COMO CHEGAR A VENEZA

O aeroporto mais próximo de Veneza é o aeroporto Marco Polo e está bem conectado ao centro da cidade por transportes públicos. Há autocarros que partem da frente do terminal de chegadas e levam cerca de 20 minutos a chegar à Piazzale Roma.

Existe também um serviço de barco, designado Alilaguna, que sai do aeroporto e para em vários pontos da lagoa central como F. Nuove (38 minutos), Lido (58 minutos), San Marco (1 hora e 12 minutos), Rialto (57 minutos), Guglie (42 minutos).

Também é possível chegar a Veneza de comboio a partir de uma cidade próxima, como Bolonha, Milão ou Florença.

ONDE FICAR

A escolha é imensa e basta procurar um pouco para encontrar um local adequado ao nosso orçamento.

Se querem ficar numa localização central sugiro o Hotel Carlton on the Grand Canal. Se procuram luxo, mas a um preço ainda acessível, recomendo o Ca' Sagredo Hotel, se o orçamento é curto sugiro o 40.17 San Marco (relação preço/qualidade fantástica) ou o Cà del Dose.

Se optarem por se hospedar fora do centro, em Murano por exemplo, recomendo o Hyatt Centric Murano (antigo LaGare Sofitel), é uma excelente hotel, está bem conectado a nível de transportes e oferece um bonito barco transfer, gratuito do aeroporto, para poderem entrar em Veneza com todo o estilo! Podem ler mais sobre o Hyatt Centric aqui.

Veneza, Itália
créditos: Unsplash

COMO SE DESLOCAR EM VENEZA

O meio de transporte público principal de Veneza é o barco conhecido como vaporetto. Vejam em baixo as linhas de vaporetto mais usadas:

  • Linha 01: É a mais utilizadas pelos turistas. Percorre o Grande Canal, desde a estação de autocarros de Piazzale Roma até à Ilha de Lido; Para em alguns dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade como a Praça de São Marcos e a Ponte Rialto.
  • Linha 03: Liga a Piazzale Roma à Ilha de Murano.
  • Linha 10: É a mais rápida de todas para ir da Praça São Marcos até à Ilha de Lido.
  • Linha 18: Liga as ilhas de Lido e de Murano.
  • Linha LN: Liga Fondamenta Nuove (F.Nuove) ou San Zaccaria a Burano.
  • Linha LN: Liga Burano a Torcello.

Um bilhete simples custa cerca de 7,50 € (é válido durante 60 minutos), por isso façam as contas às vezes que pretendem usar o vaporetto, se pretendem andar muito de barco o melhor é comprar um passe de um ou mais dias, o Tourist Travel Card. Um cartão de um dia custa € 20, de dois dias custa € 30 e assim por diante.

VISITAR VENEZA NO CARNAVAL

Vivenciar o Carnaval de Veneza é uma daquelas experiências que todos deviam ter uma vez na vida, mas se não gostam de multidões, evitem, porque a cidade realmente se enche de gente para este evento e há filas por todo o lado: na porta dos museus e atrações, nos restaurantes e cafés e nas paragens do vaporetto.

Dito isto, se conseguirem ultrapassar o lado negativo, vale muito a pena passar o carnaval em Veneza. A cidade organiza um programa de duas semanas, repleto de eventos (principalmente) gratuitos, como desfiles de barcos, concursos de fantasias, fogos de artifício e concertos. A melhor parte é passear pela Praça de São Marcos e fotografar as máscaras e fantasias brilhantes. Há também bailes de máscaras nos antigos palacetes (mas estes são apenas para convidados e implicam o pagamento de uma entrada cara).

Carnaval de Veneza
créditos: AFP

O carnaval oficial dura 10 dias. No entanto, a cidade organiza muitos eventos antes mesmo do festival começar, por isso ao todo dura à volta de 15 dias.

