Leonor Amorim, gerente da Confeitaria Nacional, descreve-o como uma pessoa irreverente e muito viajada. Era muito curioso sobre doçaria e encontrou na Europa várias receitas que não existiam em Portugal. Numa das viagens regressou a Lisboa com a receita do bolo-rei e também com pasteleiros experientes na confeção de doçarias internacionais.

Confeitaria Nacional
Documento do inicio da Confeitaria Nacional créditos: Who Trips
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Exemplares de brindes que podem ser vistos na Confeitaria créditos: Who Trips

O bolo-rei foi uma absoluta novidade em Lisboa, como também o brinde e a fava. “Os brindes eram muito engraçados e na Confeitaria há vários exemplares. Na altura em que se iniciou a produção do bolo-rei era costume haver na Confeitaria uma árvore de Natal e colocavam como enfeite os brindes que depois saiam nos bolos. Eram trocados diariamente."

O bolo rei-rapidamente conquistou a elite e popularizou-se com outras pastelarias a fabricarem o seu próprio bolo-rei.

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Bolo Rei da Confeitaria Nacional créditos: Who Trips

A Confeitaria Nacional mantém-se fiel à receita original, com as devidas adaptações, como a não colocação do brinde e da fava que foram proibidas há pouco mais de uma década por razões de segurança.

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Interior da Confeitaria Nacional créditos: Who Trips

A receita original está guardada. A origem é de França. Só o dono da Confeitaria, a filha e um pasteleiro com quem trabalham há muito tempo é que sabem exatamente como é feito o bolo-rei.

Leonor desconhece os segredos mas destaca algumas diferenças em relação ao bolo-rei comum. Um dos segredos é a qualidade dos ingredientes, as frutas sem corantes e conservantes. É um processo demorado - demora quase um dia a preparar a massa, embora, só esteja no forno cerca de 25 minutos - e em outras confeitarias aceleram o tempo de preparação.

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Carimbo antigo que está em exposição créditos: Who Trips

Os primeiros bolos-rei foram confecionados na fábrica que funcionava junto às escadinhas do Duque. “A Fábrica” é hoje um hotel de charme e pertence ainda à família do fundador da Confeitaria Nacional.

Para agilizar o processo foi instalada uma linha telefónica entre a Confeitaria, na Praça da Figueira, e a fábrica na rua do Duque. Foram os primeiros telefones em Lisboa.

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créditos: Who Trips

O pioneirismo da Confeitaria vem desde a sua fundação, por Balthazar Roiz Castanheiro, vai fazer agora 190 anos. De certa forma, rompeu com o monopólio da doçaria que estava nas mãos dos conventos e foi uma grande novidade em Lisboa. Pela primeira vez havia um espaço comercial onde as pessoas podiam comprar doces. De doçaria tradicional e também algumas novidades cujas receitas eram recolhidas no estrangeiro, como foi o caso do bolo-rei.

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A reprodução na parede exterior do edificio de um dos prémios internacionais créditos: Who Trips

A Confeitaria obteve de imediato grande sucesso e até a graça da Coroa. Foi também galardoada a nível internacional e nas paredes do edifício podemos ver reproduções de alguns prémios.

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Entrada para a Confeitaria Nacional créditos: Who Trips

A Confeitaria Nacional continua no prédio de origem e a decoração interior preserva algumas pinturas da sua traça original.

Aqui encontra uma leitura interessante da história do bolo-rei.

A emissão deste episódio, O primeiro bolo rei em Portugal já tinha brinde, pode ouvir aqui.

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