Um arrepio atravessa-me a espinha. Afinal, é difícil esquecer que centenas e centenas de pessoas perderam ali a vida. Estas são as minhas primeiras impressões do Parque Arqueológico de Pompeia, Património Mundial da UNESCO.

Antes da redescoberta de Pompeia, o estudo do mundo Romano baseava-se maioritariamente nos textos de historiadores da antiguidade e na arquitectura bem preservada da própria Roma e algumas outras cidades.

No seu auge, Pompeia não era considerada uma cidade relevante mas é precisamente por isso que hoje é tida como algo importante. A sua súbita destruição preservou com ela uma abundância de informações que conseguem captar a nossa imaginação e transportar-nos directamente até ao quotidiano de uma “cidade comum”, igual a centenas de outras cidades romanas.

O seu tamanho impressiona. Quando foi destruída pelo Vesúvio, Pompeia já existia há quase 700 anos e tinha cerca de 20.000 habitantes. O seu solo vulcânico fértil era ideal para o cultivo de vinhas e oliveiras e isso incentivou o estabelecimento de numerosas famílias que aumentaram a prosperidade da cidade.

Acredito que quem leu o livro “Pompeia”, de Robert Harris, ache a visita ainda mais emocionante. Apesar de ser uma obra de ficção, o livro descreve de uma forma bastante realista a cidade e os dias que antecederam à erupção do Vesúvio, apontando os pequenos indícios que poderiam ter alertado os habitantes de Pompeia (pequenos tremores de terra, ou enxofre na água).

A descrição da explosão e o pavor dos personagens perante o magma, as cinzas e os gases letais também é algo que nos fica na memória e nos atormenta enquanto percorremos as ruínas e descobrimos todos os elementos que compunham a cidade: casas comuns, moradias de luxo com mosaicos e outros detalhes decorativos, praças e edifícios públicos como templos, um fórum, um anfiteatro, um bordel…

Estruturas importantes como um complexo sistema de água e um porto também estão preservados na periferia da cidade.

Bem mais sinistra é a visão dos moldes em gesso que recriam as formas corporais das pessoas que não conseguiram deixar Pompeia a tempo. Giuseppe Fiorelli, arqueólogo encarregue das escavações em 1863, descobriu que os vazios que constantemente encontrava nas cinzas, na verdade, eram os espaços deixados pelos corpos decompostos das vítimas. Foi ele quem primeiro injectou gesso nestes espaços vazios para criar os moldes e desta forma cristalizar o último momento de vida daquelas pobres almas.

Pompeia: a cidade que ressurgiu das cinzas
créditos: The Travellight World

Chegar a Pompeia é fácil. A partir de Sorrento, no sul, ou de Nápoles, no norte, basta apanhar o comboio local da linha Circumvesuviana e descer na estação Pompei Scavi - Villa Dei Misteri. As ruínas ficam bem na frente da estação.

O parque arqueológico está aberto todos os dias das 9h às 19h30 durante o verão e até às 17h durante o inverno. Como há tanta coisa para ver, o ideal é chegar bem cedo, principalmente no verão porque as temperaturas sobem imenso e quase não há sombras que nos protejam do sol. Calçado confortável também é essencial.

Sem um guia é fácil perder o rumo em Pompeia, mas o mapa que é entregue, juntamente com o bilhete de admissão, ajuda bastante. Quem preferir pode contratar um guia à chegada.

Para mais informações, consultem o site oficial do Parco Archeologico Di Pompei.

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Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World

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