Eles foram sensação desde há décadas e não se esfumaram as histórias dali. Por vezes não se sabe de que fenómenos ou “eventos” bizarros se trata. Recordava-os sempre que passava de comboio na viagem Aveiro-Lisboa e, quando ouvia ‘Entroncamento’, parecia que o volume aumentava ali. E ficava a mirar (e ainda hoje fico) aquela terra, do Médio Tejo, à procura de sensações. Por outro lado, o Entrocamento faz-me lembrar a série aclamada “Stranger Things”, efetivamente.

Os fenómenos que lá ocorrem, sobretudo na década 50, começaram a ser uma viagem de ‘contos’ e notícias pelo mundo. Portugal tinha e tem um lugar dos fenómenos. Carneiros com quatro chifres, o famosíssimo melro branco que todos queriam comprar para coleção (mas a dona não vendeu, nem por nada!), a chuva amarela, a couve que gerava cravos, o ovo de 800 gramas (seria mesmo de galinha?), os cravos verdes, uma árvore com frutos de diferentes qualidades. Mas estas ‘situações’ inusitadas podem ser explicadas cientificamente pelas anomalias que ocorrem durante o desenvolvimento das espécies. Segundo a filogenética, as espécies transmitem caraterísticas para os seus descendentes e ‘frutos’, mas há anomalias e deformações que podem ocorrer, naturalmente, por uma interferência genética ou ambiental.  E na questão ambiental entra outra explicação: microclima diferente que proporciona estes ‘nascimentos’.

O que me causa maior reação e a muitos portugueses, sobretudo que alarmou a curiosidade dos emigrantes da década de 60: corvo que falava e o toureiro que mordeu no touro? Aqui a ciência não entra e eu, além de escritora, sou cientista. Gosto até de pensar assim porque a “terra dos fenómenos” mantém a sua genuinidade, assim como dá maior validade à maravilha cultural em que se tornou. Património, puramente! A abóbora colossal em 2015 veio lembrar também que o Entroncamento vale uma viagem especial. Quando lá for, visite a Casa Carloto que é uma espécie de loja de souvenirs exclusivamente alusivos a estes fenómenos. O que ainda estará para vir?

Não é por acaso que esta terra no meio de Portugal também atraiu outro tipo de viagens, menos exóticas e mais ‘alternativas’. Estou a referir-me a rituais e pessoas que colocam por ali as suas esperanças em coisas, digamos, mais espirituais ou ‘de outro mundo’.  Tudo isto remeteu-me para os fenómenos na área 51 dos Estados Unidos da América: zonas em que aportam aliens, vindos do céu azul?  Ora no Entroncamento nunca avistaram aliens, mas sobretudo vegetais e animais nunca antes vistos. Será isto da terra ou ‘do céu’? De carro ou comboio, vá espreitar e sentir a energia e o microclima do Entroncamento.

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