Em português, o nome do projeto traduz-se como "Mundo do Vinho" e os responsáveis sintetizam-no como "o novo quarteirão cultural e turístico no Porto".

Em causa está a abertura - "no final de julho ou início de agosto" - de um espaço, erguido depois de requalificado um conjunto de antigas caves de vinho do Porto na margem sul do rio Douro, em Vila Nova de Gaia, com vista sobre a Ribeira e a Ponte D. Luís I.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente executivo do Fladgate Partnership, Adrian Bridge, estimou levar a cabo o recrutamento de cerca de 350 pessoas, algo que para o líder do grupo que detém os hotéis Yeatman (Vila Nova de Gaia), Infante de Sagres (Porto) e Vintage House (Pinhão) acredita que "não será difícil", uma vez que muitos projetos e estruturas turísticas estão atualmente em 'lay-off'.

"O WOW também inclui a criação de alojamento para pessoas que venham de outras zonas do país. Mas, com esta crise, acreditamos que haverá mão de obra perto. Interessa-nos constituir a melhor equipa possível para atender a um público heterogéneo nas idades, heterogéneo nos interesses e heterogéneo nas nacionalidades", disse Adrian Bridge.

Com o WOW - que é constituído por seis museus e nove espaços de restauração, um parque de estacionamento com 142 lugares, lojas, espaços de exposição e uma escola sobre vinhos - o grupo Fladgate Partnership aponta para uma mudança de paradigma do turismo da região.

Adrian Bridge acredita que com a criação de "um espaço turístico que oferece conteúdos" o tempo médio de estadia no Porto dos turistas alterar-se-á, bem como a diferença atual entre a procura em época alta e em época baixa.

"Este investimento dá-nos a capacidade de transformar o turismo no Porto de duas formas: prolongando a visita das pessoas - até agora, os turistas permanecem, em média, 2,6 dias - e diminuindo a sazonalidade das visitas. Com mais oferta de conteúdos, podemos aumentar essa média para o dobro e este conteúdo permanece disponível no Inverno, num dia de chuva por exemplo", descreveu Adrian Bridge.

Este é um projeto privado, mas com uma percentagem de investimento público graças a candidaturas a programas europeus, que foi classificado de Potencial Interesse Nacional (PIN).

O objetivo do grupo Fladgate Partnership é, lê-se no dossiê enviado à Lusa, "reforçar a oferta cultural e museológica da cidade do Porto, bem como enaltecer o potencial da região em áreas estratégicas como o vinho, a indústria e o património".

Neste "quarteirão cultural" distribuir-se-ão, ao longo de 35 mil metros quadrados, cinco experiências museológicas: Wine Experience [um trajeto sobre o vinho português], Planet Cork [sobre o facto de Portugal ser o maior produtor de cortiça do mundo], Porto Region Across The Ages [versa sobre o património histórico e cultural do Porto], The Bridge Collection [uma coleção privada de copos do mundo], bem como a Escola de Vinho.

Segundo Adrian Bridge, a Escola do Vinho visa "três audiências distintas", desde logo os "turistas que querem aprender o básico sobre o vinho do Porto, por exemplo", mas também "a população da região que tem curiosidade e procura cursos e 'workshops' quer para conhecimento quer em modo de convívio e experiência", mas também os trabalhadores da área da restauração que "procuram cursos e qualificação".

"E ajudá-los, ajuda a capacidade de venda de vinhos do país. Portugal está cheio de vinhos muito entusiasmantes. O WOW é uma grande oportunidade para a região. Beneficiamos os restaurantes, os hotéis, as companhias de táxis que trabalham ao nosso lado. Só quando temos um setor de turismo vibrante é que todos beneficiam", referiu o presidente executivo da Fladgate Partnership.

Está ainda prevista, para uma segunda fase, a abertura de outros dois núcleos museológicos, o 'The Chocolate Story', que inclui uma fábrica de chocolate, na qual será possível assistir, em tempo real, a todos os processos da transformação das sementes de cacau em chocolate, e o 'Fashion & Design Museum' que, refere o dossiê de imprensa, se traduz num "elogio a Portugal" e está alojado num edifício histórico que data do século XVIII e que inclui uma capela do arquiteto Nicolau Nasoni, cujos frescos foram restaurados.

À Lusa, Adrian Bridge destacou que, "além do interesse turístico, cultural e patrimonial", o grupo Fladgate Partnership, que também detém marcas de vinhos do Porto, "quer investir na história e na formação", razão pela qual criou um programa dedicado a escolas e preços especiais para famílias.

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