No dia em que cheguei o tempo estava maravilhoso. O sol brilhava e o calor convidava a banhos, mas optei por deixar a praia para o dia seguinte. Comecei antes por explorar o centro histórico.

A imponente Fortaleza de Peniche foi o meu ponto de partida. Foi construída entre o séc. XVI e o séc. XVII para, juntamente com o Forte da praia da Consolação e o Forte das Berlengas, fazer a defesa da costa portuguesa. Teve um papel importante em vários momentos da nossa História, mas o seu passado mais recente está cheio de sombras…
Entre 1934 e 1974 a fortaleza funcionou como prisão política do Estado Novo (após ter sido presídio durante as invasões francesas e sanatório para tuberculosos no início do século XX).

O edifício principal abriga atualmente o Museu Nacional Resistência e Liberdade, onde encontramos muitas evidências sinistras dessa época. As celas, agora abertas, dão aos visitantes um pequeno vislumbre do que terá sido a vida dentro da prisão.

Na exposição designada “Por teu livre pensamento” podemos também ver cartas censuradas dos prisioneiros, desenhos e até alguns jogos simples criados por estes, durante o cativeiro.

Álvaro Cunhal esteve aqui preso e conseguiu, com a ajuda de um guarda, escapar desta cadeia em 1960, juntamente com um conjunto de membros do Partido Comunista Português. Foi uma fuga aparatosa, digna de um filme de acção.

A exposição também inclui várias fotografias da libertação dos presos políticos após o triunfo da Revolução dos Cravos em Abril de 1974.

 Fortaleza de Peniche
créditos: The Travellight World

Com o peso do passado histórico nos ombros, saí do Forte para encontrar um presente que não podia ser mais diferente. Ali mesmo ao lado, na belíssima Prainha de São Pedro, um grupo de jovens rapazes aproveitava o calor para mergulhar das rochas que ficam sob os arcos amarelos da Fortaleza.

Todo aquele cenário de cartão postal trouxe-me de volta à alegria dos dias quentes de verão e não resisti a ir molhar os pés na água verde esmeralda da pequena praia.

Peniche
créditos: The Travellight World

Veio a hora de almoço e a (difícil) escolha de um restaurante para comer. As opções são tantas e tão boas que nem sabes onde ficar. Acabei por optar pelo Restaurante Katekero e por pedir um arroz de tamboril que era de “comer e chorar por mais”. Sendo Peniche um porto de pesca, o peixe e o marisco são sempre frescos e deliciosos!

De barriga cheia e alma feliz, continuei a deambular pelas  ruas de Peniche. Passei pela Igreja de São Pedro e pela Igreja da Misericórdia que pertence à Santa Casa e é anexa ao antigo hospital da referida instituição. No seu interior alberga painéis de azulejos seiscentistas e um teto tão bonito, que só por si justifica a visita.

A próxima paragem foi no Museu da Renda de Bilros.

Muitos não sabem mas Peniche, juntamente com Vila do Conde, foi um conhecido centro de produção de rendas de alta qualidade e no século XIX contava mesmo com cerca de 1.000 rendeiras especializadas. Nos dias de hoje as rendas feitas à mão já não são tão procuradas, mas felizmente este oficio não morreu completamente e a Renda de Bilros continua a ser considerada o ex-libris do artesanato de Peniche e parte da herança cultural das suas gentes.

Peniche
créditos: The Travellight World

Terminada a visita ao centro histórico, segui (de carro) para o Cabo Carvoeiro, um lugar que oferece vistas deslumbrantes para o mar e para as ilhas Berlengas.  A sua beleza é realçada e aumentada pelas curiosas formações geológicas que o tempo e o mar esculpiram. A Nau dos Corvos — um enorme rochedo que faz lembrar uma embarcação naufragada — é um exemplo disso.

Vi ainda o farol, o Miradouro da Varanda de Pilatos e o Santuário da Nossa Senhora dos Remédios.
A data de construção do Santuário é desconhecida, mas diz a lenda que foi edificado no local onde, no séc. XII, foi encontrada uma imagem da Virgem Maria.

No regresso para o centro, já o sol se estava a pôr por isso acabei por não ir até à Cova de Dominique, também conhecida por Furninha, uma gruta natural que foi habitada pelo Homem de Neandertal e pelo Homo Sapiens, durante o Neolítico.

No dia seguinte não fiz absolutamente nada, só fiquei na praia a relaxar. Afinal, as praias são a principal atração de Peniche. Estão todas muito bem sinalizadas e basta seguir a costa para escolher uma. Aqui destaco três:

A famosa Praia de Medão Grande, conhecida como Supertubos por causa das suas grandes ondas de forma tubular. Foi nomeada uma das “7 Maravilhas de Portugal” e é palco do grande campeonato mundial de surf Rip Curl Pro, uma prova que integra o World Surf League Tour;

A praia do Baleal, que fica a cerca de 5 quilómetros do centro de Peniche e tem dois lados, Baleal Sul e Baleal Norte. Tem a curiosa característica das duas partes estarem viradas para direções opostas o que significa que quando o vento se torna muito forte num dos lados, geralmente as condições estão perfeitas no outro;

E a Praia da Consolação, a sul de Peniche. É uma longa faixa de areia dourada, conhecida pela riqueza do seu iodo, especialmente na sua extremidade mais rochosa. É ideal para quem tem problemas de ossos e sofre de reumatismo.

O meu último dia foi passado nas Berlengas, pelo que esta visita a Peniche não podia ter terminado melhor!

E o que mais vos posso dizer? Só isto:

Se o verão vos lembra o mar e a praia, se só de pensar em férias sentem o cheiro da maresia e de um belo peixe fresco a assar na grelha… então uma estadia em Peniche vai vos deixar muito, mas muito feliz.

Peniche
créditos: The Travellight World

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Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World

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