O arquipélago maltês é composto por três ilhas habitadas: Malta, Gozo e Comino (que tem uma população permanente de apenas 3 habitantes). Malta é um destino que, facilmente, agrada a todos. Tem praias verdadeiramente paradisíacas, com águas de um azul que facilmente se confunde com o das Caraíbas, está recheada de história e cultura, de vários estilos que vão do árabe ao barroco, passando pelo romano. A gastronomia tem forte influencia italiana, com muitas massas, queijos, azeite e peixe fresco. Com a pimenta a ser uma presença constante em todos os pratos.

As pessoas são hospitaleiras, simpáticas e facilmente desenrolam uma conversa em que nos contam tudo sobre a sua vida. São um povo muito religioso, as igrejas estão cheias, e muitos malteses têm por hábito começar o dia na igreja, antes de seguirem para os seus empregos. Por essa razão, Malta, até 2011, era um dos três países do mundo onde o divórcio era proibido (juntamente com as Filipinas e o Vaticano). O divórcio passou a ser permitido em Malta após referendo em que a proposta foi aprovada por 53% dos eleitores. Malta é único país dos 28 onde abortar é proibido e a mulher que o fizer arrisca ir presa. Em caso de infração, a pena varia de 18 meses a três anos de prisão.  O assunto é um verdadeiro tabu no país, sendo encarado como assassinato, independentemente do caso: violação, risco de vida ou má formação do feto.

Bandeira LGBT na fachada de Valletta

No entanto, apesar da forte religião e do conservadorismo, Malta é um dos melhores países em termos de direitos LGBT e um dos poucos países do mundo que igualou os direitos LGBT a nível constitucional. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal desde 1 de setembro de 2017 e, já antes disso, as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo permitiam a adoção. Uma pesquisa de opinião de 2015 indicou que a maioria do público apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Então, apesar da população ser conservadora e muito religiosa, há muito de liberal e progressista na ilha.

Embora seja um país europeu, ao visitar Malta sentimos impacto, sabemos que estamos num lugar diferente. O idioma oficial é a língua maltesa, com grande influência árabe e que não se parece com nada que já tenhamos ouvido na Europa. Malta é assim um país cheio de segredos à espera de serem descobertos. A melhor forma de conseguir visitar todos os locais incríveis que a ilha tem para oferecer é alugando um carro.

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Mas atenção, Malta fez parte do Império Britânico e por isso mesmo é um dos locais da Europa onde se conduz pela esquerda. Além do facto de se conduzir "ao contrário" em relação a Portugal poder dificultar um pouco a tarefa, o transito pode ser bastante caótico e um pouco confuso, não chegando a ser perigoso... mas quase.

Dia 1 - Descobrir Valletta

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No primeiro dia em Malta, fomos descobrir a pequena capital do país. Valletta tem uma população de pouco mais de 6 mil habitantes e o seu centro histórico é Património Mundial da UNESCO. Valletta é uma cidade para ser descoberta a pé, por entre ruas estreitas e fachadas de estilo barroco.

O primeiro local a visitar foram os Jardins Upper Barrakka. As origens dos Jardins Upper Barrakka remontam a 1661, quando era um jardim privado dos Cavaleiros Italianos, cujas estalagens de residência ali ficavam perto. Só em 1824 que foi aberto como um jardim público. Os jardins oferecem uma vista impressionante para o Grande Porto e as "Três Cidades": Vittoriosa, Senglea e Cospicua. Ao meio-dia, a unidade de recreação histórica dispara um canhão num ritual conhecido como Old Saluting Batery. A uma curta distância encontra-se a Cocatedral de São João, um dos monumentos mais emblemáticos de Malta. A entrada na catedral custa 10 € para adultos, 7,5 € para estudantes e reformados e é grátis para menores de 12 anos.

Interior da Cocatedral de São João
A pintura "A Decapitação de S. João Baptista" (1608) de Caravaggio é a obra mais famosa da igreja. Considerada uma das obras-primas de Caravaggio e o único quadro assinado pelo pintor.