O Voo do Anjo, (Il Volo dell'Angelo), é um dos destaques do Carnevale di Venezia. Na verdade, é o evento que inicia oficialmente o Carnaval. É o mais popular dos eventos gratuitos do Carnaval de Veneza. Por isso se quiserem assistir cheguem à Piazza San Marco com antecedência suficiente, antes das 10h30, pelo menos. O Voo do Anjo, acontece às 12h do primeiro domingo de Carnaval.

Consultem aqui o programa oficial do Carnevale di Venezia para terem acesso à lista completa de todos os eventos.

Roteiro para quatro dias

Dia 1: centro e principais atrações

Comecem o dia a explorar o bairro San Polo, o menor dos seis sestieri (bairros) de Veneza.

A Ponte Rialto é um bom ponto de partida. Das quatro pontes que cruzam o Grande Canal de Veneza, a Ponte Rialto é a mais antiga e a mais bonita, com lojas dos seus dois lados.

Atravessem a ponte e admirem a vista para o Grande Canal, depois espreitem o Mercati di Rialto que fica nas proximidades. É divertido ver o movimento do mercado logo pela manhã, com as suas lojinhas de queijos e vinhos e as coloridas bancas de frutas e legumes frescos. Visitem a Basílica dei Frari, uma das mais importantes de San Polo antes de seguirem para a Piazza San Marco, a praça mais famosa de Veneza e local onde encontramos alguns dos mais icónicos monumentos da cidade.

Visitem a Basílica de São Marcos e admirem as suas cúpulas bizantinas, decoradas com mosaicos dourados e belas pinturas. Se o tempo estiver bom, subam à Campaniledi San Marco (Torre do Sino), a vista é fabulosa!

O interior da Basílica é iluminado apenas das 11h30 às 12h45, durante a semana e durante as celebrações litúrgicas aos domingos e feriados. Tentem visitar nestes dias ou horários, para ver a Basílica em todo o seu esplendor.

Atenção que mochilas e sacos grandes não são permitidas dentro da Basílica por motivos de segurança e quem estiver vestido com calções e tiver os ombros a descoberto pode ver a sua entrada recusada (é considerado falta de respeito), por isso tenham isso em atenção se visitarem Veneza no verão.

Palazzo Ducale
créditos: Unsplash

Antes de seguirem para o Palazzo Ducale (Palácio Ducal), que fica mesmo ao lado da Basílica, parem para um café ou chocolate quente no Florian — o mais antigo e tradicional café de Veneza.

O Palácio Ducal, já foi a sede do poder político e administrativo da República de Veneza e é uma verdadeira declaração ao esplendor da La Serenissima (Veneza). É uma obra de arquitetura impressionante. Possui uma variedade de obras-primas renascentistas, grandes escadarias, salas opulentas e entradas monumentais. Abriga a maior tela do mundo produzida pelo famoso artista Tintoretto e a Ponte dos Suspiros, por onde passou Casanova a caminho da prisão.

A melhor hora para visitar o Palácio Ducal é de manhã logo após a abertura, de preferência durante a semana quando há menos pessoas. Compensa comprar o bilhete online para evitar as filas.

O bilhete que inclui “secret Itineraries” (itinerários secretos) vale a pena, porque permite o acesso a salas que não fazem parte da visita guiada habitual (mas atenção, infelizmente não é acessível a pessoas com mobilidade reduzida).

Há uma livraria e um agradável café dentro do Palácio Ducal onde podem descansar e comer alguma coisa. Se quiserem almoçar, perto do Palácio há várias opções. Recomendo o Restaurant Terrazza Danieli ou a Taverna Dei Dogi.

Se quiserem ir um pouco mais longe, vão até Giudecca onde também há muitos restaurantes e pizzarias. Para lá chegar atravessem a Ponte dell'Accademia ou apanhem uma gôndola di traghetto (gôndolas usadas para atravessar o Grande Canal). Traghetto significa que a gôndola, apenas passa de uma margem para a outra. Custa entre 0,50€ e 2,00 € e é uma forma barata de ter a experiência de andar de gôndola sem pagar uma fortuna por um passeio pelos canais da cidade.

