A Malásia é um país maioritariamente muçulmano e isso nota-se logo no momento de embarcar já que as mulheres usam um lenço para cobrir o cabelo: o hijab.

Não é o primeiro país muçulmano que visito, portanto não é totalmente novo para mim, mas a Malásia é especial pelo modo como as várias religiões conseguem interagir entre si sem haver problemas. Templos hindus, budistas ou mesquitas muçulmanas conseguem ser vistos com curtas distâncias entre si. É um exemplo de como todos conseguimos interagir uns com os outros e um exemplo de diversidade cultural.

Uma das maiores atrações de Kuala Lumpur são as Grutas Batu, que são lar de vários templos hindus e homenagens aos seus deuses. O local é super colorido, com sons que me fazem recuar no tempo até à Índia, e até a presença de macacos ajuda. As Grutas Batu são um must numa visita a Kuala Lumpur. Não ficam muito longe do centro da cidade e são acessíveis de comboio. A cidade tem uma rede de transportes fantástica e bem desenvolvida. Até se encontram autocarros gratuitos que ligam os pontos mais turísticos da cidade. De mencionar que os que são pagos são bem baratos.

A visita às Grutas Batu leva o seu tempo, se quiser ficar a absorver todas as coisas novas que outra cultura tão diferente nos tem para mostrar. A escadaria até ao topo da gruta plantada no penhasco de calcário é colorida e íngreme com muitos degraus para subir, mas é algo que se faz bem em 5 minutos ou menos. À medida que se sobe, nova companhia se avizinha, os macacos. Inúmeras famílias de macacos que brincam e pulam de um lado para o outro, assustando alguns turistas. É preciso ter atenção a eles pois roubam comida e bebida. Mantenho-me afastada pois não quero nem pensar na ideia de ser mordida por um.

Batu Caves
créditos: While You Stay Home

No topo da escadaria imponente está uma gruta acompanhada de sons indianos e cacarejar de galinhas que por lá andam. É um local acolhedor e magnífico. Os tempos hindus dão lhe cor e tornam esta gruta especial. É possível ver os rituais que os hindus realizam em homenagem aos seus deuses onde, acompanhados por música, banham inúmeras vezes as estátuas que estão a venerar. É uma pequena amostra do que se pode encontrar na Índia. Para além desta gruta, existem outras para visitar, mas pagas. Visitei uma delas que mais uma vez estava bem colorida no interior. Desta vez com muitos neons e iluminações que apontam para várias estátuas que decoram a caverna. É um sítio agradável e uma boa escapadela do calor insuportável que se faz sentir no exterior.

Como território muçulmano, tenho visto vários edifícios de estilo árabe e visitado várias mesquitas onde uma veste apropriada nos é dada à entrada. De destacar a mesquita Wilaya que foi inspirada na mesquita de Istambul. Não me parece ser um sítio muito visitado por turistas, apesar de ser linda e bem grande.

Foi a maior mesquita que visitei até hoje. Aqui, tenho uma tour gratuita feita por um voluntário na mesquita, no meu caso foi uma senhora que me acompanhou durante cerca de uma hora de visita em que me explicou muitas coisas entre as quais em que consiste a sua religião e até práticas e costumes. Foi bem interessante pois fiquei a entender muitas coisas sobre os muçulmanos que não sabia.

Uma das coisas que mais me ficou na cabeça foi o facto de existir uma fila de espera de 20 anos para visitarem Mecca. Sim, todos os muçulmanos devem uma vez na vida visitar Mecca, mas as filas de espera são de anos e anos, portanto acontece que há pessoas que apesar de estarem em lista de espera, nunca chegam a visitar o local. Aqui é de frisar que o que conta é a intenção de visitar, pois se não chegar a nossa vez a tempo, não temos culpa, o que interessa é que “Deus” sabe que tens a intenção de lá ir.

Mesquita Wilaya
créditos: While You Stay Home

Foi uma visita bem interessante para entender esta religião melhor e estar aberta a entender outros pontos de vista é algo que trago presente comigo nas minhas viagens. Afinal estou a visitar outros países bem diferentes do meu e por isso tenho de me adaptar às suas realidades.

De muitas outras coisas que se podem ver enquanto se anda nas ruas de Kuala Lumpur, vamos acabar nos cruzar com as Petronas Towers, que não me impressionam assim tanto.

Kuala Lumpur é a cidade mais organizada e limpa que visitei no Sudeste Asiático; percorrê-la não é um desafio, portanto não precisa de muito planeamento para ser visitada.

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