De aventureiros destemidos com sede de desconhecido, passámos a idiotas sem sentido – em grande parte responsáveis pelos males do mundo: é que se as pessoas não circularem, os vírus também não circulam. Se as pessoas não circularem, os níveis de poluição descem. Se as pessoas não circularem, comunidades inteiras terão a possibilidade de manter a sua existência intocável, longe dos tentáculos da globalização.

Fomos assoberbados por medos profundos: seríamos nós os vilões desta história?

Quanto mais nos permitimos refletir, mais nitidamente vemos o dano causado por uma indústria turística que (à semelhança de quase tudo aquilo que é movido por interesses capitalistas) se desenvolve e cresce de forma desalmada em busca de lucro.

Os aspectos negativos são inegáveis: a poluição, os impactos na vida animal, o impacto sociológico de uma intervenção artificial em comunidades isoladas, os tantos e incontáveis impactos no estilo de vida de quem habita os lugares mais turísticos do mundo.

Como é cruel esta noção de que uma atividade tão importante para nós possa ser causadora de tamanhos distúrbios. A dúvida e a incerteza instalaram-se nos nossos íntimos: nesta jornada de autoconhecimento, nesta busca pelo quebrar de estereótipos e preconceitos, estaríamos nós a provocar mais danos do que benefícios?

Quanto mais viajamos, mais viajantes atraímos para as nossas vidas. Esta lei da atração, muitas vezes imperceptível, permitiu que o nosso círculo mais alargado de amigos, colegas e conhecidos, seja formado por pessoas que também partilham esta dor. A dissonância de saber que viajamos para espalhar alegria por onde passamos, mas em simultâneo reconhecer que também nós estamos integrados num sector de actividade altamente problemático e prejudicial.

Há que repensar o turismo. Há que repensar as viagens. É urgente que o façamos.

Não somos os vilões desta história, e havemos sempre de partir à descoberta com a intenção bem presente de que a nossa pegada seja positiva por esse mundo fora.

Recentemente, fomos convidados para ser líderes de viagem na agência @levartravel.pt.

A princípio, sentimos dúvidas sobre se esse seria o caminho mais adequado, mas depois de nos debruçarmos na missão e valores desta agência de viagens, facilmente percebemos que queremos fazer parte desta jornada – um percurso longo mas firme rumo a uma forma de turismo e viagens que visam impactar positivamente as comunidades locais. Não temos dúvidas de que queremos fazer parte dessa jornada. Queremos dar o nosso contributo para reformular a forma como todos nós encaramos a viagem – agarrar os seus impactos profundos na mudança de mentalidades e criação de mentes livres e espíritos enriquecidos, mas deixar também uma marca positiva, alcançada através de um contacto próximo com as comunidades locais, e introduzindo o trabalho voluntário como parte integrante da viagem – até que quase não sejamos capazes de contemplar uma sem o outro.

Assim, terminamos esta reflexão com duas frases não da nossa autoria, mas que não resistimos a partilhar:
“Wheresoever you go, go with all your heart.
If you always give, you will always have.”

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