Depois do almoço sugiro que caminhem entre San Marco Campanile e o Palácio Ducal em direção à água. Rapidamente chegam à orla da lagoa — a Riva degli Schiavoni. Daqui, conseguem vistas dignas de um cartão postal, com as gôndolas balançando na água e San Giorgio Maggiore do outro lado da água.

Roteiro de Veneza
créditos: Travellight

Virando à esquerda e continuando a andar, conseguem ver a Ponte dos Suspiros de outro ângulo. Sigam depois até a Ponte dell'Accademia, mas sem pressas porque pelo caminho há uma abundância de coisas para ver.

Prestem atenção à loja de perfumes The Merchant of Venice (Campo S. Fantin,), ao Teatro La Fenice, à Gallerie dell'Accademia (que fica bem em cima da Ponte dell'Accademia) e ao Scala Contarini del Bovolo — um edifício extraordinário, que podemos visitar e até subir, para apreciar uma vista maravilhosa da cidade.

Descubram mais sobre Veneza e sobre o Scala Contarini del Bovolo aqui.

Por esta altura já o sol se deve estar a pôr e é hora de pensar no jantar. Façam o caminho de volta para o Grande Canal e escolham um dos muitos restaurantes que ficam na margem, para jantar. Comecem com um Spritz, porque em Veneza, há que ser Veneziano e apreciar a hora do aperitivo!

Dia 2: a alma de Veneza, arte moderna e Murano

Acordem bem cedo e, desta vez, explorem a cidade sem rumo certo. Caminhem pelas pequenas ruas de Veneza, descubram os seus cantos tranquilos, percam-se nos labirintos de becos e admirem a cidade que acorda. Esta é a verdadeira beleza de Veneza, esta é a sua verdadeira alma! Entrem nas igrejas mais pequenas, fotografem os detalhes, vejam as gôndolas a passar nos canais, ou façam mesmo um passeio nestas embarcações típicas. Não é barato (cerca de 80,00 € por meia hora), mas é uma daquelas experiências “para mais tarde recordar”.

Ao fim da manhã visitem o Museu de Arte Peggy Guggenheim. Está instalado no Palazzo Venier dei Leoni, que serviu de residência à milionária americana durante três décadas. O museu exibe obras primas de artistas como Dali, Miro, Picasso e Jackson Pollock.

Almocem no Trattoria ai Cugnai que fica perto do museu. É um excelente restaurante.

Na parte da tarde, apanhem o vaporetto na Praça de São Marcos (Linha 07), para Murano, uma das maiores ilhas de Veneza.

Murano: a Ilha dos vidros de Veneza
créditos: AFP

Murano é mundialmente famosa pelo seu vidro. Apesar de nos últimos anos muitas fábricas terem fechado, ainda hoje é possível ver artesãos a soprar vidro nas várias fundições da ilha. Muitas delas tem salas de exposição e locais onde os turistas podem assistir a todo o processo de fabrico das diferentes peças decorativas e candeeiros. Não deixem de visitar a Chiesa di San Pietro Martire e o Museu do Vidro.

No regresso jantem no Antico Martini e, caso apreciem ópera, assistam a uma representação no Teatro La Fenice. Podem ver o programa e os locais de venda de bilhetes aqui.

Dia 3: Burano e Torcello

No terceiro dia explorem mais duas ilhas de Veneza: Burano e Torcello.

Burano, com as suas casinhas coloridas, é um verdadeiro encanto, assim como a delicada renda feita à mão, típica da ilha. Em Burano, não deixem de visitar o Museo del Merletto (Museu da Renda de Burano) e a Igreja de San Martino Vescovo.

