Até 1949, a República da China, um regime atualmente refugiado na ilha de Taiwan, tinha a sua capital em Nanquim (leste), uma cidade que fica a aproximadamente 1.000 quilómetros do sul de Pequim.

O palácio presidencial continua a ser uma das atrações turísticas de Nanquim, onde alguns habitantes parecem sentir saudades da época em que a cidade reinava no Império do Centro.

"Nanquim foi a capital de dinastias que não duraram muito tempo. É uma cidade maldita", declarou à AFP Jiang Shaojian, uma habitante local.

Pequim e Nanquim disputaram durante muito tempo o título de capital: Pequim significa "capital do norte", e Nanquim, "capital do sul".

Hoje com mais de 8 milhões de habitantes, Nanquim governou o país no início da penúltima dinastia imperial, a dos Ming, entre 1368 e 1421. Naquela altura, talvez fosse a cidade mais populosa do mundo.

Estigmas do passado

Depois da queda do império em 1911, Nanquim recuperou o seu posto em 1927, graças à chegada ao poder do partido nacionalista, o Kuomintang. Porém, em 1937, a invasão japonesa forçou os nacionalistas a fugirem da capital, que se tinha tornado palco de um massacre que deixou 300 mil mortos, segundo os historiadores chineses.

A cidade voltou a ser, brevemente, a capital dos nacionalistas de Chiang Kai-shek em 1945, mas este último teve de fugir novamente da sua capital no fim da guerra civil chinesa. É em Pequim que o dirigente comunista Mao Tsé-tung proclama a República Popular, a 1 de outubro de 1949.

Setenta anos mais tarde, os estigmas da guerra civil permanecem ali: os comunistas mantêm o controlo do país desde Pequim, e os herdeiros de Chiang Kai-shek governam uma "República da China" limitada à ilha de Taiwan.

Apesar do passado difícil, os turistas podem admirar as lembranças do líder dos nacionalistas no seu antigo palácio presidencial, um edifício com colunas de estilo europeu transformado em museu.

Um pouco mais longe, no topo de uma verde colina, outros vão até o mausoléu de Sun Yat-sen, fundador do Kuomintang e efémero presidente da República da China em 1912.

Sun Yat-sen é respeitado tanto pelos nacionalistas quanto pelos comunistas, que veem nele uma figura revolucionária, patriótica, mas também um vínculo entre o continente e Taiwan que justifica as suas reivindicações sobre a soberania da ilha.

"Sun defendia a unidade nacional", declara um guia que recebe um grupo de turistas no mausoléu.

"Pouco importa que tenha sido o fundador do Kuomintang. Certamente estaria de acordo com os comunistas sobre os vínculos com Taiwan", continua o guia.

Alguns especialistas têm dificuldades para ver no democrata, cosmopolita e cristão Sun Yat-sen um potencial companheiro de rota do atual Partido Comunista.

Anson Luo, um empresário da província de Guangdong (sul) não vê qualquer contradição. "Sem Sun Yat-sen, a China teria continuado na escuridão durante anos", afirma.

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