Já aqui vos mostrámos o mais surpreedente (e estranho) templo da Tailândia e, erradamente, esse costuma ser colocado num oposto à Black House. Contudo, Baan Dam (Casa Preta) não é um templo mas um espaço onde: estúdio, museu e casa do artista – Thawan Duchanee – se encontram distribuídos em cerca de 40 edifícios que, apenas antes de os espreitarmos por dentro, poderão levar-nos a pensar tratar-se da arquitectura tradicional do norte da Tailândia.

Telhados laranja, vermelhos, pretos. Madeira castanha escura, trabalhada minuciosamente, adornando portas e janelas. Tectos em bico.

Carcaças de animais, chifres de búfalo que se transformam em pernas de cadeiras e  as peles dos animais servem de assento. Portas gigantes que intimidam à passagem, mas os olhos têm vontade de entrar: janelas e portas adentro, para saber mais, para ver  mais.

O mesmo pensamento vai e vem, repete-se, persiste e insiste na mesma questão: lugar de rituais? Pedras cuidadosamente pousadas em círculo, no chão: uma pele de crocodilo e em roda da mesma, cadeiras. O desejo, a morte, o sofrimento são temas recorrentes, sempre passada a mensagem de que a obra do autor representa a escuridão na humanidade.

Dificilmente agradará a todos, mas esse objectivo também parece ter estado longe da vontade do autor quando a criou. Desperta a curiosidade, rasga com qualquer possibilidade de o descrever de forma neutra, atiça interpretações múltiplas – que dirão tanto do criador das obras quanto do criador das interpretações – e só por isso valeria a pena visitá-la.

[A Mia dormiu o tempo todo, acordou mesmo quando saíamos.
Curioso, terá adivinhado o lugar?]

Este artigo foi originalmente publicado em Menina Mundo.

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