Voltar a Óbidos é sempre uma boa ideia. Óbidos é atualmente uma vila adaptada a uma lógica smart city, aos novos tempos e com novidades na forma de gerir a visitação. Existem dispensadores de álcool-gel nas ruas, mapas para que os visitantes evitem caminhar todos pela mesma rua e as entradas de visitantes estão circunscritas a 875 pessoas em simultâneo dentro da muralha. Muita coisa mudou com a pandemia, mas a magia mantém-se.

A vila medieval é encantadora durante todo o ano, caminhar pelas suas ruas estreitas, por entre as casas caiadas de branco com faixas coloridas é como voltar atrás no tempo. As portas abertas mostram ofícios de outros tempos, peças de artesanato e as coroas de flores perfumam todo o espaço.

Dia 1 - A Lagoa de Óbidos

Com a promessa de fazer uma visita diferente, onde tivéssemos oportunidade de ir muito além do castelo e das muralhas, no primeiro dia da nossa visita fomos desfrutar da natureza e da bonita Lagoa de Óbidos.

Lagoa de Óbidos

Para não deixar nenhum recanto por visitar - nem os mais escondidos - fizemos uma visita com a Great West a bordo de um jipe todo o terreno que nos levou pelos trilhos medievais e por locais de grande beleza natural ao longo da lagoa de Óbidos, do Covão dos Musaranhos até à Foz do Arelho, numa viagem de aventura que mostra o melhor da natureza da região. Tivemos ainda oportunidade de ver as torres de observação de aves e no fim da viagem, desfrutamos de um lanche regado com a tradicional ginjinha de Óbidos.

Depois de vista a lagoa de Óbidos por terra, fomos conhecer o seu interior através de um passeio de barco com o Miguel Castro, da Intertidal. Miguel é formado em biologia e explica muito bem toda a história da lagoa, enquanto nos apresenta as diferentes aves que vamos vendo com o auxilio dos binóculos. Cegonhas e flamingos voam sem parar enquanto o barco avança pelos "braços" da lagoa. Quase no fim da viagem, tivemos oportunidade de sair do barco numa pequena ilha para provar a salicórnia, uma planta comestível que cresce espontaneamente e que é usada em substituição do sal. Do início ao fim da viagem foi possível descobrir muitas curiosidades sobre o ecossistema da lagoa, de forma descontraída e com bom humor à mistura.

Dia 2 - A Vila Medieval

Charretes do Oeste

Se o primeiro dia foi dedicado à aventura e a descobrir o melhor da natureza da Lagoa de Óbidos, o segundo dia do nosso roteiro é dedicado à vila medieval de Óbidos e trocamos o jipe pela charrete que tão bem combina com o ambiente de Óbidos. A Charretes do Oeste disponibiliza este serviço, onde podemos escolher vários circuitos com diferentes durações, sendo que o mais curto tem a duração de 15 minutos e o mais longo de 45.

Entramos na Mylord, uma charrete vis-à-vis de 1845, e partimos à descoberta de Óbidos enquanto o nosso simpático cocheiro nos vai explicando os locais por onde passamos. Ao longo da visita tivemos oportunidade de passar pela estrada real, como se fossemos parte da realeza, ficamos a conhecer o aqueduto que levava água à vila e fomos até ao Santuário do Senhor da Pedra, um bonito edifício barroco do século XVIII.

Mercado Biológico De Óbidos

Depois do passeio de charrete, uma caminhada pela vila leva-nos a entrar nos edifícios que apenas vimos de passagem, como é o caso do Mercado Biológico. Trata-se de uma incrível livraria de livros em segunda mão que se encontram em caixas de madeira - que serviam para transportar fruta - dispostas como prateleiras do chão ao tecto. Ao fundo, encontramos a banquinha com produtos biológicos para venda. Podemos encontrar vegetais hortícolas e frutícolas, vinhos e licores regionais, azeites nacionais e vinagres regionais e ainda chocolates certificados como artesanais.

Desde 2013, Óbidos é uma Vila Literária, um projeto desenvolvido desde 2011 pela Câmara Municipal de Óbidos, em parceria com José Pinho, da editora Ler Devagar.  Em 2015, Óbidos foi classificada como Cidade Criativa da UNESCO. O projeto Vila Literária resultou na criação de várias livrarias em vários recantos improváveis da vila, como é o caso da Igreja de São Tiago que deixou de estar abandonada e abriga agora uma livraria no seu interior.

