Para atravessar na passadeira, se estiver um polícia próximo e ele agir, ainda resulta. Caso não tenha essa sorte, é preciso alguma coragem inicial, depois passa a diversão.

Primeira regra: vá atrás dos locais. Segunda regra: não hesite, não recue. Sempre em frente, eles desviam-se, como uma corrente de formigas que se vai desviando de objetos móveis.
Esta experiência, de início, é vivida como uma situação enervante para um ocidental, depois passa a ser divertida e, por fim, um hábito sem interesse de maior.

Saigão
Zona central de Saigão créditos: Who Trips

A parte histórica de Saigão é grande, dá para andar a pé, a melhor forma de vivenciar a cidade. A zona preserva muitos edifícios da época colonial francesa e, ao mesmo tempo, tem registado o surgimento de novas construções, modernas, onde existem restaurantes, bares, lojas de marca... Centros comerciais que são um pólo de atração para os locais com mais posses.
Muitas destas estruturas estão produzidas com requinte, procurando reinventar a “Paris do Oriente”.

O roteiro deve começar por uma vista geral, bares e comunicação social. Está tudo interligado. Tudo tem como referência a rua Dong Khoi.

Saigão
Hotel Rex créditos: Who Trips

O Hotel Rex, o das balelas das 5 da tarde, tradução livre de Five O'Clock Follies.
Este epíteto do Rex foi dado pelos vietnamitas porque na guerra com os EUA era aqui, no bar, em que, todos os dias, às 5 da tarde, havia um comunicado dos militares norte-americanos à comunicação social e que os jornalistas consideravam ter muito pouca credibilidade.

Saigão
Terraço do Rex créditos: Who Trips

O Rex mantém o bar no último piso, uma varanda com uma vista excelente da cidade. Consegue-se facilmente perceber a estrutura deste quarteirão e os pontos de referência.

Saigão
Bar do Caravelle créditos: Who Trips

O segundo bar é também num hotel, o Caravelle, mais luxuoso do que o Rex e com menos marcas históricas, mas foi aqui o quartel-general de muitos órgãos de comunicação social norte-americanos.
Ao ser mais alto e devido à sua localização, tem também uma vista diferente.

Saigão
Pôr do sol no Caravelle créditos: Who Trips

Além do quarteirão da Dong Khoi, tinha uma vista mais abrangente da cidade.
Uma das vezes que estive no bar assisti a um pôr do sol lindíssimo, um fabuloso crepúsculo de Saigão.

Ao contrário de outras cidades que no passado recente viveram um regime comunista, Saigão não tem uma iconografia marcadamente política disseminada pelas ruas.

Saigão
Estátua de Ho Chi Minh créditos: Who Trips

Nesta zona histórica, o mais marcante era o Comité do Povo, a sede municipal, e na praça em frente uma estátua de Ho Chi Minh.
O edifício foi construído pelos franceses no início do século XX. Além da arquitetura colonial e do tom suave do amarelo, destaca-se a bandeira vietnamita içada no topo da torre central.
Na praça em frente, Ho Chi Minh embala uma criança.

Saigão
Vendedoras na praça créditos: Who Trips

Muitas pessoas  andavam pela praça em passeio e a ver passar os turistas que se cansavam de fotografar a fachada do edifício e a estátua.
Durante a noite, vários vendedores ambulantes ocupavam os passeios.

Um quarteirão ao lado, está o museu da cidade que tem muitas referências à guerra com os EUA.
Fotografias, material de guerra, aviões... muito material didático sobre a forma como se desenrolou o conflito. Havia ainda etnografia.

Saigão
Ala central do museu créditos: Who Trips

O museu tem dois pisos, estilo francês (foi residência do Governador) e, na ala central, tem uma enorme escadaria de madeira, cenário favorito para fotografias de casamento.
Tal como em Hanói, tratava-se de casais que preparavam o álbum nupcial e recorriam a empresas que faziam uma produção cuidada.

Saigão
Sessão fotográfica junto à catedral créditos: Who Trips

De forma mais discreta e com menor frequência, vimos outras sessões fotográficas de casamentos junto à catedral Notre Dame. Num dos casos, ele era de origem ocidental e ela asiática.

Saigão
Catedral Notre Dame créditos: Who Trips

A Catedral é imponente, com duas torres de 40 metros de altura e um bonito e tranquilo interior.

