Cemitério de Santa Cruz. Por: Machel Silveira

A celebração do Dia dos Mortos no México foi classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Existe em Timor-Leste, o país no sudeste asiático e tão distante do México, uma celebração do Dia dos Mortos que é assinalado como um símbolo cultural e da crença. Neste país, os dias 1 e 2 de novembro, dia de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos, são os dias importantes, principalmente para as pessoas que abraçam a religião católica.

As pessoas deslocam-se em todo o território nacional com o objetivo de prestar homenagem à memória dos seus entes queridos nos cemitérios. Nas ruas principais ou nos sítios que foram palcos de acontecimentos negativos durante a ocupação indonésia iluminam-se de velas e enchem-se de flores.

Cemitério de Santa Cruz
créditos: Machel Silveira

A preparação para assinalar este dia é feita com muito carinho e amor. A tradição de relembrar os entes queridos começa uns dias antes para algumas famílias: lavar as campas e começar a escolher as flores frescas para fazer raminhos. Na noite de 1 de novembro, muitas famílias fazem comida e começam a preparar "sé matebian", uma tradição de preparar uma mesa com alguns pratos destinados às almas dos entes queridos. Estes pratos depois vão ser partilhadas dentro da família para relembrar os queridos familiares que já partiram para outro mundo.

No dia 2 de novembro, todas as pessoas cumprem a grande tradição: assistir à missa nas igrejas locais, as flores e as velas recebem bênçãos dos padres e depois vão aos cemitérios para levar os ramos de flores e velas.

Neste dia, há um cemitério timorense que se destaca na cerimónia: o de Santa Cruz, que fica na capital do país, em Díli. Este cemitério foi o palco do massacre que aconteceu em 1991 e ficou conhecido no mundo inteiro graças ao esforço do jornalista britânico Max Stahl, falecido recentemente, ao filmar às escondidas o acontecimento.

Cemitério de Santa Cruz
créditos: Machel Silveira

Não se sabe ao certo quantas campas existem neste cemitério, mas podemos notar que há muita dificuldade em andar no cemitério. A única parte "livre", com espaço para andar, é a entrada. Muitos familiares timorenses têm os seus ente queridos enterrados aqui (ou alguns foram mortos aqui durante o massacre de Santa Cruz e não foram enterrados).

À noite, este cemitério transforma-se numa "cidade" para os mortos porque as velas iluminam as campas e o cemitério brilha como se fosse uma cidade pequena.

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