 Igreja de São Tiago

Quem nos conta tudo isto e nos sugere os melhores locais a visitar é Ilda Cruz, que trabalha no turismo da região e nos explica que as cores das faixas coloridas nas casas não eram escolhidas ao acaso e refletiam o estatuto social dos seus moradores. A cor amarela significava que aquele era uma casa de agricultores, o azul era para os pescadores, o vermelho para a burguesia e a cor cinza para os edifícios religiosos.

O roteiro poderia terminar por aqui, após dois dias de muitas descobertas em Óbidos, mas quem sai da vila em direção ao sul, pode (e deve) fazer uma paragem no Bombarral para visitar o maior jardim oriental da Europa.

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Ao longo dos jardins é possível encontrar budas, pagodes, soldados de terracota e várias esculturas cuidadosamente colocadas entre a vegetação. Durante a quarentena, enquanto o espaço esteve fechado, foi renovada a parte africana que conta agora com várias novidades. O passeio de comboio é ótimo para percorrer o espaço de forma tranquila em poucos minutos.

É necessário usar máscara no comboio, cuja lotação se encontra agora mais limitada e, sempre que termina uma viagem, o comboio é desinfectado de forma a cumprir as medidas de segurança a que os novos tempos obrigam.  Fazendo o passeio de comboio ou a pé, a sensação com a qual ficamos é de que nos falta sempre ver alguma coisa, na imensidão do jardim.  São tantos os espaços disponíveis que é aconselhável seguirem o mapa do jardim para não perderem nenhum dos recantos do espaço. Como o jardim está ainda em construção, a cada nova visita existe algo diferente e um recanto novo para ver, por isso vale a pena sempre voltar.

Onde Dormir

Nesta visita a Óbidos, ficamos alojados no bonito Josefa D'Óbidos Hotel, mesmo junto à muralha, à entrada da vila. O espaço é extremamente agradável, os funcionários muito simpáticos e prestáveis e a suite azul onde ficamos é simplesmente deslumbrante. O hotel cumpre as medidas de segurança necessárias durante o momento que vivemos e assim que chegamos foi-nos entregue um kit, com máscara, luvas e álcool-gel. A estadia não podia ter sido mais agradável.

Onde Comer em Óbidos

Ao longo de dois dias aproveitamos para desfrutar do melhor da gastronomia da região, dos espaços mais tradicionais aos mais recentes e inovadores. A Capinha d'Óbidos tem disponível uma cesta de piquenique com os melhores produtos da região, desde queijos, enchidos, os maravilhosos pães feitos na hora e a própria capinha, o bolo da casa, feito a partir da receita secreta da bisavó de Anabela Capinha, a dona do espaço. Com a cesta bem recheada, subimos até ao miradouro do Campo da Bola, na cerca do Castelo de Óbidos. Depois de colocada a toalha numa das mesas de madeira existentes, colocamos sobre a mesa todo o conteúdo da cesta para uma refeição agradável, ao ar livre, com vista para a vila.

Cesta de Piquenique Capinha d'Óbidos

No Jamon Jamon, com tem uma esplanada perfeita para os dias de verão, é nos apresentada uma carta deliciosa onde, além dos pratos tradicionais existe uma grande seleção de tapas, sobre as quais recai a nossa escolha, depois das sugestões de Vitor Hugo que nos ajuda a escolher. A simpatia dos funcionários e os pratos deliciosos fazem deste um excelente local para jantares com amigos ou família.

Outro bom restaurante onde é possível desfrutar da melhor gastronomia da região é o Lounge, um espaço tradicional onde comemos um do melhor polvo à lagareiro de sempre. O espaço é muito acolhedor e tem uma esplanada coberta perfeita para as noites quentes de verão.

No Espaço Ó – Associação para o Desenvolvimento Comunitário do Concelho de Óbidos, encontramos oAvocado Coffee & Healthy Food, um espaço de comida saudável e com muitas opções vegetarianas, que nem sempre se encontram em vilas medievais como Óbidos. O espaço é encantador e as refeições muito saborosas, incluindo as sobremesas.

Para quem gosta de um doce a meio da tarde, por exemplo, o Macaron d'Óbidos tem uma vasta oferta dos famosos macarons, mas adaptados à região. Além dos sabores tradicionais, existem outras opções de recheio como Ginjinha de Óbidos, Maçã de Alcobaça ou Pêra Rocha do Oeste. São deliciosos!

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