São Gonçalo divide com Santo António a tarefa de casamenteiro, no entanto, enquanto Santo António se encarrega de casar as jovens, a São Gonçalo cabe a tarefa de casar as mais velhas. É esta a crença popular, mas não é só por esse motivo que a igreja de São Gonçalo é local de paragem obrigatória.

A famosa defesa da Ponte de Amarante ocorreu em 1809 e foi um dos momentos mais marcantes das segundas invasões francesas. A heróica defesa da ponte, como ficou conhecido o episódio, aconteceu já após as tropas francesas terem ocupado a Igreja de São Gonçalo, mas foram impedidas de atravessar o Tâmega. Passaram-se mais de 200 anos, mas as marcas de bala de canhão e mosquete ainda perduram na fachada do edifício.

"A guerra foi muito menos danosa do que os pombos"

A fachada da igreja começou a ser restaurada em agosto de 2013, numa obra que demorou nove meses a ser concluída, levada a cabo pela Direção Regional da Cultura do Norte e comparticipada pela Câmara Municipal de Amarante, que também prestou apoio logístico.

Fachada da Igreja de São Gonçalo
créditos: Susana Sousa Ribeiro

A fachada estava a degradar-se a nível da coesão dos granitos, o que levava a que a pedra se partisse e perdesse definição das imagens representadas. Isto ocorreu devido a vários motivos, como a poluição, mas o principal deles foi a ação dos pombos. Para Ângela Melo, arquiteta responsável pelo projeto, não há dúvidas: "A guerra foi muito menos danosa do que os pombos", no que diz respeito à fachada da igreja. Apesar de toda a fachada ter sido restaurada e ter recuperado o aspecto original, foram mantidos os vestígios das balas de mosquete e de canhão que atingiram a fachada em 1809, durante a invasão das tropas francesas.

Importância religiosa de um santo que não é santo

A Igreja de São Gonçalo é o monumento mais visitado de Amarante e, além da sua importância histórica, é, como não poderia deixar de ser, um local de crenças religiosas importante, não só para o concelho, mas para todo o país.

São Gonçalo não é santo. Para a Igreja Católica é considerado beato, Beato Gonçalo de Amarante. Mas para a população é santo e a devoção por ele não é menor, seja qual for a denominação utilizada. O seu túmulo, onde se acredita estar o seu corpo sepultado, pode ser visitado na capela-mor do mosteiro.

São Gonçalo é considerado o "casamenteiro das velhas", o que parece não agradar às mais jovens que não querem esperar, e terá sido por isso que nasceu a famosa quadra popular de Amarante:

"São Gonçalo de Amarante/ Casamenteiro das Velhas/ Porque não casais as novas?/ Que mal vos fizeram elas?"

São Gonçalo divide, assim, com Santo António a tarefa de casamenteiro, sem conflitos, já que um casa as jovens e outro as mais velhas. Se Santo António não ouvir as preces das mais jovens e a idade avançar, será ao São Gonçalo que deverão recorrer.

Estátua de São Gonçalo
Estátua de São Gonçalo créditos: Susana Sousa Ribeiro

Na igreja, ainda existe a estátua de São Gonçalo, do século XVI, em que existe a famosa corda de São Gonçalo. A corda rodeia a cintura da estátua e, segundo crença popular, "as encalhadas" deveriam puxar a corda três vezes, para pedir um casamento ao santo. No entanto, de forma a preservar a estátua, esta foi colocada num local alto com a recomendação de que não se puxe a corda, uma vez que poderia colocar em risco a imagem.

São Gonçalo de Amarante está enraizado na cultura da Princesa do Tâmega, com doces peculiares com formas fálicas, com quadras picantes que não podem ser citadas neste artigo e com uma história rica de conquistas e atos heróicos importantes na construção da história de Portugal.

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