Construída entre 1573 e 1577 por Girolamo Cassar, a Catedral costumava ser a igreja conventual da Ordem de Malta. Ao contrário do exterior bastante severo, o interior é sumptuoso com lápides de mármore coloridas, frescos e numerosas capelas cheias de tesouros. A Decapitação de São João Batista, a obra-prima de Caravaggio, está no Oratório.

Após visitar a catedral, seguimos para Birgu, num pequeno barco-táxi tradicional de madeira, numa viagem curta mas muito agradável. Saindo do barco foi muito simples encontrar o restaurante para almoçar, o Don Berto, um restaurante muito bom, com vista para a marina.

A tarde foi dedicada a conhecer as Três Cidades de Malta - Vittoriosa, Senglea e Cospicua - num passeio muito divertido de carro eléctrico com a Rolling Geeks. Assim, foi possível descobrir as três cidades com os benefícios de uma excursão organizada, mas com a liberdade de estar num carro elétrico, que pode ser conduzido pelos turistas ou pelos colaboradores da empresa.

O primeiro dia em Malta terminou com um jantar no elegante Café del Mar, com uma vista incrível para a piscina de borda infinita que se "junta" ao Mar Mediterrâneo. Com as noites em Malta com temperaturas muito elevadas, jantar do lado de fora, junto à piscina, é a melhor forma de desfrutar da brisa marítima e ter uma refeição verdadeiramente agradável.

Dia 2 - Cair de amores por Mdina

O segundo dia começou "sobre rodas" com uma forma diferente de descobrir os recantos de Malta: num passeio de Segway, com guia, que nos deu total liberdade para aproveitar a aventura. Rapidamente saímos da estrada e entramos no meio da natureza de onde é possível ver as duas praias douradas e a Golden Bay. Este passeio é reservado para os aventureiros e grupos de até 4 pessoas. Pode ser complementado com o pôr do sol ou uma visita à famosa Popeye Village. Os preços começam nos 60€ por pessoa, para passeios de hora e meia.

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Mdina foi a primeira capital de Malta, durante o tempo dos Cavaleiros de Malta e foi também um assentamento colonial da Roma Imperial. É conhecida como "a cidade silenciosa" e a sua arquitetura é medieval e barroca. As muralhas e a localização - em terrenos altos - fazem deste um dos lugares mais encantadores da ilha. Entrar em Mdina é viajar no tempo, a cidade preserva o a calmaria de outros tempos e parece ter sido intocada pelos séculos. Percebe-se, facilmente, a razão de ser cenário de vários filmes e séries, incluindo Game Of Thrones, já que não são necessários adereços para tornar Mdina numa cidade de fantasia. Mdina é, de facto, uma cidade de conto de fadas.

Depois de percorrer as ruas estreitas do centro de Mdina, fomos até à  Meridiana Wine Estate - um dos locais favoritos de Meghan Markle em Malta - para uma prova de vinhos, antes de seguirmos para o restaurante Diar il-Bniet, outro dos locais favoritos de Meghan Markle. A agora duquesa escreveu no seu blog The Tig - agora desativado - que tinha "apreciado a decoração do restaurante, especialmente os típicos azulejos malteses e, obviamente, adorara a comida".

Diar il-Bniet
créditos: Susana Sousa Ribeiro

E é fácil entender o porquê: o restaurante típico tem uma decoração rústica e tradicional, os funcionários são extremamente simpáticos e a comida é deliciosa. Experimentámos um prato tipicamente maltês: coelho frito com batatas. As doses são enormes e é quase impossível comer tudo que nos servem.

