Para nós, que temos o privilégio de ver montanhas e mar ou rios numa combinação lírica como assim o é na Serra de Sintra, em Sever do Vouga ou na Arrábida, é um choque ver a forma terrestre como Omã foi desenhada sobretudo em zonas como Khasab e al-Hajar. Árido, montanhas agrestes, paisagens imponentes. É momento de tirar as suas fotografias, não falhe cada sentimento. Faça zoom! E é estonteante observar Wahiba: um deserto com ondas perfeitas de areias em que o mar disse adeus. Mas o sol decai em cor-de-rosa.

Pare o carro alugado (é a melhor opção para as suas explorações) e inspire-se naqueles espaços vazios de sons dos souks. Todos amamos viajar dentro de um souks, claro, mas depois queremos momentos de descontração e de espiritualismo elevado que só um deserto ou um cume de montanha nos proporciona naquele país. Em Wahiba encontra isso. Depois do sentimento de drama das paisagens montanhosas que vai avistar, a cerca de 250KM de Muscat, diga “sim” convicto quando lhe perguntarem se quer conhecer o deserto, a sério. Sobre parte dessa viagem afastada de Muscat, recomendável a todos os viajantes que colocam Omã na lista, vou detalhar uma experiência da nossa viajante (@costenlamariana). Houve algo que a impressionou e que a fez sorrir porque sentiu-se quase em casa (era a primeira vez que o sentia em tanto tempo): as geleiras atulhadas de farnel que todos fazem questão de levar nos carros.

Os portugueses gostam muito de geleiras, certo? Eu gosto, pequeninas! Mas os Omanis gostam de arcas. Na verdade, eram geleiras mas a Mariana percebeu que ela cabia lá dentro de pernas esticadas. Não tentou a experiência com receio de ficar fechada dentro de uma, por acidente da curiosidade. Seguiam três carros, além dela iam mais estrangeiros na comitiva. Era cerca de meio-dia e pararam para comer numa barragem natural, chama-se wadi. E nesses locais consegue ver piscinas de água azul ou verde, pois a água não se mistura com o chão rochoso e típico de Omã. Terra e água separados, já pensou nisso?

O prato que lhe serviram era um costume orgulhoso dos Omanis: uma carne escura e seca. A história que a explica não abre logo o apetite: a carne é fantástica porque é de cabra e essa cabra fica durante 48horas a ser marinada e cozinhada debaixo de terra, após o abate.

Mas a viajante preferiu o jantar que era, como muito habitual em Omã, frango bem temperado e arroz. Pratos arrumados, a ordem foi para que a viagem urgisse pois faltariam horas até ao deserto. Não se admire pelo facto de, quando lá chegar, ver os pneus dos carros a serem esvaziados. Assim pode começar a tour (também no carro) em que, além do silêncio daquela areia e dos cumes que cada duna faz, vai ver o pôr-do-sol mais especial do mundo: é cor-de-rosa. Tal como um algodão doce que nos foge das mãos.

Depois de o sol se despedir de forma tão sonhadora, voltaram, a deslizar pelas areias, à zona onde se esvaziaram os pneus e dormiram após trespassarem um portão azul claro enferrujado. E ainda havia mais portões com a mesma cor (fico eu a pensar nas cores tão simpáticas, do sol e das portas do deserto: rosa e azul claro). Deitaram-se nos quartos, separação entre homens e mulheres. A nossa viajante passou esse dia a observar o guia, além das paisagens e do pôr-do-sol rosáceo. É que sempre que paravam numa terra, ele ligava ao “melhor amigo”. Era mesmo a instrução dele aos turistas. Ela quis saber se o mesmo amigo sabia de tudo de todas as terras. Mas, não! O guia tinha um melhor em todos os lugares. Aliás chegou a ir com a comitiva e com um dos ‘melhores amigos’ ver uma corrida de camelos. Ou camelos de corrida. Uma coisa ou outra. O que mais o vai cativar não são camelos, é esse pôr-do-sol que ninguém esquece quando desce o deserto de pneus vazios e de alma cheia.

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