O arquipélago prepara-se para a renúncia do imperador Akihito que vai se concretizar na próxima terça-feira. No dia seguinte, o seu filho mais velho e herdeiro, Naruhito, subirá ao trono.

Os japoneses, que têm a reputação de trabalhar muito, vão combinar os dois feriados deste evento com a tradicional "semana dourada" de vários dias de descanso.

Muitos estavam a preparar-se para as cerimónias nacionais organizadas em todo o país, enquanto outros aproveitaram a oportunidade para viajar.

Em Narita, o principal aeroporto da capital, espera-se um número recorde de 60.700 viajantes com destino ao exterior, segundo a rede pública NHK.

Longas linhas também se formaram para o comboio de alta velocidade Shinkansen na estação de Tóquio, enquanto as  estradas transbordavam de veículos que saíam da capital.

Segundo a operadora turística japonesa JTB, o número de viajantes deverá atingir os 24,67 milhões (dentro e fora do país) durante este período, um recorde.

Com os bancos encerrados até ao dia 6 de maio, já há caixas multibanco sem dinheiro. Tendo em conta que a maioria dos japoneses ainda prefere efetuar pagamentos com dinheiro, é motivo para muitos não ficarem felizes com estas férias extraordinárias.

Também houve quem se queixasse da falta de acesso a serviços públicos e a casas de banho ou de não ter onde deixar as crianças devido aos feriados.

De acordo com uma pesquisa do jornal Asahi Shimbun, 45% dos japoneses não "se sentem felizes" com tantos dias de férias. Só 35% estão "satisfeitos".

Japoneses não estão habituados a tirar férias

Pode parecer estranho, mas a verdade é que muitos japoneses não estão contentes pela tradicional Golden Week, uma série de dias festivos, prolongar-se este ano de 27 de abril a 6 de maio.

"Confesso que com 10 dias de férias seguidos não sei muito bem o que fazer", comenta Seishu Sato, de 31 anos, que trabalha no setor das finanças em Tóquio. "Podia viajar mas vai haver muita procura em todos os lugares e será caro. Provavelmente vou acabar por ir para a casa dos meus pais".

Os japoneses não têm como hábito tirar férias. Segundo o Ministério do Trabalho, de uma média de 18 dias concedidos aos empregados no ano passado, apenas nove foram utilizados.

Os que terão que trabalhar também estão preocupados. "Para os pais empregados no setor de serviços (restaurantes, por exemplo) é um quebra-cabeças. As creches, tudo está fechado", lamenta um utilizador no Twitter.

"Respeito"

Se não fossem as férias extras, os japoneses acolheriam com total serenidade a renúncia do imperador e o começo de uma nova era chamada "Reiwa" (bela harmonia).

A imensa maioria tem "um sentimento positivo" ou "de respeito" em relação ao imperador, 22% expressam indiferença e quase ninguém hostilidade, segundo um estudo da rede de televisão pública NHK.

"A sua forma de abordar com proximidade, durante os últimos 30 anos, as pessoas idosas, com deficiência, isoladas, vítimas de catástrofes naturais, ou seja, os abandonados pelos políticos, suscitou empatia, respeito", afirma Takeshi Hara, professor de ciência política da Open University of Japan (OUJ).

O facto do imperador Akihito ter se casado com Michiko, a primeira união por amor da história imperial, "reforçou a sua imagem contemporânea", acrescentou.

A sua popularidade deve-se também à sua "consciência da responsabilidade da geração do pós-guerra" sobre as atrocidades cometidas pelo Japão, acrescenta Hideto Tsuboi, do Centro de Pesquisas Internacionais de Estudos Japoneses com sede em Quioto.

Ao contrário de muitas monarquias constitucionais, no Japão não é permitido falar mal do imperador, um fenómeno qualificado de "tabu do crisântemo", como é chamada a monarquia japonesa.

Fonte: AFP

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