O Dão foi a primeira região demarcada de vinhos não licorosos do país e a segunda região demarcada de vinhos do país. No entanto, esse título é dividido com a Região dos Vinhos Verdes já que ambas receberam esse estatuto através da Carta de Lei de 18 de setembro de 1908, assinada pelo rei D. Manuel II para fomentar o sector vinícola. As duas regiões demarcadas nasceram no mesmo dia mas, em tom de brincadeira, os produtores do Dão afirmam que a região demarcada do Dão foi criada de manhã e a do Vinho Verde à tarde, pelo que a primeira é mais antiga. Provavelmente, na região dos Vinhos Verdes dizem o oposto. Apesar da pequena picardia, sendo vinhos complementares, não existe concorrência direta e as duas regiões até celebram o aniversário em conjunto.

A região do Dão é considerada o Berço da Touriga Nacional, uma das mais emblemáticas castas do país, que dá origem a vinhos elegantes com aromas intensos. A região é também conhecida como a Borgonha Portuguesa, numa comparação com a região francesa, famosa pelos seus vinhos tintos.

A Comissão Vitivinícola Regional do Dão está sediada no Solar do Vinho do Dão, que corresponde ao antigo Paço do Fontelo, residência dos bispos da cidade de Viseu. O antigo Paço do Fontelo foi construído na herdade do Fontanelo, uma propriedade comprada em 1149 por D. Odório, bispo de Viseu. Os prelados da diocese habitaram na propriedade desde o início do século XIV, mas somente em 1399 o bispo D. João Homem mandou iniciar a construção do paço. Com a Primeira República, a Quinta do Fontelo foi expropriada pelo Estado e utilizado para diferentes funcionalidades, tendo funcionado como Casa de Reclusão onde esteve preso Aquilino Ribeiro em 1928. A porta por onde terá fugido está assinalada no local.

Solar do Vinho do Dão
Foto: Susana Sousa Ribeiro

Além de pinturas relacionadas com o vinho, é possível descobrir a história dos vinhos do Dão através de garrafas históricas, com dezenas de anos, que se encontram expostas no local. Uma das garrafas emblemáticas é de 1975 e está assinada por Amália Rodrigues. A garrafa foi oferecida por Adelino Monteiro e está exposta no Welcome Center.

Se no Solar do Vinho do Dão encontramos recordações do passado e da história rica da região é na Quinta da Teixuga que vemos o futuro a surgir diante dos nossos olhos, pelas mãos de jovens apaixonados pela vinha que criaram o "Novo Dão".

Quinta da Teixuga - Caminhos Cruzados
Foto: Pedro Cerqueira créditos: pedrocerqueira.com

A adega da Caminhos Cruzados, situada em Nelas, na Quinta da Teixuga, nasceu  por iniciativa e vontade de Paulo Santos  que regressou às suas origens e decidiu transformar uma antiga empresa agrícola numa moderna empresa produtora e engarrafadora de vinhos. Atualmente é a filha, Lígia Santos, que está à frente dos destinos da empresa. Lígia deixou a vida de advogada em Lisboa para se dedicar ao negócio de família e a paixão que tem pela vinha fica bem visível na forma como conta a história dos vinhos e da adega de cariz moderno, que ficou concluída em setembro de 2017, mesmo a tempo da vindima.

Quinta da Teixuga - Caminhos Cruzados
Foto: Pedro Cerqueira créditos: pedrocerqueira.com

O edifício de arquitetura e design moderno destaca-se na paisagem, tendo como inspiração o logótipo da empresa, uma espécie de cruz. Assim como o logótipo, a adega é constituída por dois edifícios que se cruzam, plantados no meio da vinha. Sendo uma empresa jovem e moderna, autodenominada "o novo Dão", isso reflete-se também no edifício. A quinta tem disponíveis vários tipos de visita, incluindo provas de vinho, piqueniques na vinha ou jogos de aromas.

Para saborear alguns dos sabores da região e passar a noite confortavelmente, a Parador Casa da Ínsua é uma boa opção. Localizado em Penalva do Castelo está inserido na Quinta da Ínsua, uma quinta de produção vinícola premiada, em plena rota dos Vinhos do Dão, com forte ligação ao Parque Natural da Serra da Estrela. O Palacete Barroco do século XVIII transporta os visitantes  para a história dos seus proprietários e para momentos da história de Portugal e do Brasil, já que Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres mandou construir a Casa da Ínsua após o regresso do Brasil, onde tinha sido Governador e Capitão-General de Cuiabá e Mato Grosso.

O palacete esconde tesouros únicos, desde a sala chinesa de inspiração oriental com uma decoração impecável, a sala dos retratos onde é possível ver, entre outras coisas, o bastão usado pelo pai de Luis de Albuquerque para o "convencer" a aceitar o convite de ir para o Brasil - após Luis de Albuquerque manifestar a vontade de o recusar - e a mobília oferecida pelo Marquês de Pombal.

Casa da Ínsua
Foto: Susana Sousa Ribeiro

A sua adega para prova de vinhos, a piscina exterior, os seus famosos jardins e o seu restaurante, tornam a Casa da Ínsua um destino a não perder na região do Dão.

Com tantos atrativos, não é de estranhar que o espaço tenha sido já cenário de filmes, como é o caso do Viúva Rica Solteira não Fica, um filme português, escrito e realizado José Fonseca e Costa. É também o único hotel português a integrar a prestigiada rede espanhola de Paradores de Turismo.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Viagens. Semanalmente. No seu email.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.