Antes de partirem para a serra, os mais de 100 animais “desfilarão” pelo centro da vila do Gerês, numa espécie de “festa de despedida” organizada por uma associação local.

“A subida do gado à serra nos meses mais quentes, à procura dos melhores pastos, é uma tradição secular que não queremos deixar morrer”, disse à Lusa Miguel Teixeira, presidente da Associação Lírios do Gerês.

Por isso, este será o 14.º ano em que a associação promove a “Subida da Vezeira”, com uma festa que começa no sábado e que tem no domingo o seu “dia grande”.

No fim de semana, e para assinalar a partida do gado, haverá festa no Gerês, que incluirá concertinas, cantares ao desafio, folclore e as tradicionais “chegas de bois”.

“Ao mesmo tempo que não deixamos morrer a tradição, estamos a alimentar o turismo, porque são muitas as pessoas que se deslocam até ao Gerês para assistir ao desfile do gado”, disse Miguel Teixeira.

De curral em curral

Os animais permanecerão na serra até meados de setembro, regressando quando as temperaturas começarem a descer. Serão guardados, à vez, pelos proprietários, advindo daí o nome de “vezeira”.

“Por cada duas cabeças de gado, o dono cumpre um dia de vigilância na serra, guardando os animais de toda a aldeia”, explicou Miguel Teixeira.

Na serra, os animais vão andar de curral em curral, subindo pela serra sempre à procura dos melhores pastos. Em cada curral, há um abrigo para o pastor, que lá cozinha à lareira, descansa e pernoita.

Denominada transumância, esta prática comunitária pretende aproveitar as pastagens que fluorescem na serra nos meses mais quentes e, desta forma, os pastores poupam dinheiro na alimentação dos animais.

Se algum animal se perder na serra ou for vítima dos ataques do lobo, os pastores que fazem parte da “vezeira” contribuem com uma determinada quantia para ressarcir o dono do prejuízo.

Fonte: Lusa

Foto: Turismo do Porto e Norte

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