Em frente à Catedral há uma praça, com uma estátua da Virgem Maria.
Num dos lados da praça, vários cafés ocidentais e, no outro lado, uma obra-prima que é obrigatório visitar: a estação central dos correios.
A obra desenhada por Gustave Eiffel é um edifício singular com um interior fascinante. Parece a gare de uma estação de comboios, com uma abóbada enorme. Na parte junto à entrada, destacam-se grandes estátuas com inscrições.

Saigão
Estação central dos correios créditos: Who Trips

As paredes, pintadas com cores vivas, têm ilustrações representando os vários continentes, alguns candelabros e, numa outra zona, destaque para os armários e balcões. Ao fundo, no meio da parede e na linha dos frisos, não passava despercebido uma grande fotografia de Ho Chi Minh.
Ventoinhas no teto e cadeiras para os visitantes permitiam relaxar e contemplar. O que não era fácil porque o local era muito frequentado por turistas, é um must see da cidade.

Saigão
Vendedora de fruta no Ben Thanh créditos: Who Trips

Um outro lugar imperdível é o mercado Ben Thanh ou mercado Central.
Entrei pela porta da avenida Le Loi. Identifica-se facilmente pela azáfama de pessoas e veículos e pela torre com um relógio.

Saigão
Entrada principal no Ben Thanh créditos: Who Trips

O mercado estava dividido em secções, em algumas partes as passagens eram estreitas, com muita gente, mas não havia a sensação de insegurança.
Numa das secções vendia-se comida e deu para sentar e apreciar o ambiente.

Saigão
Ben Thanh créditos: Who Trips

Numa outra área comprámos fruta e, mais à frente, café. Teve de se regatear e suspeito que fomos enganados apenas num tipo de café.
É grande a variedade de produtos e o mercado é extenso, visita-se sem guia e não é difícil chegar a pé desde a Dong Khoi.
Há mais mercados, até nas proximidades, mas este é um dos mais interessantes.

Saigão
Interior do Palácio da Reunificação créditos: Who Trips

Também com uma caminhada curiosa chega-se rapidamente ao Palácio da Reunificação.
Tem de se passar por um jardim extenso, aproveitado por jovens namorados para sossegarem os ímpetos nas sombras e esquecerem o frenesim do trânsito que se verifica nas imediações.
Mesmo em frente ao palácio há uma das avenidas com mais trânsito e, felizmente, costumava haver por ali um polícia que nos ajudou a atravessar a estrada.
É um enorme edifício, com cinco pisos. Foi palácio do governador francês e presidencial (de uma das repúblicas do Vietname), bombardeado, reconstruído... E tem um vasto relvado em frente onde estão dois tanques.

Saigão
Tanque no Palácio da Reunificação créditos: Who Trips

Um desses tanques foi fotografado, em Abril de 1975, a deitar abaixo a grade metálica do muro de proteção do palácio e foi uma das imagens marcantes do fim da guerra do Vietname.
No interior, os salões revelam algum luxo, mobiliário antigo e foram preservados espaços e materiais para recolha e transmissão de informações. Há um bunker que se pode visitar e é interessante.

Em Saigão, deve-se também reservar algum tempo para visitar templos religiosos.
Além da Notre Dame, o próprio Barack Obama ficou a saber que o Pagode do Imperador de Jade é de visita obrigatória.

Saigão
Imperador de Jade créditos: Who Trips

Quem conhece o sul da China não fica muito surpreendido pelas cores e ambiente porque o templo foi mandado construir pela comunidade de Cantão, no início do século XX. Mas, mesmo assim, todos ficam encantados com o detalhe, a fantasia e a grandiosidade deste templo.
Para quem está no centro da cidade o melhor é ir de táxi e guardar algum tempo para a visita.
Quando se atravessa a porta, entra-se no silêncio, pode-se ter sombra e ver um reservatório de água com várias tartarugas, o símbolo da sorte para os vietnamitas.

