O Demónio Rosa "assombra" as ruas movimentadas de Banguecoque ao ultrapassar furiosamente tuk-tuks, carros e motas e ao evitar por pouco uma colisão enquanto diminui a velocidade para permitir que os passageiros entrem antes de voltar ao trânsito agitado desta cidade tailandesa. Insano? Bem-vindos a bordo do autocarro  número 8 da capital da Tailândia.

@centralcitywpt They say it's the MOST dangerous bus line in Bangkok #bangkok ♬ Wellerman - Sea Shanty - Nathan Evans

Há quem diga que é um "must do" em Banguecoque ao proporcionar uma aventura com muita adrenalina num grande polo urbano. Ainda que inspire os aventureiros e muitos conteúdos de humor, o número 08 da capital tailandesa é também considerado o autocarro mais perigoso da cidade.

Na verdade, o lago engraçado destes autocarros escondem as condições difíceis de trabalho a que os motoristas dos mesmos estão sujeitos.

Segundo o motorista Aphisak Sodmui, o trabalho é feito como se fosse uma "competição", uma vez que os motoristas são incentivados a fazer as rotas no menor tempo possível.

Cerca de 60 desses autocarros fazem a rota de 30 quilómetros, cobrando aos passageiros 10 baht ( 0,30 euros) no sentido norte-sul – parte da rede mais ampla de Banguecoque que transporta cerca de 700.000 pessoas por dia.

Fim da velocidade furiosa de Banguecoque? O insano autocarro número 8
créditos: AFP or licensors

Novos autocarros substituem os Demónios Rosa

Registo de acidentes mortais, fizeram com que surgissem pedidos de reforma do autocarro número 08 e, agora, há empresas a reformular o sistema, a substituir os autocarros velhos por veículos elétricos sob a promessa de melhorar o serviço.

A Tailândia é um dos países com mais congestionamento no trânsito e Banguecoque uma das 10 cidades com  pior trânsito do mundo.

O novo governador de Banguecoque, Chadchart Sittipunt, tem uma longa jornada pela frente para tentar limpar a megalópole congestionada pelo trânsito.

E não parece que o número 08 vai abalar a sua reputação tão facilmente – um dos autocarros recém-inaugurados já caiu, embora ninguém tenha ficado ferido.

O problema, de acordo com o especialista em transporte tailandês Sumet Ongkittikul, está com as empresas privadas que alugam a concessão da rota da autoridade central de transporte público de Banguecoque (BMTA).

Sob a sua gestão, os motoristas recebem uma parte das vendas dos bilhetes para cada viagem, para além dos salários.

“Então é muito lógico que cada motorista tente ser mais rápido para conseguir o maior número de passageiros possível”, explicou.

“Mesmo dentro da empresa, os motoristas estão a competir entre si para apanhar os passageiros.”

O motorista do número 08, Aphisak, complementa o salário diário de 150 a 200 baht (cerca de 5 euros) com 10% das vendas diárias dos bilhetes.

Fim da velocidade furiosa de Banguecoque? O insano autocarro número 8
créditos: AFP or licensors

“Temos que completar a rota pelo menos quatro vezes por dia para termos dinheiro suficiente para viver”, comenta Aphisak.

Mas Sumet acredita que este tipo de comportamento está a desaparecer com as novas mudanças.

“O que esperamos é que o novo operador dê mais atenção à formação dos motoristas... para se comportarem melhor”, disse.

Rejeitando a reputação do número 08, Yothin Wuttisakchaikul – cuja família gere uma das rotas – culpou os utilizadores que fazem comentários on-line que “nunca usaram este serviço de autocarro anteriormente”.

“Os passageiros reais conheceriam o serviço real do autocarro número 08”, afirmou, acrescentando que, embora os motoristas compitam, “não é num grau assustador”.

São 3h30 numa paragem de autocarro no nordeste da cidade, e Aphisak e a família estão preparar-se para o dia.

Aphisak começa o turno às 4h, subindo a bordo com o parceiro e condutor de autocarro Arunee On-sawats e – no dia em que a AFP acompanhou-os – os dois filhos, Phan, de 11 anos, e Mon, de oito anos.

Como condutor do número 8,  Aphisak só terminará depois das 21h ou mais tarde, se houver chuva ou  muito transito  – duas garantias quase diárias em Banguecoque.

O motorista - que tal como os filhos cresceu em autocarros com o pai - disse que nunca teve acidentes com carros, mas admite que “muitas carrinhas pick-ups bateram no autocarro em que estava”.

A cliente Sai Pin, 47, disse que viu uma mudança desde a transição para os novos autocarros – que agora têm uma tarifa um pouco mais alta de 15 baht ( 0,40 euros).

“Com os autocarros antigos, pode encontrar muita condutores a conduzir depressa. Os novos autocarros definitivamente melhoraram isso”, disse à AFP.

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