
Quando escrevemos que Cracóvia nos roubou o coração, nunca pensámos que não o tivesse devolvido. Julgámos que fosse uma paixão passageira, afinal, todos mudamos e porque esta cidade polaca seria exceção?
A verdade é que, cinco anos depois, a essência que nos conquistou, permanece. A cidade preserva a sua identidade e mexe connosco como poucas metrópoles conseguem.
Se, por um lado, sentimos um choque cultural devido à língua, arquitetura, moeda ou gastronomia, também, com mais ou menos vontade, somos confrontados com as marcas da II Guerra Mundial.
Entre as ruas charmosas de Cracóvia, a maior praça medieval da Europa (Rynek Glówy), restaurantes e cafés convidativos, em determinado momento da nossa viagem temos que pensar no passado que abalou a cidade, o país (e todo o continente) e respetivas vítimas. É impossível ficar-se indiferente às feridas da II Guerra Mundial neste território.
Aushwitz foi uma rede de campos de concentração durante este período sombrio e que hoje podem ser visitados. Os campos encontram-se a cerca de 70 quilómetros de Cracóvia e, por isso, muitos turistas que visitam a cidade, incluem no roteiro uma excursão a Aushwitz.
Em Cracóvia, aprendemos a valorizar o presente – só assim conseguimos aproveitar a cidade atual sem ignorar o passado.
Acreditamos, por isso, que mais do que uma viagem para quebrar a rotina, Cracóvia é um destino que nos transforma – permitindo igualmente relaxar, aproveitar e experimentar novos sabores.
O Castelo Real de Wawel, a Fábrica de Schindler, a Praça do Mercado (Rynek), a Basílica de Santa Maria e a Praça dos Heróis do Ghetto continuam a ser locais a não perder.
Kazimierz, ou Bairro Judeu, é uma das zonas mais boémias e artísticas da cidade. Aquele que, entre o século XIV e XIX, era uma cidade separada habitada sobretudo por judeus, oferece hoje diferentes bares temáticos, restaurantes e lojas vintage.
Com vasta oferta cultural, Cracóvia é um ótimo destino para visitar a solo ou a dois, e porque não em família? Neste artigo, contamos como foi visitar os pontos de maior interesse, incluindo, Aushwitz (cuja visita é recomendada para maiores de 14 anos), com um bebé.

Uma escapadinha ou férias alargadas?
Se pensa deixar a viagem até Cracóvia para outra altura porque gostava de fazer uma maior – e não quer ficar mais do que quatro dias em meio urbano, saiba que há muito para explorar nos seus arredores.
A meia hora da cidade, encontra as Minas de Sal de Wieliczka, que é lar daquela que é considerada a capela subterrânea mais bonita do mundo.
Se quiser ainda descobrir uma Polónia mais natural e autêntica, aventure-se pela região dos sub-Cárpatos.
Nesta região (sul do país), encontra-se a Casa de Ulma que homenageia os polacos que ajudaram judeus durante a II Guerra Mundial, como parte da rota de igrejas de madeira inscritas na lista da UNESCO.
Se se encanta com palácios e castelos, encontra aqui exemplares bem preservados como o Castelo de Lancut e o Castelo de Krasiczyn.

Nesta rota pelo sudeste, vale a pena visitar Sanok, devido ao património museológico. É nesta pequena cidade que se encontra o Museu de Arquitetura Popular – o maior museu ao ar livre da Polónia – e o Museu dos Ícones, que fica no Castelo Real e que alberga a mais completa coleção de ícones ortodoxos do país (cerca de 300 obras dos séculos XV a XVIII).
Przemyśl, protagonista de relatos mediáticos em todo o mundo no ano passado devido à Guerra na Ucrânia, merece ser visitada devido à arquitetura característica desta área do Velho Continente e à sua riqueza histórica, não fosse esta uma das cidades mais antigas do país.

E sabia que é nesta região que se encontra o Parque Nacional mais selvagem da Polónia, o Bieszczady? Perto da fronteira com a Ucrânia e a Eslováquia, o parque é conhecido pelas paisagens, vida selvagem diversificada e rico património cultural. É possível subir ao pico mais alto do parque, o Tarnica (1346 metros), explorar a flora e a fauna e visitar as aldeias tradicionais do povo Lemko, que outrora habitou a região.
Para além disto, sabemos que os polacos visitam este lugar para observar as estrelas (no Dark Sky Park). Depois ainda há o vale dos dois rios – o Vístula e o San – que oferece rotas de caiaque.
Em breve, daremos a conhecer melhor o sudeste da Polónia.
O SAPO Viagens visitou Cracóvia a convite do Turismo da Polónia
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