Após o almoço, fomos desfrutar da vista a partir dos penhascos de Dingli. Do topo das falésias, uma das vistas mais impressionantes é a oeste da vila de Dingli. Outra visão deslumbrante é sobre a ilha desabitada de Filfla. A pequena capela de St Mary Madgalene situada no limite marca o ponto mais alto das ilhas maltesas, cerca de 250 metros acima do nível do mar. Para quem quer mergulhar nas águas do Mediterrâneo, Ghar Lapsi é um ponto a não perder. Ghar Lapsi e a sua costa rochosa formam uma piscina natural com águas azuis e verdes cristalinas e fantásticas, perfeitas para a prática de mergulho.

Como forma de terminar o segundo dia da melhor forma, fomos visitar os Templos de Ħagar Qim e Mnajdra. O templo de Ħaġar Qim fica no topo de uma colina, com vista para o mar e a ilhota de Fifla, a não mais de dois quilómetros a sudoeste da vila de Qrendi. No fundo da colina, a apenas 500 metros de distância, encontra-se outro notável templo, Mnajdra. A paisagem circundante é típica do Mediterrâneo e, simplesmente, de cortar a respiração.

Dia 3 - Um dia para descobrir a Ilha de Gozo

O terceiro dia da viagem foi o que começou mais cedo, afinal tínhamos de apanhar o ferry para Gozo. A Citadel tem muralhas impressionantes que oferecem uma vista soberba ao redor da ilha. Acredita-se que a imponente Catedral dedicada a Santa Maria tenha sido construída no local de um templo romano dedicado a Juno, vigiando os restos pitorescos das casas antigas e ruas estreitas e sinuosas. Em Gozo visitamos Ta’ Rikardu num workshop de queijos, onde foi possível ver fazer e provar os típicos queijos com pimenta. Antes de almoço, houve ainda tempo para visitar Ta Mena Estate para provarmos os vinhos e os azeites malteses. Almoçamos no Ta’ Philip, um restaurante muito simpático, onde experimentamos uma grande seleção de peixes típicos da costa de Malta, enquanto o proprietário, amavelmente, nos fez uma explicação detalhada de cada um dos pratos e dos vinhos. O preço do ferry de Malta a Gozo é de 4,65€ e os barcos partem de meia em meia hora.

Dia 4 - A bela aldeia piscatória de Marsaxlokk

O último dia em Malta foi dedicado ao mar. O dia começou com a visita ao Aquário Nacional de Malta, que tem 41 reservatórios, incluindo répteis, insetos e anfíbios, entre vários peixes mediterrâneos, incluindo peixes facilmente encontrados em águas maltesas, juntamente com réplicas de artefatos históricos que podem ser encontrados nos mares ao redor das ilhas maltesas.

Marsaxlokk, Malta

Após a visita, fomos para a pequena e colorida aldeia de Marsaxlokk. As pequenas embarcações de pesca conhecidas como Luzzu e Kajjik, pintadas com cores vivas de vermelho, amarelo, verde e azul flutuam graciosamente nas águas calmas da baía. Há um mercado de peixe pela manhã, onde as esposas dos pescadores vendem as capturas do dia para os nativos e turistas curiosos. O cenário é pitoresco e apaixonante. Almoçamos no restaurante La Nostra Padrona, um restaurante de peixe fresco, com pratos deliciosos e funcionários muito simpáticos.

Após almoço seguimos para aquela que seria a última paragem, antes de voltar ao aeroporto: A Gruta Azul. Esta gruta natural e pitoresca e o sistema de cavernas espelham as brilhantes cores fosforescentes da flora subaquática. A Gruta Azul está localizada a sul da cidade de Zurrieq, e o conjunto de cavernas pode ser acedido num passeio de barco a partir de Wied iz-Zurrieq.

Nesta viagem a Malta, ficamos hospedados no AX Seashells Resort at Suncrest, um espaço moderno na avenida Qawra, com vista para o mar. O local tem várias piscinas e restaurantes, assim como serviço de SPA e ginásio.

Os quatro dias passados em Malta foram suficientes para descobrir muitos dos segredos das duas ilhas, mas ficou a vontade de voltar a este país no sul da Europa, com tanto para oferecer.

O SAPO Viagens visitou Malta a convite do Turismo de Malta

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