Sediados na delegação de Setúbal do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, ambos fazem parte da equipa de nove vigilantes da natureza responsável pela proteção de uma das reservas naturais mais importantes do país, que contempla ainda um Parque Marinho contíguo à área terrestre classificada, abrangendo os concelhos de Setúbal, Palmela e Sesimbra.

Na viatura de primeira intervenção, equipada com 500 litros de água e material sapador, os dois guardiões arrancam para mais uma incursão ao coração do PNArr, composto por várias serras e banhado a sul pelo Oceano Atlântico.

À medida que sobem a encosta e a vista se expande, o verde da montanha dá lugar ao azul do mar. O silêncio é apenas quebrado pelos motores dos automóveis ou pela passagem dos ciclistas.

Guardiões do Parque Natural da Arrábida há quase três décadas

“Esta área de 12.300 hectares tem cerca de 300 hectares que são propriedade do Estado e a restante área é propriedade privada. O nosso trabalho diário é de fiscalização e vigilância. Nesta altura do ano, na primavera, é mais de educação ambiental: acompanhamento de visitas guiadas, de escolas, de universidades que visitam a Arrábida. Fazemos o acompanhamento e damos a explicação sobre esta área protegida”, conta João Pernão, de 53 anos.

Munido de binóculos enquanto Augusto Correia transporta um rádio portátil, os dois vigilantes da natureza percorrem áreas previamente definidas e trilhos programados em busca de ilícitos e de infratores. Ao longo do percurso, há várias paragens obrigatórias e atividades para verificar.

“Fazemos a fiscalização das construções na área do parque, que têm de ter parecer favorável; a verificação das podas dos sobreiros, da apanha da pinha ou do corte dos pinheiros; controlamos as atividades de ar livre, como os passeios pedestres em grupos organizados, as provas desportivas, com bicicletas ou corridas, e também fazemos a fiscalização da pesca”, relata Augusto Correia no alto do Jaspe, de onde é possível admirar o Portinho da Arrábida.

Os vigilantes da natureza têm o poder de atuar e de punir, levantando autos de notícia sempre que detetem alguma violação do plano de ordenamento dos 12.300 hectares do Parque Natural da Arrábida, ou da legislação específica que envolve as florestas e a conservação da natureza.

O dia de primavera está soalheiro e a temperatura alta. Com chapéu na cabeça, polo verde e calças castanhas, João Pernão e Augusto Correia efetuam mais uma paragem programada para verificar a existência de possíveis focos de incêndio ou a presença de barcos ou de pescadores a pescar na zona do Parque Marinho.

Guardiões do Parque Natural da Arrábida há quase três décadas

A transmissão via rádio para a central, em Setúbal, dá conta de que “não há nada a registar”. Com o verão, chega a época que ocupa a maior parte do tempo destes profissionais.

“Desde maio até final de setembro fazemos a vigilância de incêndios. Mas mesmo durante esse período, também fazemos a fiscalização das atividades e das normas do plano de ordenamento que rege aqui a área protegida”, frisa João Pernão.

O Parque Natural da Arrábida está integrado no dispositivo do Comando Distrital de Operações e Socorro de Setúbal, que conta com outras forças interligadas.

“No verão, o nosso patrulhamento incide mais na zona sul da Arrábida, que é menos vigiada pelas torres de vigia e é aqui onde nos mantemos e damos o alerta. Estamos ligados com a GNR e toda a ação é feita em conjunto com as restantes entidades”, explica Augusto Correia, de 48 anos.

Além da paisagem única, o Parque Natural da Arrábida permite aos moradores da zona a produção e vinho, ou dedicarem-se à pastorícia, ao artesanato e à cerâmica, entre outras atividades.

Portugal tem 121 vigilantes da natureza, número que devia duplicar, segundo os sindicatos.

O Governo lançou em fevereiro um concurso para a contratação de 20 novos destes profissionais.

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