Ter um trabalho bem remunerado e que nos satisfaz nem sempre é o suficiente para nos sentirmos realizados. Às vezes, é preciso ir em busca de um sonho, de uma aventura fora de série. Mas quantos de nós conseguem, de facto, concretizar este desejo? Ana e Luís conseguiram. E ainda estão a concretizar o plano de dar uma volta ao mundo de moto.

Tudo começou em Paris, onde o casal trabalhava no setor financeiro, o que lhes permitiu poupar para esta grande viagem. “Percebemos que era hora de dizer adeus às nossas vidas e rotinas como conhecíamos e partir”, contam ao SAPO Viagens.

Tinham o desejo de fazer algo inesquecível e único. Uma aventura da qual nunca mais se fossem esquecer e que fosse uma forma de valorizarem ainda mais a vida que juntos estavam a construir.

"Nada como conhecer o mundo para saber do que somos capazes, até onde podemos chegar, o que podemos aprender, que interação com os outros podemos ter, o quão diferentes e iguais somos. Então assim foi".

Nunca tinham conduzido uma moto antes, mas decidiram que este seria o meio de transporte da viagem. “Queríamos chegar e explorar o máximo possível, então pensamos: ‘vamos comprar uma moto, experimentar, andar aqui na cidade, fazer uns quilómetros, ver o que sentimos, ver se gostamos’. E adorámos, era indescritível! A sensação de liberdade, a sensação de conduzir a moto, saber que era algo nosso”.

Hoje, muitos quilómetros percorridos e países explorados, estão na Índia onde começaram a terceira etapa desta viagem que teve início em julho do ano passado.

“Na verdade, a nossa viagem seria de apenas uma etapa, nós queríamos sair de Paris, passar por Portugal para estar um pouco com a nossa família (o que aconteceu) e ir rumo à Mongólia, passando pelos países da Ásia Central e Sul”, explicam.

Contudo, por culpa da pandemia, não conseguiram completar a rota por conta do encerramento de fronteiras. “Então, pensamos ‘isto não pode terminar já aqui, é que nem pensar, não é este o nosso objetivo’. Estávamos no outono de 2021”.

Rumo às Américas

Decidiram, então, mudar de continente e enviaram a moto para a Argentina, com o plano de descer até à Patagónia e depois subir até ao Canadá. E foi o que fizeram de novembro de 2021 até novembro de 2022.

Desta etapa, ou temporada, como gostam de chamar, colecionaram memórias para a vida toda.

Mal sabiam que seria a Argentina um dos países de que mais iriam gostar. “Um povo incrível, único e verdadeiro, as diferentes paisagens e lugares ao longo de todo o país, a incrível Patagónia, o tango e Buenos Aires, o vinho, as montanhas, o mar, o deserto. Nunca pensamos que fosse um país tão bonito, tão diferente em tantos sentidos”.

A partir daí, começavam uma grande aventura. “Todos os dias eram diferentes, às vezes corria tudo bem, outros eram passados a fazer horas e quilómetros infinitos em estradas de terra perdidas por aí sem outra alternativa”.

“Ficar sem embraiagem numa pinguineira, sem rede no meio da Patagónia, passar pelos narcos do México e cumprimentá-los como se nada fosse, seguir conselhos de locais que nada sabiam sobre as estradas, mas para eles as estradas estavam sempre impecáveis, quando estavam péssimas. A saga do combustível na Bolívia na qual tínhamos de andar com jerricans de bomba em bomba por não poderem servir combustível a estrangeiros. Passar rios com a moto em cima de tuk tuks no Peru porque por cada estrada que passávamos tinha um deslizamento de terras ou um rio enorme”.

Depois de uma maior burocracia para enviar a moto por ar, passar as fronteiras por terra foi simples. "Uma vez que nestes países para nós portugueses nunca é necessário visto, quando chegávamos às fronteiras tínhamos de dar saída do veículo (neste caso da moto) nos países dos quais íamos sair e entrada da moto no país que íamos entrar".

Quando chegaram ao Canadá, onde pensavam que dariam esta viagem como concluída, sentiram que ainda faltava percorrer a Ásia do Sul e Central, uma ideia que os acompanhava desde o início.

"Em termos financeiros, tivemos muita sorte, se pudemos chamar assim, porque devido aos empregos que tínhamos tivemos a oportunidade de conseguir poupar, digamos, uma boa quantia. Fizemos os cálculos por alto e decidimos pôr um tanto de lado só para utilizar neste projeto e acontece que nas Américas (excluindo os Estados Unidos e o Canadá), na nossa visão e na nossa organização, as coisas são bastante acessíveis em termos de alojamento e alimentação e também combustível, o que nos permitiu gastar menos do que íamos preparados, daí também foi possível continuar na temporada três que também será a temporada final".

E assim foi. “A ideia será visitar o Norte da Índia, cruzar para o Bangladesh, Butão e Nepal, voltar a entrar na Índia e cruzar para o Paquistão. Do Paquistão descemos tudo até à fronteira com o Irão e aqui temos um plano A e um plano B. Se a fronteira do Irão e o Turquemenistão abrir nos próximos meses, então cruzamos por aí e fazemos grande parte da Ásia Central. Se essa fronteira não abrir, então vamos de ferry do Irão para os Emirados Árabes, visitamos Omã, Arábia Saudita, Jordânia e saímos pelo Iraque em direção a Turquia, estando de volta à Europa e conduzindo tudo até Portugal”.

Este é o plano, mas “tudo pode mudar”, garantem. O melhor mesmo é ir seguindo esta aventura através do Instagram.

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