Barcelona está preocupada com os excessos do turismo. Não só a presidente da Câmara Municipal, Ada Colau, como também os próprios residentes, que consideram ser este um dos principais problemas que a cidade enfrenta atualmente.

No ano passado, Barcelona estava a ponderar implementar uma taxa turística extra aos visitantes que só passavam um dia na cidade, ou seja, que não pernoitavam - um exemplo, as milhares de pessoas que desembarcam dos navios de cruzeiro e só ficam durante o dia. A cidade está na lista dos locais que estão a limitar o número de visitantes e a repensar como gerir o excesso de turismo.

A Câmara Municipal aprovou uma lei que visa limitar o alojamento disponível na cidade, bem como impedir a abertura de novos estabelecimentos hoteleiros em certas zonas, como o centro histórico, setores dos bairros l'Eixample e Poble-sec. Nas zonas da Sagrada Família e Poblenou só poderão ser abertas novas unidades hoteleiras em substituição às que fechem, explica um artigo do The Local.

Calcula-se que existam 75 mil camas de hotéis na cidade e 50 mil camas em apartamentos turísticos legais, juntando-se a estas mais 50 mil que estão ilegais. Associações de residentes calculam que cerca de 17 mil apartamentos estejam hoje a ser usados para acomodação turística, o que fez com que os preços das rendas disparassem nos últimos anos, indicam números avançados pelo The Guardian.

Esta medida, aprovada na semana passada, só deve começar a ter impacto em 2019, devido a projetos de construção hoteleira que já estavam aprovados. Com isso, a cidade não limita diretamente o número de visitantes, mas consegue controlar o número de camas e a construção de novos hotéis.

O turismo na cidade cresceu muito nos últimos anos. Desde 2005 que o número de visitantes anuais é muito superior do que os 5,37 milhões de habitantes da área metropolitana da capital da Catalunha e dos 1,6 milhões de residentes só da cidade. No ano passado, estima-se que 32 milhões de pessoas visitaram Barcelona, milhares em visitas de um dia, através dos cruzeiros.

A medida está ser criticada pelo setor do turismo, que teme assistir a perdas nas receitas. O diretor da associação de hotéis de Barcelona considera que a estratégia está errada. "No ano passado, das 32 milhões de pessoas que visitaram Barcelona, apenas 8 milhões ficaram a dormir. 23 milhões eram visitantes de um dia que gastaram pouco dinheiro na cidade. Não é possível regular o turismo ao limitar o número de camas. Não estão a regular o turismo, estão a regular o número de pessoas que dorme na cidade", declarou Manel Casals ao The Guardian.

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