Com a morada no telemóvel, meto-me num taxi dos Taxi Green e vou ter com eles à zona de Barranco, onde o Fausto mora. Uma simpatia os dois. A Giuliana, muito querida e Peruaníssima, como me dizia o Fausto um dia antes por mensagem, e ele muito simpático e com uma energia e entusiasmo fantásticos. Tenho tempo apenas para trocar de roupa para algo mais leve, já que o calor em Lima pouco tem a ver com o fresquinho que se sentia nos picos de Cusco, e levam-me a almoçar num restaurante à beira mar chamado La Trastienda, na Costa Verde, com um ambiente chill-out acompanhado de uma maravilhosa brisa marítima que era mesmo o que eu estava a precisar naquele momento. Um ceviche, algum sushi, um cocktail e uma garrafa de Muralhas (sim, Muralhas no Peru!!!) depois, e seguimos rumo a Barranco de novo.

Restaurante La Trastienda
créditos: Maria João Proença (Joland Blog)

Fiquei encantada com Barranco. Esta zona perto do oceano Pacífico seria, sem dúvida, a minha zona de eleição para viver, caso o destino me trouxesse um dia para Lima de forma mais prolongada. Ali sente-se aquele ambiente tranquilo e descontraído de Verão. As ruas, largas, estão preenchidas quer por edifícios de arquitectura mais moderna, quer por palacetes antigos que com o tempo acabaram por se deixar ficar apenas como elemento decorativo, e como testemunhas de um tempo em que Barranco era a zona balnear de excelência das classes mais altas e dos estrangeiros que viviam na cidade, responsáveis pelo estilo europeu que caracteriza estes palacetes. Ali, é possível encontrar imensas galerias de arte, restaurantes, cafés e bares, alguns mais modernos, outros mais tradicionais, que lhe conferem um magnífico ambiente  artístico e boémio. Seguimos até ao Miradouro, passando pela Puente de los Suspiros onde, reza a lenda, que se se fizer um desejo e passar a ponte até ao outro lado sem respirar, este se concretiza. Lá tentei a minha sorte, apesar de ter chegado ao outro lado já um bocadinho roxa.

Puente de Los Suspiros, Barranco
créditos: Maria João Proença (Joland Blog)

Bebemos uma caneca de cerveja num dos bares mais antigos da cidade, o Juanito Bodega Bar, perto da Plaza Central de Barranco, aberto desde 1938 e com um ambiente que me encantou. As paredes, completamente repletas de memórias em forma de fotografias, cartazes e afins, atestam a antiguidade e autenticidade do espaço. Junto à porta, uma fotografia com o que supus serem os seus 3 fundadores, tirada por volta dos anos 40, que mais parecia um retrato de um trio de mafiosos italianos. O espaço tem sido ponto de encontro de artistas, escritores e poetas há já quase 80 anos. Como eu adoro sítios assim.

Juanito Bar, Barranco
créditos: Maria João Proença (Joland Blog)

No dia seguinte bem cedo pela manhã estávamos os 3 (eu, o Fausto e a Giuliana) a seguir rumo a San Bartolo a cerca de 50 kms a sul de Lima, onde faria praticamente a única atividade que me faltava fazer no Peru: surf, claro! Esta viagem não parecia conseguir deixar de me surpreender. Em San Bartolo o destino era a Escola de Surf Kalani onde o Domingo, o dono da escola, não só dá aulas de surf a humanos, como a cães. Sim, a cães! Os seus dois bulldogs americanos (pai e filho) são campeões de surf (sim, existem campeonatos de surf com cães) e umas xuxuzices também. Não me envergonhei muito e acabei por me conseguir pôr em pé algumas vezes na prancha, apesar de ter sentido bem o esforço no dia seguinte nos ombros e nas costas! Começo a ter de admitir que a idade começa a passar por mim… 

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