Itália é o destino que muitos escolhem para a sua primeira viagem. Ao lado de 'clássicos' como Paris ou Madrid, cidades como Roma, Veneza ou Milão marcam-nos. Seja pela estreia de entrar num avião, pela ansiedade de provar uma piza ou simplesmente calcorrear pelas ruas desorganizadas, tão características em Itália.

Mas agora é tempo de viajar sem bilhete, em casa, entre recordações e memórias, em conversas à mesa ou num sofá. Itália é um dos países mais fustigados pela pandemia da Covid-19. Até à data, é o segundo país com o maior número de infetados e o que tem mais mortes contabilizadas.

Aqui em casa, há sempre vontade de partir rumo a Itália. Poderíamos viajar para lá sempre que nos convidassem. É difícil dizer que "não" a um país onde a autenticidade está estampada em cada pessoa. São desorganizados e atabalhoados? Sem dúvida, mas são tão orgulhosos do que têm. Ali não se constroem atrações para os turistas, muito menos estradas propositadas e nem os restaurantes se querem adaptar às exigências atuais da era ‘Instagram’.

E os italianos? Bem, se conhecerem algum povo tão frontal e direto (por vezes rudes e secos) como eles, então façam-nos saber na caixa de comentários. “Quem quer gosta, quem não gostar pode ir para outro lado, que não queremos saber. Não vamos mexer em nada”, dizia-nos uma italiana a viver em Londres, em 2019.

Viajar é também procurar uma conexão dentro de nós, libertar-nos do que não podemos no nosso dia a dia e procurar ocupar um espaço em branco, nem que esse seja o do conhecimento/cultura, tão importante para entendermos quem somos e o que queremos ser.

Saudades de Roma... a cidade que nos acolhe através da sua imponente história, dos edifícios castanhos e da calçada desalinhada. Das paredes sujas ao lado de grandes marcos históricos e dos restaurantes que nos querem encher o estômago vazio a troco apenas de uma bebida. Não há calor como o de Roma, entardecer ao lado do Rio Tibre numa pequena esplanada perdida e nem uma dor de pés tão satisfatória como a desta cidade.

Roma é esperar o inesperado.

E então o que dizer das suas ilhas, Sicília e Sardenha?

Os amantes de praia nunca irão conhecer uma ilha tão genuína como a de Sardenha, muito afastada das histórias que nos vendem na imprensa cor de rosa, da luxúria dos iates e das roupas caras nas areias. Sardenha é tosca, sim, mas é a ilha dos apaixonados do calor, praia e sol, nada mais. Sicília tem também má fama - a da máfia siciliana - mas lá só nos sequestraram mesmo o coração. São muitas as recordações de uma vida simples, em que um copo de vinho, uma mesa a dois e uma noite quente são suficientes para nos lembrarmos que é fácil ser feliz. A praia mais bonita do mundo, na nossa opinião, está aqui. Chama-se Faraglioni Di Scopello e parece que foi desenhada pelo Deus da Praia, caso existisse algum.

Veja como Itália é bela nas imagens da galeria abaixo.

Itália é também o país imortalizado pelas estreias: foi a única viagem [Roma] a solo de um de nós e também o destino que marcou a primeira viagem de avião com a nossa filha. Escolhemos os lagos (Como e Maggiore) e as histórias são tantas que por si só teria sido uma viagem marcante, mas a verdade é que a cada mês fazemos promessas de lá voltar, seja a dois ou em pensamentos solitários. O melhor hotel de sempre das nossas férias também está neste lugar.

Poucos meses mais tarde, havíamos de voltar a Itália, com vontade de repetir - ou superar - a primeira viagem com a nossa filha. A exploração da região da Toscana foi a aventura escolhida e foi aqui que aprendemos a falhar. Sim, também se falha em viagem. Mas os erros - quando reconhecidos - são compensatórios, porque pusemos à prova a nossa paciência e testamos o limite da mais pequena. A verdade é que, por vezes, uma viagem serve para perceber daquilo que somos capazes. Foram muitas horas fechados num carro e muitas mudanças de hotéis. Ela descontente e nós esgotados. Hoje, em período de isolamento, essa sensação não é a mesma? Lembrem-se, quando isto acabar e pudermos atravessar novamente fronteiras, façam o esforço de desfrutar das viagens com os filhos e/ou pais, nunca se sabe quando é a próxima vez.

Voltámos a Roma, tem de fazer parte dos nossos planos, sempre, não conseguimos evitar. E lá fomos nós, de novo, festejar o nosso quarto aniversário de casamento. A nossa filha tinha de vir (a verdade é que a decisão inicial era bem diferente) e ainda bem que foi. Vai lembrar-se de que comeu um gelado na gelataria Giolitti ou que atirou uma moeda para a Fontana di Trevi? Claro que não... mas nós sim... e isso é o que conta. Deixem que as nossas recordações fluam através das nossas histórias e que entrem, anos mais tarde, nos ouvidos das nossas crianças. As palavras também viajam.

Pelo meio, ainda houve tempo para conhecer Veneza, cidade de muitas desilusões para uns e de muitas ilusões para nós. Fomos em momentos separados e sabemos que isso pode fazer toda a diferença numa viagem.

Contudo, apesar de tanta dedicação depositada, Itália nunca foi o país de grandes celebrações para nós. Não foi escolhida para lua de mel (Austrália) e nem foi lá o pedido de casamento (Brasil), mas temos a certeza de que não esqueceremos, nunca, da maior celebração de todas, a da vida, e para isso teremos sempre Itália.

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