
A origem é desconhecida. Passou de geração em geração e os mais antigos remetem para o percurso dos reis magos. O povo percorre as ruas da aldeia durante a noite com gente a tocar música e onde sobressai o som dos bombos. É uma disputa entre solteiros e casados que tocam noite fora até que um grupo desista.

No passado a música a despique nem sempre terminava bem, conta Maria Ramos, natural de Tinalhas. “Por vezes terminava à bulha”.

É que a festa é acompanhada de filhós, vinho e jeropiga oferecida pelo povo. Os três reis magos percorrem as ruas e param nas casas que têm uma luz à porta. Cantam e em troca recebem uma oferenda.
O Ah! que se chá!, pelo menos com esta designação, é um exclusivo de Tinalhas e reúne também pessoas de outras freguesias. O ponto de encontro é o Largo do Espírito Santo.

Em frente de uma capela, onde também se faz o madeiro para ajudar a combater o frio ao longo da noite.

Os dois grupos que tocam a despique são acompanhados pelos músicos da Banda Filarmónica que foi fundada em 1828 pelo primeiro Visconde de Tinalhas. No inicio os ensaios eram no quintal da casa do visconde.

É uma casa apalaçada que fica em frente da igreja. Na fachada está o brasão dos viscondes e uma frase que lembra como eram militares temíveis na expansão portuguesa por terras de Marrocos.

Os viscondes de Tinalhas tinham a principal casa agrícola da freguesia, algumas das habitações mais abastadas são pertença da família e do feitor e tinham a fama de ajudar os mais necessitados.

Maria Ramos cita os pais para lembrar que o visconde “era amigo de dar. Todas as sextas-feiras vinham buscar sopa e pão que ele dava aos mais pobres”. Maria Ramos recorda-se de ir à praça buscar leite e por vezes encontrava sentado o visconde que gostava de ter uma conversa e “por vezes dava uma moedinha”.

Ah! que se chá! em Tinalhas faz parte do programa da Antena1 Vou ali e já venho e pode ouvir aqui.
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