A S.O.S. Rio Paiva, uma organização não governamental da área do ambiente, tem procurado preservar e defender o Vale do Paiva. A organização nasceu em 1999, quando surgiu a hipótese de ser construída uma barragem para captação de água e para produção de energia no rio Paiva. Considerando que tal empreendimento colocaria em risco vários ecossistemas e um curso de água que outrora já foi considerado um dos mais limpos da Europa, um grupo de amigos preocupados com o futuro do rio juntou-se para tentar evitar a construção deste empreendimento, nascendo assim a organização.

Ao longo de mais de 20 anos, foram desenvolvidas várias atividades e ações de divulgação e consciencialização ambiental. Recentemente, a associação SOS Rio Paiva pediu que o número de visitantes à ponte e passadiços do Paiva fosse limitado de forma a proteger a região.

"Apesar de não estar ao nível das descargas de efluentes provenientes de ETARs e das vastas áreas de monocultura de eucalipto, a crescente atividade turística que se tem desenvolvido no vale do Paiva começa a causar impactos diretos e indiretos nos ecossistemas", explica biólogo Ricardo Pinto, membro da S.O.S. Rio Paiva.

Além disso, "imponderada" construção de diversas infraestruturas e o acréscimo de pessoas e veículos em locais com elevada biodiversidade "põem em risco os habitats, a flora e a fauna desses locais".

Embora não seja possível medir os impactos causados pela construção dos passadiços do Paiva, uma vez que seriam necessários estudos exaustivos e imparciais do antes e do depois que, segundo Ricardo Pinto, não foram feitos, o biólogo afirma que é possível inferir uma série de consequências para os ecossistemas que advêm da construção desta infraestrutura.

"A implementação dos passadiços colocou na paisagem uma estrutura que delimitou o valor cultural e de contemplação que esta tinha anteriormente. Na construção foi eliminado coberto vegetal de um sítio pertencente à Rede Natura 2000. Foram construídos acessos e usada maquinaria nas diferentes fases da obra. Foram construídos parques de estacionamento, bares, restaurantes, hotéis e alojamentos em zonas não aconselháveis. O número de veículos e de pessoas no local e na região aumentou exponencialmente", enumera Ricardo Pinto, acrescentado que "nem todas as pessoas que vão aos passadiços o fazem pelo património natural – criou-se um turismo de massas sobre uma tela verde".

A organização chama assim à atenção para o facto de estas alterações colocarem em causa o equilíbrio dos ecossistemas presentes neste sítio de interesse comunitário, embora reconheça que existem "algumas vantagens no projeto, nomeadamente a valorização do rio e o interesse na sua preservação."

O turismo de massas em locais com elevada biodiversidade tem diversos e penosos impactos.

Uma das preocupações da organização é que as "consequências negativas não foram acompanhadas por uma valorização do rio e das encostas", sendo que o retorno económico e social que os passadiços trouxeram não foi usado para "mudar para melhor aquilo que no fundo interessa".

"Se não formos cautelosos, o grande retorno financeiro gerado não vai ser suficiente para recuperar o ecossistema daqui a algumas décadas", alerta o biólogo.

Apesar do número de visitantes se agora limitado e controlado, isso pode não ser suficiente para proteger os ecossistemas da região.

"Claro que limitar o número de pessoas é muito importante, mas quando se usa o rótulo de maior ponte suspensa do mundo pretende-se que seja visitada por poucos?", questiona Ricardo Pinto, acrescentado que para além das pessoas outra preocupação são as "infraestruturas de apoio que têm proliferado sem eira nem beira a nível local e regional."

Para os visitantes dos passadiços e da ponte suspensa, as recomendações são para não deixar qualquer tipo de lixo no local, evitar andar de carro ou táxi, evitar fazer demasiado barulho e optar por restaurantes, bares e alojamentos que pareçam ambientalmente mais sustentáveis. Além disso, a organização recomenda que os visitantes denunciem tudo o que lhes pareça pôr em causa a expressão “património natural”.

Acima de tudo, lembrarem-se "que os filhos e netos também têm o direito de usufruir daquela paisagem".

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