O percurso paisagístico e cultural tem 5,5 quilómetros, com início e término junto à capela de Santa Marinha e percorre caminhos agrícolas, com desvios que permitem a visita aos lagares escavados na rocha.

Trata-se de um percurso pedestre de pequena rota, marcado nos dois sentidos segundo as normas da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, que tem a duração aproximada de duas horas e grau de dificuldade baixo.

A autarquia do distrito de Vila Real disse, em comunicado, que em Vilar de Perdizes se encontra “um considerável número de lagares escavados na rocha, conferindo a esta freguesia uma característica peculiar que a diferencia do restante concelho”.

“Mas não são apenas os vestígios de lagares que documentam a produção de vinho neste pedaço do concelho. Merece igualmente destaque a existência de um podão (instrumento em forma de faca semicircular) gravado num afloramento da calçada de Santa Marinha, que representa a faca de vindima que o vindimador usava para auxiliar no corte dos cachos, a falcata vineatica”, referiu o município.

E embora o cultivo da vinha e a produção de vinho “tenham tido um papel marcante nesta zona geográfica”, o que dela resta são apenas vestígios, acrescentou.

Atualmente, neste concelho há apenas um projeto ligado à produção de vinho na aldeia de Donões, onde está a nascer a "vinha mais alta" de Portugal.

Os lagares rupestres são “estruturas constituídas por uma área de pisa da uva pelo pé humano, ou calcatorium, onde se forma o mosto proveniente da uva que escorre através de uma bica ou orifício, sendo recolhido por vasilhame ou depositado na lagareta ou lacus, quando existente”.

De acordo com a explicação da autarquia, a “lagareta é localizada a uma cota inferior e no caso de ser escavada no afloramento é comum existir uma concavidade para escoamento total da mesma”.

Os lagares escavados na rocha são estruturas com pouca profundidade e ligeira inclinação. Os elementos de prensagem do vinho, que seriam construídos em madeira, seriam encaixados no afloramento, já talhado para o efeito, e posteriormente arrumados para a reutilização no ano seguinte.

Em 2020, a indicação geográfica (IG) Transmontano passou a incluir a vinificação em lagares rupestres como um método tradicional de produção da região.

Este vinho, que já foi produzido em Valpaços, assume a designação de “vinho de lagar rupestre”, cabendo à Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes (CVRTM) as funções de controlo da produção e do comércio, de promoção, defesa e certificação dos vinhos da região.

Em 2018, foi criada a Associação Portuguesa de Lagares Rupestres (LAROUP) para incentivar “tanto o estudo como a proteção” deste património, estando previsto o arranque de uma inventariação nacional para breve.

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