Mais do que a história do caminho de ferro em Portugal o que muitos visitantes vêm descobrir são as suas histórias pessoais, de viagem, conta Ana Fontes que trabalha no Museu.

“São as memorias dos avós transmitidas aos netos. São os mais novos que contactam pela primeira vez com este universo. Há um imaginário que está presente em todos. Ninguém fica indiferente.”

Museu Ferroviário
créditos: andarilho.pt

O acervo é enorme. Ocupa uma área superior a quatro campos de futebol e é um museu vivo porque circulamos no complexo ferroviário do Entroncamento.

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Peça no exterior do Museu créditos: andarilho.pt

“Estão em exposição milhares de peças. Algumas delicadas como serviços de chá ou objectos de arte, até máquinas poderosas como locomotivas a vapor ou icónicas como o Real Comboio Português ou o Comboio Presidencial.”

O património é ainda mais rico e com uma envolvência mais genuína porque todas as peças são originais. Segundo Ana Fontes, o Museu Ferroviário Nacional “tem uma das coleções mais ricas da Europa e até do Mundo".

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"Um dos motivos é porque todas as peças são originais muito em parte porque não foram sujeitas a guerras ou eventos destruidores de objectos preciosos como estes.”

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O caminho de ferro foi introduzido em Portugal em meados do século XIX e a viagem inaugural foi em 28 de Outubro de 1856 entre Lisboa e Vale do Carregado. Todos estes eventos são ilustrados no museu mas o espólio, na verdade, começa mais cedo. Com um brinquedo que é a peça predilecta de Ana Fontes, do Museu Ferroviário Português e que também foi do Infante D. Luís.

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É o primeiro comboio que existiu em Portugal. Funcionava a vapor e era uma miniatura de uma locomotiva verdadeira. Foi oferecida pelo rei francês Luís Filipe ao seu afilhado o Infante D. Luís.

Os príncipes brincaram com o comboio e quando cresceram foi para o Passeio Público de Lisboa. Mais tarde fez parte do acervo do Museu de Lisboa e foi cedido para exposição ao Museu Ferroviário Português.

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Comboio Real créditos: andarilho.pt

Na altura, a realeza europeia estava fascinada com o caminho de ferro e em muitos países foram construídos o “Comboio Real”. Os carris do poder levavam o rei a vários pontos da nação e a ostentação e o luxo não tinham igual. Em Portugal também tivemos o Comboio Real mas a maioria das viagens eram para o Paço Ducal de Vila Viçosa.

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Locomotiva do Comboio Real créditos: andarilho.pt

O Comboio Real é composto por quatro veículos. Um foi uma oferta do rei Vítor Emanuel de Itália à sua filha, a rainha Maria Pia que casou com o rei D. Luís. É a composição mais icónica e foi uma oferta de casamento. O comboio era utilizado para deslocações da família real. A cor verde marca as quatro unidades com pequenos veios dourados. O interior é mais rico em cores nos tecidos dos assentos e do piso.

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Comboio Presidencial créditos: andarilho.pt

A implantação da República alterou a designação e o tipo de carruagens. Passou a chamar-se “Comboio Presidencial” e durante duas décadas herdou as composições monárquicas.

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Carruagem dos Jornalistas créditos: andarilho.pt

Mais tarde teve novo equipamento e na década de 40 os jornalistas passaram a andar atrelados ao poder com uma carruagem que tinha esse nome: “carruagem dos jornalistas”. Eles e os membros da tripulação eram os únicos que não podiam comer a bordo.

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Interior do Comboio Presidencial créditos: andarilho.pt

O Comboio Presidencial esteve em atividade até 1970. Foi recentemente restaurado para fins turísticos e está preparado para circular na rede ferroviária nacional. É também um dos comboios que pode ser visitado. Sentimos o cuidado e a escolha de materiais nobres, uma estética mais funcional e aquém do luxo do Comboio Real.

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Rotunda das Locomotivas créditos: andarilho.pt

Para os apaixonados por máquinas e os chamados “Futuristas”, um movimento estético de há um século, o grande fascínio é a Rotunda das Locomotivas. Podemos ver mais de uma dezena de máquinas, muitas a vapor.

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Aqui faz sentido aplicar a imagem de “Cavalos de Ferro”. Máquinas enormes, 75 toneladas rolantes de ferro com força suficiente para atingirem 120km/h há um século atrás. Corresponde aos tempos de hoje ao limite de velocidade numa autoestrada.

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A Andorinha créditos: andarilho.pt

Todas têm um nome dado pelos ferroviários. A mais antiga é a Andorinha e outas destacam-se pelo alcance do apito da locomotiva. É o caso da Amália, Deolinda e Celeste. Foram as três primeiras máquinas elétricas e funcionaram na linha de Cascais. Quando chegaram, na década de 20 e “um dos motivos porque sobressaíam, segundo os ferroviários, era porque quando apitavam no Cais do Sodré o som ouvia-se em Carcavelos”.

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A visita passa ainda pela redescoberta de milhares de objetos. Desde a sinalização, ao pica-bilhetes ou ao relógio de dupla face que estava no cais de passageiros mas o mecanismo funcionava no interior da estação.

Prepare-se para uma viagem detalhada e com muita informação. Também pode passar à prática e puxar um quadriciclo ou vestir a farda, por exemplo, de uma guarda de passagem de nível.

Os mais novos têm ao dispor um minicomboio. Há visitas guiadas por marcação e também, podem ser solicitados acessos a alguns equipamentos especiais.

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Uma viagem fora dos carris no Museu Nacional Ferroviário faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

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