Não me posso queixar muito do voo. As Philippines Airlines passaram no teste. Não sei como nem porquê, mas consegui uma fila de 3 lugares só para mim, junto à janela, o que me permitiu dormir pelo menos umas boas 6 horinhas. O facto de ser um voo direto, o vasto leque de filmes acabadinhos de sair (como “The shape of water” ou “Call me by your name”) e a elevada simpatia do staff de bordo completaram a lista de requisitos para que esta viagem começasse da melhor forma.

Mais uma vez, o nervoso miudinho que me invade sempre alguns dias antes de partir numa viagem a solo, desapareceu completamente quando saí do aeroporto em Manila. Cá fora esperava-me a confusão habitual para conseguir perceber que transporte apanhar para o meu hotel, mas lá decidi seguir as placas que indicavam “metered taxi”. Pelo menos que não fosse logo aldrabada assim que chegasse a Manila.

Manila
Manila créditos: Joland

Os 7 kms que separavam o aeroporto do meu hotel (Heroes Hotel) levaram quase 1 hora a ser feitos, no meio do trânsito completamente absurdo de Manila. Começava a perceber o que queriam dizer com “foge de Manila assim que puderes”. Mas a conversa que mantive o tempo todo com o meu motorista também me mostrou o que queriam dizer quando falavam da elevada simpatia deste povo.

No hotel faço check-in num dormitório misto com 4 camas. Tendo em conta que estou a viajar sozinha, parecia-me uma boa opção, pelo menos, permitiria-me conhecer pessoas e sempre ficava mais em conta. Não me podia ter arrependido mais. Não era a primeira vez que ficava num dormitório mas, claramente, já me tinha esquecido da última vez em que tinha chegado à conclusão que não tenho idade para isto. O quarto não era mau, mas ao entrar, apesar de não estar lá mais ninguém àquela hora, percebi imediatamente que eu seria a única mulher ali. A roupa de homem espalhada por todo o lado e os itens de higiene e variadas toalhas usadas deixados ao abandono na casa de banho foram bons indicadores. Os meus companheiros de quarto eram um rapaz de traços asiáticos (não consegui perceber a nacionalidade) que chegou cerca de 1 hora depois e um tipo ocidental que só chegou ao quarto às 04h da manhã, acordando obviamente quem já estava a dormir. A partir daí não consegui dormir quase nada. A juntar à festa, o quarto ou estava quente demais ou frio demais. Entre acordar ensopada ou com uma enorme gripe, preferi a primeira. De manhã parecia um zombie.

O meu destino final em Manila seria a zona de Intramuros, uma zona histórica repleta de edifícios e estruturas da altura da ocupação espanhola. Meto-me num Uber que demora quase 1h30 para fazer 13kms. O meu motorista praticamente não fala inglês e pelo caminho ainda pára para se abastecer de combustível e para comprar um pacote de aperitivos que faz questão de não me oferecer nem um, o desgraçado. Deixa lá que já te conto uma história quando tiver de fazer a tua avaliação.

Em Intramuros ainda me aventuro um bocadinho a pé, recusando sempre todos os avanços dos vários guias que me abordavam com promessas de um tour espetacular pela zona. “27 places mam! I’ll take you to all of them!”. Já cansada e completamente esfomeada, resolvo fazer uma pausa para almoçar e organizar as ideias. Ao sair do restaurante, sou novamente abordada por outro guia. “I’ll take you in my Lamborghini mam!” Decidi não resistir mais. Ok, vamos lá então. De qualquer forma não me está a apetecer muito hoje andar por aqui perdida. Acertado o preço (que confesso não ter negociado muito), fui encaminhada até ao seu Lamborghini filipino: uma extraordinária bicicleta com um side-car. Isto é que é luxo, é o que vos digo! No final acabei por lhe pagar mais do que ele tinha pedido.

Bicicleta side-car em Manila
Bicicleta side-car em Manila créditos: Joland

Volto ao hotel a meio da tarde, noutro Uber que desta vez recebeu uma avaliação de 5 estrelas. Nada a ver com o facto de me ter perguntado se eu era modelo porque era muito bonita e praticamente se ter candidatado a ser meu marido, não. Graxista. Mas resultou.

Essa noite decidi abandonar o dormitório onde tinha ficado na noite anterior e assumir o facto que já não tenho 20 e poucos anos. Apesar de ser o dobro do preço, lá me mudei eu para um quarto privado que de repente me pareceu a penthouse suite de um dos melhores hotéis de 5 estrelas. O que vos digo é que dormi que nem uma pedra, tendo acordado às 7h30 da manhã com o som do despertador, sem saber bem em que país estava.

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