuras. Não conseguindo falar de todas, destacamos a freguesia de Montes da Senhora por ser aquela onde, não só alguns dos nossos membros passaram a infância e a adolescência, mas também pelos seus vários “Montes” (Monte Baixo, Monte de Cima, Monte Trigo, Monte Barbo e Aldeia Cimeira). Terra de encanto e de cerejas, com a serra do Chão do Galego de um lado, a Sobreira Formosa do outro e a Nossa Senhora do Pópulo sempre de vigia, pede uma visita e um “boa tarde” a quem passa e a quem espreita.

Nos Montes da Senhora, onde o comércio local é cada vez menos, em resultado de uma população cada vez mais reduzida, passam diariamente a padeira e a peixeira, com as suas carrinhas abastecidas na vila. Os cafés na zona baixa da aldeia são pontos de encontro na hora de “ver a bola” ou de “jogar à sueca”, tradição de domingos à tarde. Se de manhã as mulheres se encontram junto à oliveira no largo da igreja depois da missa, à tarde são os homens que por lá combinam, para mais uma partida no café central. É também junto ao largo da igreja matriz que se encontra um dos polos da biblioteca municipal, ainda em funcionamento, e que vem proporcionar aos filhos e netos das gerações que por lá vivem, um pedaço de cultura, de informação e de sossego, diferente do acesso a tudo o que existe nas vilas mais próximas. A internet ali chega pouco, mas também não há vontade de que chegue muito mais que isso. Está tudo bem assim.

Polo da Biblioteca Municipal Montes Senhora
Polo da Biblioteca Municipal de Montes Senhora créditos: Tomás Ribeiro

Saindo dos Montes da Senhora e voltando a percorrer a diversidade que se encontra neste concelho, não podíamos deixar de fazer referência às Aldeias de Xisto, que tantos turistas vão atraíndo no nosso Portugal. É junto à praia fluvial da Fróia, a caminho da Sobreira Formosa, que podemos visitar a Aldeia Oliveiras, onde as suas casas de xisto recuperadas permitem desfrutar da natureza e conviver com as populações vizinhas. Conserva ainda o chafariz que abastecia a aldeia de água há muitos anos.

Chegado à vila, à bela Proença-a-Nova, nada como provares o prato típico da Beira Baixa, o Maranho. No restaurante O Gostinho da Aurora vais encontrar um prato repleto de maranhos e de batatas fritas, considerado um dos melhores do concelho. Depois de encheres a barriga, podes sempre descansar no Parque Urbano Comendador João Martins, um dos espaços verdes da vila.

Parque Urbano Comendador João Martins
Parque Urbano Comendador João Martins créditos: Tomás Ribeiro

Como um gap year não se faz só de passagem, a aprendizagem e o contacto são duas ferramentas importantes para a reflexão que procuras na tua vida. Nas Moitas vais encontrar o Centro de Ciência Viva da Floresta, que garantiu o selo Clean & Safe do Turismo de Portugal e pertence à rede nacional de Centros de Ciência Viva. Este Centro dedica-se exclusivamente à floresta já que o munícipio de Proença-a-Nova é um dos que mais fixa CO2 em Portugal e vem dar a conhecer a todos o papel fundamental que as florestas desempenham no equilíbrio ecológico do planeta. Dinamiza atividades e visitas tanto para miúdos como para graúdos, laboratórios e cafés de ciência, onde o contacto com investigadores nos proporciona uma visão diferente e mais racional do mundo.

É também nas Moitas que termina a Grande Rota da Cortiçada, pelo lado Este do concelho, que percorre Proença-a-Nova na íntegra e que através de percursos marcados e trilhos, dá a conhecer aos caminhantes e montanhistas alguns dos pontos cénicos da zona, ribeiros, moinhos e fornos que tão bem caracterizam este povo. Os mais desejosos de adrenalina podem terminar a caminhada com um salto de paraquedas no aeródromo das Moitas ou mesmo deixarem-se ficar por uns meses e começarem um curso.

Como podes ver, tens um mundo à tua espera se escolheres passar por este cantinho beirão de Portugal durante o teu gap year. Só não te esqueças de ir dizendo “boa tarde” a quem passa.

Imagem de destaque: Praia Fluvial do Malhadal - @Tomás Ribeiro

Texto por: Joana Firmino Ribeiro

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