Álvaro faz parte da rede das Aldeias de Xisto, tem um património fantástico e pouco a pouco a beleza natural ganha contornos deslumbrantes. Iguais aos dos meandros do rio Zêzere que passa aqui num dos vales mais bonitos de todo o seu percurso.

O rio faz várias curvas entre as encostas e uma das margens foi aproveitada para uma praia fluvial com duas piscinas e um cais de ancoragem.

A vegetação, em particular próximo do rio, está a regenerar.

Renascer de Álvaro
As casas de Álvaro a “desfilar” no topo da serra créditos: Who Trips

O Zêzere e as árvores dão um colorido que ganha nova vivacidade no cume da encosta com as casas brancas de Álvaro, como se estivessem num desfile a tentar encantar o rio.

A maior parte das casas são de xisto mas foram caiadas de branco. Álvaro faz parte das chamadas “aldeias brancas”.

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“Aldeia branca” de xisto créditos: Who Trips

O aglomerado urbano é pequeno e dá um ar ainda mais sensível às poucas ruas que percorrem o topo da colina com vales escarpados e profundos.

O povoado é muito antigo. Há uma ponte romana nas imediações, na Ribeira de Alvélos, e ganhou relevância com os visigodos. Foi sede de concelho e teve castelo.

O lugar da antiga Câmara é agora a sede da Junta de Freguesia e a Loja das Aldeias de Xisto.

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A antiga prisão créditos: Who Trips

A prisão ganhou nova utilidade ao ser transformada em casa de habitação e do castelo só resta o nome da rua.

Álvaro esteve na dependência da Ordem de Malta. A fé e a devoção teve uma forte influência que ainda chega aos dias de hoje. Há sete capelas e igrejas, cinco estão dentro da povoação e a freguesia tem 23 “alminhas”.

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Praça da Misericórdia créditos: Who Trips

As igrejas constituem um património muito interessante que remonta ao século XVI, à presença da Ordem de Malta. As que mais se destacam são a Igreja Matriz de S. Tiago e a Igreja da Misericórdia.

A história da Matriz está também marcada por um incêndio. Foi reconstruída em 1820 e reformulada no decorrer do século XX. O altar-mor é resultado desta alteração e os dois altares laterais, em talha dourada, são do século XVI.

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Sacrário em pedra de Ançã créditos: Who Trips

Num deles está uma peça muito delicada, um sacrário em pedra de Ançã.

É na sombra da entrada principal da igreja que alguns locais se encontram. Próximo do miradouro que tem uma vista para o Zêzere e para aldeias vizinhas isoladas no meio das serras.

A Misericórida do esqueleto do capitão

Mais discreta, mas não menos interessante, é a Igreja da Misericórdia. Foi construída no final do século XVI quando da fundação da Misericórdia.

A igreja terá sido aumentada porque uma parte do piso é em pedra. O altar mor é em talha dourada. Logo ao primeiro olhar destaca-se um conjunto de estátuas que representam Cristo deitado.

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Altar-mor da igreja da Misericórdia créditos: Who Trips

É uma estátua enorme acompanhada das Santas Mulheres e de S. João Evangelista.

O altar está ladeado por duas estátuas em pedra, em tamanho grande. Representam Nicodemos e José de Arimateia e são da autoria de um discípulo do mestre João de Ruão. O teto tem 21 caixotões pintados de santos e foram feitos na época filipina.

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Capitão José Rodrigues Freire créditos: Who Trips

Em 1797 foi acrescentada uma ala lateral. É a capela do Senhor dos Passos que tem uma estátua grande no altar. A surpresa está no chão, no piso de soalho de madeira com uma lápide tumular de José Rodrigues Freire.

A capela foi uma promessa do capitão da cavalaria do Príncipe. Como não morreu na guerra mandou construir a capela e o seu corpo foi trasladado para aqui em 1806 a partir do Brasil. Dois séculos depois o esqueleto parece intacto e é só tirar uma tábua, mesmo ao lado da placa tumular para se ver o crânio.

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Esqueleto do Capitão José Rodrigues Freire créditos: Who Trips

Uma sugestão que habitualmente é feita por Raquel Freire e Cristina Alves que trabalham na Loja de Xisto. Diz a Cristina Alves que há quem não queira ver e outros deitam-se ao lado do esqueleto para tirar uma fotografia.

Quando se tira a tábua de madeira há um primeiro impacto porque ele está mesmo a olhar para nós.

A lápide tem a referencia a José Rodrigues Freire e ao seu irmão que “são os fundadores desta capela (…) como também o sino grande que na torre se toca e mandaram conduzir da cidade de Lisboa”.

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Núcleo museológico créditos: Who Trips

O tempo guardou também outros objectos que estão na sacristia e que funciona como museu. Peças de vestuário, sudários e ex-votos são alguns dos objectos mais antigos que partilham o espaço com pinturas de retratos de D. Maria I e Pina Manique.

Além do circuito das capelas os visitantes podem andar em mais dois percursos pedestres, pontualmente com algumas limitações até ser renovada a sinalética. Um faz parte da Grande Rota do Zêzere e o outro é circular, contorna o rio, a ponte romana e a aldeia vizinha de Gaspalha, onde se pode visitar um antigo lagar de azeite.

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Ponte rodoviária junto a Álvaro créditos: Who Trips

Em Álvaro há alojamento local e turismo rural. O acesso é fácil. Com a ponte que atravessa o Zêzere, mesmo ao lado da aldeia, rapidamente se chega a Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande ou Oleiros, a sede de concelho.

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Raquel Freire e Cristina Alves créditos: Who Trips

O renascer de Álvaro e do esqueleto do capitão faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e pode ouvir aqui.

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