A Casa Cid foi fundada por um galego, Manuel Cid Nuñez, em 1913, nas traseiras do movimentado mercado da Ribeira. No dia 22 de fevereiro, a taberna centenária do Cais do Sodré fechou portas, após o edifício onde se encontra ter sido comprado para ser transformado num hotel.

Foram feitos diversos esforços para que o espaço não fechasse.  A Casa Cid candidatou-se ao programa municipal “Lojas com História” que tem como objetivo " preservar e salvaguardar os estabelecimentos e o seu património material, histórico e cultural", no entanto, a candidatura a esse estatuto foi rejeitada, uma vez que a autarquia considera que o espaço está descaracterizado.

Em setembro de 2019, a Casa Cid lançou uma petição para tentar evitar o encerramento e recebeu mais de 4 mil apoiantes. "Por causa do desenvolvimento de Lisboa, um fundo de investimento do Norte da Europa comprou o prédio onde se encontra a Casa Cid para fazer um hotel de luxo, e infelizmente querem correr com a gente, porque acham que nesta 'nova Lisboa' de turistas e tuk-tuks não há espaço para uma humilde tasca", escreveram na página da petição.

No entanto, de nada serviu, e Borja Cid, bisneto do fundador da Casa Cid,  terá de entregar as chaves até dia 1 de março e procurar de um novo local para reinstalar o restaurante.

O prédio que alberga a Casa Cid foi comprada pelo Fundo Sete Colinas há alguns anos e os novos proprietários comunicaram que teriam de abandonar o espaço em maio de 2019. Borja Cid conseguiu negociar para ficar mais tempo, até março deste ano. O edifício agora deverá sofrer obras de remodelação para ser transformado num hotel.

A Casa Cid disse adeus, de portas abertas, no dia 22 de fevereiro.

"Perde-se assim um bocadinho da Lisboa de sempre, da Lisboa dos lisboetas"

A notícia do encerramento da Casa Cid ultrapassou as fronteiras, com a edição espanhola da Condé Nast Traveler - que tinha destacado a Casa Cid como uma das "tabernas que nunca deviam desaparecer" - a lamentar o sucedido: "Anunciamos o que não queríamos anunciar: a Casa Cid fecha as suas portas. O restaurante ao qual dedicamos uma ode pela sua simplicidade, autenticidade ... e por fazer de Lisboa o que é. Hoje, um pequeno pedaço da cidade é apagado".

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