Burano: a vida a cores
créditos: Travellight

Almocem no Trattoria Al Gatto Nero antes de apanharem o vaporetto para Torcello (fica a cerca de 5 minutos de distância).

Torcello é considerada a região de Veneza continuamente habitada há mais tempo. Numa altura em que os venezianos se viram obrigados a fugir das invasões dos lombardos e hunos, foi a ilha mais povoada da república com mais de 20.000 habitantes. Conservou sua hegemonia durante 1.000 anos, mas um surto de malária dizimou a população e o poder transferiu-se para Veneza. Hoje apenas 75 pessoas vivem na ilha.

Torcello tem uma paisagem decadente e rural, e pisar nesta ilha é como voltar atrás no tempo. Descubram os mosaicos bizantinos da Cattedrale (Basílica de Santa Maria Assunta) e a Igreja de Santa Fosca (está ao lado da basílica, rodeada por um pórtico pentagonal); caminhem pela Ponte do Diabo e vejam o Trono de Átila, que está na praça central do povoado — conta a crença popular que no passado, esta cadeira de mármore foi o trono do rei dos hunos.

Torcello
créditos: Veneto Inside

No regresso, descansem um pouco no hotel antes de começar um giro d'ombra, uma tradição veneziana secular que consiste em passar de bacaro em bacaro (bar em bar) desfrutando de cicchetti (o equivalente veneziano às tapas ou petiscos) e um pequeno copo de vinho.

Partindo da Piazzale Roma, sigam em direção a Giardino Papadopoli e comecem o giro no Bacareto Da Lele (Fondamenta dei Tolentini, 183).

Não muito longe do Lele (cerca de 5 minutos a pé), fica o famoso Campo Santa Margherita. Neste lugar, a vida noturna de Veneza toma forma e podemos encontrar um grande número de bares. Os primeiros bares (quando chegamos do Campo San Pantalon) são os melhores. Logo após a ponte está o Chet Bar e um pouco mais à frente o Do Draghi, dois lugares onde vale a pena parar.

Do Campo Santa Margherita podem seguir para o sul, em direção a Zattere e Fondamenta Nani até a Osteria Al Squero que fica em frente ao Squero di San Trovaso — a conhecida oficina de gôndola onde podemos ver como a típica gôndola veneziana é construída. Este bar oferece cicchettis variados com salame, tomate seco, lulas, patês caseiros, bacon, cogumelos, salmão, brie, etc.

Podem continuar no Al Chioschetto um charmoso bar localizado no meio de Fondamenta Zattere, de onde temos uma vista deslumbrante de Giudecca. Aqui não há cicchetti, apenas panini (sandes).

Continuem o passeio em direção ao Rialto, passando pela Ponte da Accademia. Uma vez no Campo Santo Stefano continuem a seguir as placas amarelas que indicam “Rialto” até chegar ao Campo San Bartolomeo. Aqui não sigam pela ponte, mas no sentido contrário através de um sotoportego (uma espécie de passagem com arcos). Virem à esquerda e logo depois à direita. É aqui que encontram o Bacaro Jazz. É um restaurante, mas no bar, servem requintados cicchetti. Muitas vezes há eventos especiais com música ao vivo, por isso é um ótimo lugar para terminar a noite.

Dia 4: Lido de Venezia

No último dia visitem o Lido di Venezia. É uma ilha pequena, com apenas 18 km, mas tem praia, um casino, e é aqui que decorre o Festival Internacional de Cinema e a Bienal de Veneza.

No início do século XX, Lido era um destino que estava na moda na Europa e a praia era frequentada por artistas e escritores. Hoje em dia, é uma praia demasiado turística, mas que pode complementar perfeitamente uma viagem a Veneza no verão. Aproveitem as vistas, apanhem sol e descansem.

Para lá chegar apanhem o vaporetto (linhas 1, 2, 51, 52, 62, N ou LN).

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Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World

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