O Principezinho é um dos meus livros favoritos (e, tenho certeza, de milhares de outras pessoas) por isso eu acho que qualquer coisa que tenha servido de inspiração a esta obra-prima da literatura mundial tem de ser muito especial.

A conexão do Principezinho com a Patagônia remete aos anos que Saint-Éxupery morou em Buenos Aires, para onde foi enviado em 1929 pela companhia Aéroposta-Argentina para abrir novas rotas aéreas. Ali, apaixonou-se pela imensidão da região, começando a escrever e a desenhar um conto.

O formato de uma ilha na Patagónia, por exemplo, pensa-se que terá inspirado o desenho, que aparece no livro, da jibóia que engole o elefante.

Um pouco de história

É amplamente aceite que o nome Patagónia vem da palavra "patagón" (pés grandes) utilizada por Fernando de Magalhães em 1520 para descrever os povos nativos daquela área e que a tripulação que fazia parte da sua expedição julgava serem gigantes.

Hoje, os historiadores acreditam que o povo que o explorador português, que primeiro circum-navegou a Terra, chamava de patagons eram na verdade os tehuelches, que tendiam a ser mais altos do que os europeus da época.

Patagónia
créditos: Travellight e H. Borges

A Patagónia divide-se entre dois países, a Argentina e o Chile, e abrange quase todos os cenários que a mãe natureza é capaz de criar: tem o sétimo maior deserto do mundo, glaciares da última idade do gelo, lagoas azul-turquesa, lagos, quedas de água e cascatas, belas montanhas e floresta tropical. Enfim, tem tudo e é o paraíso absoluto para quem ama natureza e atividades ao ar livre.

Encontro com uma raposa

Na Patagónia, tive algumas experiências inesquecíveis, algumas foram extraordinárias e quase espirituais, mas uma foi excepcionalmente má. Em qualquer caso, o bom superou largamente o mau, e de modo algum afectou a minha percepção deste lugar mágico.

Raposa na Patagónia
créditos: Travellight e H. Borges

Uma das minhas memórias favoritas foi quando me deparei com uma raposa durante uma caminhada.

O animal parecia não ter medo de mim. Chegou-se mesmo muito perto e depois sentou-se à minha frente e deixou que eu o fotografasse.

Isto foi tão especial. Eu adoro animais e esta experiência fez-me sentir como se eu fosse o próprio Principezinho... quase conseguia ouvir a raposa a murmurar: "É apenas com o coração que se consegue ver com clareza, o que é essencial é invisível para os olhos".

Beber gelo do glaciar... é melhor não!

Fiz um passeio de barco pelo fiorde de Ultima Esperanza, que nos leva para muito perto dos glaciares Balmaceda e Serrano.

Enquanto estávamos por lá lá, um dos membros da tripulação resolveu servir-nos um pisco sour (bebida típica sul-americana) com gelo recolhido do glaciar.

Parecia uma coisa muito "cool" para se fazer - eu até já imaginava a história que ia contar aos meus amigos, afinal não são muitos os que podem dizer que beberam um pisco sour com gelo da última idade do gelo não é?

Pois bem, para meu azar, o gelo do glaciar devia conter uma qualquer bactéria milenar que rapidamente atacou o meu sistema. Cerca de uma hora e meia mais tarde, eu sentia-me tão doente, mas tão doente que achei sinceramente que ia morrer.

Agora tem uma certa piada, mas na altura lembro-me de ter pensado que era muito apropriado eu ir morrer num lugar chamado de Fim do Mundo - nome da terra em que ficava o hotel em que eu estava hospedada. Passei dois dias com vómitos, diarreia e febre - nunca me senti tão mal em toda a minha vida.

Felizmente, viajo sempre com um kit de primeiros socorros que contém todos os medicamentos essenciais e, afinal de contas e depois de recuperada, eu continuava com uma boa história para contar aos amigos!

A Patagónia é um óptimo lugar para observar e fotografar a vida selvagem. Há tantas espécies para ver e descobrir que rapidamente eu esqueci o mau momento que passei.

Dicas para organizar uma viagem à Patagónia

- A melhor maneira de chegar até a Patagónia é voar para Santiago do Chile e, em seguida, fazer um voo de ligação para Puerto Natales ou Punta Arenas. Punta Arenas geralmente tem mais opções de voos. O autocarro de Punta Arenas para Puerto Natales leva cerca de 3 horas.

- A Iberia é quem faz voos mais baratos para Santiago do Chile (extensão a Punta Arenas com a LATAM Chile). O ida e volta Lisboa/ Santiago/ Punta Arenas fica por cerca de 1.200 euros. Com saída do Porto o preço é o mesmo.

- Muitas agências de viagens vendem pacotes completos para a Patagónia com voos, alojamento, alimentação e excursões incluídos no preço, o que é muito mais prático (e frequentemente mais caro). Eu pessoalmente gosto de fazer as coisas no meu próprio ritmo por isso prefiro marcar tudo individualmente.

- Fiquei também surpreendida com a qualidade dos hotéis na região. Muitos abriram nos últimos anos e proporcionam conforto, luxo, e boas opções gastronómicas. O Altiplanico Sur Hotel em Puerto Natales é um bom exemplo. Podem ler mais sobre este hotel aqui.

Hotel Altiplanico: um refúgio discreto na Patagónia chilena
créditos: Travellight e H. Borges

- Não há uma melhor época do ano para visitar a Patagónia porque a natureza é sempre impressionante e cada época tem seus encantos. O verão é considerado época alta e os parques nacionais estão mais cheios e a acomodação é mais cara.

- O tempo na Patagónia é muito imprevisível. Não é incomum ter sol quente, vento, chuva e até neve num único dia (mesmo viajando durante os meses de verão), assim o segredo é vestir por camadas.

- Se forem fazer os trilhos a pé, levem uma t-shirt, uma camisola de lã, um casaco e calças à prova de água. Escolham roupa respirável para não ficarem molhados com a transpiração enquanto caminham. Botas resistentes à água também são uma boa ideia. Também vão precisar de um casaco quente, luvas, um chapéu ou um boné e um bom lenço/cachecol para visitar os glaciares e as montanhas, porque aí faz muito frio.

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Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World

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