13 de dezembro é dia de Santa Luzia e manda a tradição ir à capela na aldeia de Vila Nova, no concelho de Vila Real, provar o Pito de Santa Luzia. O dia de Santa Luzia é uma das celebrações mais populares no concelho de Vila Real e existe o ritual das raparigas oferecerem um pito aos rapazes.

Pitos Santa Luzia
créditos: Who Trips

A designação de Pito revela a expressão popular ligada à sexualidade e à fertilidade. Trata-se de um bolo com a forma de um quadrado, as pontas da massa viradas para o centro. O recheio é de doce de abóbora e canela.

Pitos Santa Luzia
Pito com crista de galo créditos: Who Trips

Está associado à lenda de que Vila Nova foi a terra-natal de uma mulher que de tão gulosa acabou por ser desterrada como freira para o Convento de Santa Clara, em Vila Real. Mesmo assim, a clausura não a privou da guloseima e até foi a criadora do Pito. Segundo Rosa Maria, que está a fazer um mestrado em Antropologia sobre Doçaria e é gerente da Casa Lapão, uma das mais antigas confeitarias nacionais, toda esta história é uma efabulação. O Pito de Santa Luzia não é de origem conventual, tendo em conta os ingredientes com que é confecionado. Mas tem a fama.

Pitos Santa Luzia
Crista de galo créditos: Who trips

Um outro doce muito popular em Vila Real e que, este sim, tem origem no receituário conventual de Santa Clara é a Crista de Galo. No inicio seria designado por Pastel de Toucinho. O nome de Crista de Galo, da autoria de Lurdes Modesto, é certeiro porque tem a forma da crista dos galos. São dourados e polvilhados com açúcar. O recheio é de doce de gema de ovos e amêndoa.

A Casa Lapão ainda confeciona as Cristas de Galo com a receita original. A confeitaria é especializada na produção de doçaria conventual e ao longo dos mais de 80 anos de atividade conseguiu preservar o património de receitas originário do Convento de Santa Clara em Vila Real.

Pitos Santa Luzia
Cristas de galo créditos: Who trips

Foi a bisavó de Rosa Maria que era amassadeira (nome dado às mulheres que amassavam o pão) que, com o marido, decidiu criar uma padaria. Contaram com a confidência de uma amiga que tinha uma irmã no convento e que foi transmitindo as receitas conventuais. Outra versão acrescenta que a bisavó de Rosa Maria também andou no Convento, a aprender a ler, e teve igualmente acesso às receitas. Seja qual for a versão, o que é certo é que, felizmente, não se perdeu a receita das Cristas de Galo. Prove e vai ver como partilha a minha opinião.

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