Bilhete-postal enviado por Willen Moura

Estava tudo preparado para passar a minha lua-de-mel na Bolívia. Na Bolívia? Perguntam vocês. Sim, claro. Não podia deixar de ir a um país tão cheio de cultura.

Antes de ir à Bolívia - por motivos pessoais - tive que ir ao Rio de Janeiro. Fiz as contas e estava tudo financeiramente esquematizado. Estava tudo certo! Acontece, meus caros leitores, que ao chegar ao Rio deparei-me com uma situação complicada.

Acostumado a comprar passagens com antecedência, achava que não iria ter problema se comprasse a passagem Rio/Bolívia em cima da hora. Resultado? Acabei ostentando demais na cidade maravilhosa e, quando fui ver na internet os valores estavam quase quatro vezes mais caros.

Começou a bater uma aflição, mas como bom homem de família não me podia bater. Comecei a recalcular tudo e cheguei à conclusão que teria que sair de São Paulo para pegar um voo direto e mais económico. Não pensei duas vezes.

"Vou de ônibus para São Paulo e lá pego o voo". Assim fiz. Peguei o bus, fui à cidade da garoa com passagem comprada e tudo certo. Certo? Nada disso.

Cheguei a São Paulo todo feliz para embarcar as minhas malas e qual foi a minha surpresa de marinheiro de primeira viagem? Havia-me esquecido da minha carteira de identidade e estava sem passaporte. Por incrível que pareça, estava com todo o tipo de documento, até uma PID para dirigir no exterior, menos o bendito RG.

Falei com a Companhia, falei com a Polícia Federal, só faltou falar com a presidente, e nada. Resultado? Com o dinheiro, contato para a viagem (pois ostentei demais). Não hesitei. Liguei para a minha família no Nordeste, pedi que enviasse no próximo voo a minha identidade que eu ia de um jeito ou de outro.

Resultado? Quase 48 horas no aeroporto de Guarulhos. Correndo de um lado para o outro com um monte de mala. Conheci americano, japonesa comissária, "time de vôlei" sentado(isso mesmo), Mc Gui e  as suas fãs, indiano, até uns mulçumanos fizeram uma oração, conheci "caminhoneiro" que ia pegar uma carreta em outro estado, vi de tudo, “dormi” no chão do aeroporto.

Só a minha esposa é que dormiu pois eu fiquei alerta a noite toda, monitorando o voo pelo GPS que traria meu RG. Gente. A situação só começava. Quando chegaram as 6h da manhã, corri para o terminal de cargas para pegar o meu RG e, graças a Deus, estava lá.

Pensei: "resolvi os meus problemas". Que nada. Cada dia que passei no Aeroporto ficava mais cara a mudança do voo. Mesmo assim, consegui fazer tudo e comecei a aguardar o embarque tão esperado para a Bolívia. Embarquei sem muitos problemas. O avião estava lotado, muitos bolivianos e brasileiros, uma comissária “bem humorada” começou a passar um repelente aerossol no avião(exigência).

Sentei na minha poltrona com a minha esposa e comecei a pensar: vou relaxar. Bom meus amigos, o "stress" e as noites sem dormir, acho que mexeram tanto comigo que dormi um pouco, mas ao acordar já notei que tinha algo estranho comigo.

Estava como se fosse um astronauta, o meu corpo não tinha força para levantar nem um braço. Resultado, a pressão, ao que parece, baixou e comecei a passar mal. Como assim? Eu a passar mal num avião? Não hesitei. Solicitei a ajuda de um médico que estava à bordo e ele constatou o que eu sabia.

Eu estava sobrecarregado. Stressado e estafado.  Não era para menos. Bom, meus queridos, eu fui encaminhado para a frente do avião(teve o seu lado bom... risos), e obrigado a sair de cadeira de rodas (não havia necessidade) mas, quando eu menos esperei já estava no tão esperado destino.. Santa Cruz de La Sierra... Eu faria tudo de novo.

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