A constatação foi feita à Lusa por Damien Masset, responsável da organização, que esclareceu que a 15.ª edição está a ser marcada por uma redução do número de participantes, depois do atentado de Nice, a 14 de julho, que fez 85 mortos, sem esquecer o do Bataclan e outros cafés em Paris, a 13 de novembro do ano passado, em que morreram 130 pessoas.

"Sente-se uma ligeira baixa na afluência, o que está claramente ligado à questão da segurança, ainda que nos sintamos em segurança porque estamos bem protegidos. De maneira geral, a procura turística de Paris baixou e isso sente-se no 'Paris Plages'", descreveu.

Damien Masset acrescentou que "junto das pessoas nota-se a preocupação [das ameaças terroristas] mas também se sente alguma serenidade porque elas estão protegidas", sublinhando que "nos primeiros dias de 'Paris Plages' também se fez [na capital francesa], 'Tunes Plages' e 'Sousse' Plages porque as três cidades foram afetadas por atentados e queriam mostrar que estavam unidas".

As "praias de Paris" abriram ao público a 20 de julho na via Georges Pompidou, no lago de La Villette e na esplanada do Hôtel de Ville, devendo inicialmente encerrar este domingo, mas foram prolongadas até 4 de setembro, exceto em La Villette.

A via Georges Pompidou - localizada nas margens do rio Sena e uma das artérias da capital com mais trânsito durante o ano - é um dos principais palcos das "Paris Plages",com 2800 metros decorados com cadeiras de lona, guarda-sóis, areais, parisienses em bikini ou calções de banho, campo de petanca, matraquilhos, reproduções de obras de arte de museus parisienses e um palco para danças de sa

A cada entrada há uma carrinha de polícia, barreiras de metal e uma pessoa a dar uma vista de olhos aos sacos e mochilas, havendo muitos polícias e militares a passear entre os "veraneantes", em baixo, junto ao Sena, ou a vigiar, mais em cima, sobre as pontes ou a avenida superior.

De óculos de sol, bandolete amarela e fato de banho sem alças, Halina Bajer, de 70 anos, está deitada numa espreguiçadeira, pousada em cima de areia, a bronzear em frente ao Sena e a única coisa que lamenta é não poder ir para a água.

"É pena não podermos ir para o rio. Vim para aqui com a minha filha porque lhe quis mostrar Paris e assim também aproveitamos um dia de praia, na areia", disse à Lusa, sublinhando que se sente em segurança e que não pensa nos atentados.

Mais adiante, depois do Pont Neuf, mais espreguiçadeiras se estendem em cima de erva sintética e ainda há muitos lugares vagos para bronzear, com vários carrinhos de bebé a desenharem o limite entre a erva de plástico e o empedrado.

Com a pele avermelhada pelo sol e desviando o olhar do seu livro, Gilena Krivockic conta que costuma ir "descansar e aproveitar o sol depois do trabalho" nas "praias de Paris", depois de ter deixado para trás o medo.

"Não tenho medo. No 13 de novembro trabalhei no Stade de France. Durante dois meses tive algum medo, mas depois é preciso continuar a viver. Se houver algum maluco, pode fazê-lo aqui ou noutro lado qualquer", disse a hospedeira de eventos de 23 anos.

Mais longe, em frente ao Hôtel de Ville, a esplanada transformou-se num campo de vólei de praia, com vários jogadores de calções e tronco nu a competir em cima de areia, como Anthony Rodrigues, que este ano não foi passar férias a Portugal e já tem um bronze desenhado pelas tardes passadas no centro de Paris.

"Estamos em Paris, pode acontecer em qualquer lugar. Não penso nisso. Há polícia, há militares. Não penso em nada disso, só no jogo. Até pode ser uma espécie de resistência para mostrar que não temos medo", descreveu o estudante de Direito de 19 anos.

Khalil Jomni, igualmente estudante em Direito, também vestiu os calções de praia para acompanhar Anthony e os amigos "numa partida de volley, de petanca ou simplesmente para bronzear" e faz questão de afirmar que "mais perigoso seria se as pessoas não viessem e cedessem ao medo".

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