“Subam para este corrimão para verem melhor os peixes”, diz, às crianças que chegam à ELA, o biólogo marinho Mike Weber, um alemão que se apaixonou pela Aguda, em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, e ali fundou um aquário que em 20 anos nunca fechou. Nem aos domingos. Nem nos feriados.

Mas não são só os miúdos que “esbugalham” os olhos quando se deparam com os tanques da ELA onde vivem atualmente 1.000 animais de 60 espécies que representam a fauna e a flora locais.

Também graúdos, “muitos deles turistas internacionais de países como China, França Inglaterra, Espanha, Alemanha ou EUA”, conta Weber, ficam rendidos ao percurso preparado que inclui a recriação de poças de maré, um “mergulho” de 25 metros de profundidade e um regresso à terra através das ribeiras.

Há linguados escondidos na areia, um polvo ainda envergonhado e um lavagante de quatro quilos num “mega-aquário” instalado de frente para a praia da Aguda, mar no qual Mike Weber já navegou várias vezes com os pescadores locais.

“Eu, e outros colegas, podemos ser biólogos e cientistas, mas são eles [os pescadores] que têm a sabedoria. Têm uma experiência adquirida imbatível e admirável. Aprendo tanto com eles”, conta Weber.

Com um Departamento de Educação e Investigação dedicado à biologia e ecologia marinhas, aquacultura e pesca artesanal, a ELA, equipamento que em 2004 foi classificado, pela Direção-Geral de Veterinária, como “Melhor Jardim Zoológico” de Portugal, soma também 10 programas de educação ambiental preparados para todos os níveis de ensino e todas as faixas etárias.

Mike Weber estima que 60% dos visitantes da ELA sejam provenientes de escolas, mas também destaca a importância deste equipamento para os alunos do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), instituição que “envia” todos os anos alunos para terem aulas no anfiteatro do aquário de Gaia, no qual foram orientadas 10 teses de mestrado e dois doutoramentos.

A Estação Litoral da Aguda está, desde 2006, envolvida na investigação científica sobre o lavagante europeu, um projeto de marcação, captura e cultivo, a longo prazo.

“Até ao momento foram lançados 400 lavagantes marcados ao mar e a taxa de recaptura atingiu os 10%, dados que servem para calcular o crescimento em ambiente natural”, descreve informação sobre o aquário.

Além dos tanques, a ELA, que é gerida desde 2013 pela empresa municipal Águas de Gaia, tem um Museu de Pescas, espaço que exibe peças antigas e recentes, sendo que 75% do espolio é do alemão que chegou à praia da Aguda há 34 anos, publicou 28 livros e dezenas de artigos em revistas nacionais e internacionais.

“Não posso dizer que trabalho aqui [referindo-se à ELA]. Eu, na verdade, vivo aqui. Isto está aberto todo o ano. A minha casa física é em frente. Mas esta pequena praia é a minha casa. Tenho a minha família direta e depois tenho a Aguda toda como parente”, descreve à Lusa, Mike Weber.

O alemão é autor do “Novo Guia da Estação Litoral da Aguda” que é apresentado segunda-feira e que está escrito em três línguas: português, inglês e chinês.

“É uma obra que nos faz pensar o passado e refletir o futuro”, aponta o biólogo marinho que além de “emprestar” à ELA a sua coleção de artefactos de pesca, também empresta as figuras que compõem as exposições permanentes “PesCulturas” e “PesFiguras”, num total superior a 150 peças feitas em resina, porcelana, madeira, prata, pedra, entre outros materiais, compradas em viagens, antiquários ou encomendadas.

A ELA abriu ao público no dia 01 de julho de 1999. O projeto teve um custo de 1,5 milhões de euros, 75% dos quais assegurados pela secretaria de Estado de Turismo.

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