Saigão
Pagode do Imperador de Jade créditos: Who Trips

O pagode é grande e tem figuras de porte considerável, emblemáticas. Os guardiões, que dominam duas feras, e o próprio Imperador de Jade que vai decidir o nosso destino após a morte. Aqui, no templo, está na sala dos 10 infernos para mostrar aos vivos as tormentas que poderão ter de viver. É por isso que se vem aqui fazer oferendas aos espíritos dos antepassados para proteger os vivos.
Outros vêm por diferentes motivos. Vão a outro templo, à deusa da fertilidade, para terem filhos.

Saigão
Pagode do Imperador de Jade créditos: Who Trips

Os rituais, o silêncio, o cheiro dos pivetes queimados e as figuras das divindades constroem um ambiente singular. 
Nada impede que também possa fazer o mesmo ritual, obviamente tendo em conta o respeito pelo lugar religiosos.
Se não o fizer conforme os preceitos, não se preocupe porque os locais são muito tolerantes.

Saigão
Mariamman créditos: Who Trips

Um outro templo religioso interessante de visitar é o Mariamman de religião hindu.
Foi construído no final do seculo XIX e está muito bem conservado.
É muito bonito, com cores fascinantes, divindades muito bem cuidadas e representadas.

Saigão
Estátua de Mariamman créditos: Who Trips

A entrada tem várias estátuas acima da porta e, dentro, uma das particularidades é ter várias estátuas de Mariamman ao longo do muro quadrado que rodeia a parte interior do templo.
Muitos locais vão visitar o templo, fazem oferendas e queimam pivetes. Tudo num ambiente muito calmo, devoto e longe da poluição sonora da cidade.

Um outro destino muito frequentado pelos visitantes (os que não sofrem de claustrofobia) são os túneis, uma estrutura complexa usada pelos vietnamitas na guerra com os EUA. Um dos locais mais visitados fica a 70 km de Saigão e a visita exige algum tempo, pelo menos meio dia.
Mais demorado é outro programa, o da visita ao delta do rio Mekong que exige, no mínimo, um dia.

Saigão
Zoo de Saigão créditos: Who Trips

Por último, o Zoo de Saigão. Não é grande mas merece uma visita.
Em particular pelos felinos, pelo museu, um templo e o jardim. Razões diversas e que justificam a ida. Para quem está no centro histórico, o melhor é ir de táxi.

Saigão
Chiu! Hora da soneca créditos: Who Trips

O zoo é um dos mais antigos na Ásia, tinha quase 600 animais e as espécies que se destacavam eram o o tigre da Indochina e o tigre branco de Bengala que estava muito triste na altura em que passámos em frente.
Há também leões, macacos, elefantes...

Saigão
Zoo de Saigão créditos: Who Trips

A flora é também diversa: pode-se apreciar em longos passeios na sombra e com espaços para descansar e tomar uma bebida refrescante.
Perto da entrada, de um lado está o Museu da História do Vietname e, no lado contrário, um templo muito interessante.

Saigão
Interior do templo créditos: Who Trips

Primeiro tem de se subir uma escadaria de pedra e, depois, no interior, fica-se deslumbrado com a beleza do local.

A gastronomia, os cafés e as esplanada são outros espaços a explorar. Além do Rex e do Caravelle, há uma oferta grande e diversificada.
Na zona central surgiram cafés ao estilo francês que exercem uma forte atração nos jovens locais. 
Muitos restaurantes são sofisticados e combinam a gastronomia vietnamita com a francesa. Como seria de esperar, há também fast food.
Quando o calor aperta, as gelatarias são uma óptima opção. 
O alojamento tem igualmente uma oferta diversificada.

Na primeira passagem por Saigão, fiquei numa vila com entrada pela avenida Le Loi. Uma passagem estreita, que tinha de identificar com atenção porque passava despercebida, depois uma pequena travessa e logo a seguir um pátio.

Saigão
Vendedora de legumes na vila créditos: Who Trips

Várias famílias moravam aqui e havia uma oficina de motas.
De manhã uma vendedora aparecia com um chapéu tradicional, o pau nas costas e em cada extremo sacos com vegetais. Simpática, como todos os vietnamitas, e não se importava com as fotos.
 Os quartos eram  rudimentares e o maior incómodo era o calor.

Saigão
Oscar Hotel créditos: Who Trips

Numa outra passagem por Saigão, ficámos no Oscar Saigon Hotel. Tinha uma boa relação preço/qualidade. A única advertência é que se tem de pedir quarto com janela.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Viagens. Semanalmente. No seu email.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.