Ouro, prata, cereais e azeite foram alguns dos produtos mais frequentes no tráfego fluvial ao longo de várias civilizações. O percurso navegável era de cerca de 70km e foi utilizado durante mais de dois mil anos como principal via de transporte de pessoas e mercadorias.

No século passado o rio foi ainda fundamental para o transporte de minério das Minas de S. Domingos. O Guadiana assegurava a mobilidade na zona ribeirinha porque não havia estrada.

Nas memórias de Célia Domingues, a guia do Museu do Rio, há alguns anos muita gente ainda utilizava o barco para se deslocar a Alcoutim ou Vila Real de Santo António, o carteiro chegava de barco e até os funerais eram feitos com o percurso no Guadiana.

Hoje o Guadiana só é navegável até ao Pomarão e muitos dos barcos são de turismo. Veleiros que ficam semanas no rio a aguardar boas condições atmosféricas para fazerem a travessia do Atlântico.

Museu do Rio Guadiana
créditos: Who Trips

As embarcações tradicionais de madeira restam poucas e de algumas há apenas réplicas no Museu do Rio.

Há mais de 20 réplicas de barcos que navegaram o Guadiana desde os anos 60 do século passado até aos dias de hoje e são obra de José Murta Pereira.

Nasceu em Guerreiros do Rio e, conforme fazia o levantamento dos barcos tradicionais do Baixo Guadiana, produzia também em madeira as réplicas.

Guerreiros do Rio
Réplica de uma embarcação do Guadiana créditos: Who Trips

Ofereceu as peças ao Museu que está na sua terra natal. O acervo contém ainda objectos de arte de pesca doados pelos pescadores.

Nesta região do Guadiana praticava-se uma técnica de pesca única em Portugal. Era a pesca com barco à colher. Uma rede era colocada junto à ré da embarcação que se deslocava em direção à margem do rio. Esta arte de pesca está extinta e a pesca é apenas para consumo doméstico.

Com o contributo da Universidade do Algarve há um estudo aprofundado da pesca no Baixo Guadiana.

Os materiais multimédia no Museu ajudam a fazer o enquadramento do rio na vida das pessoas, mesmo às escondidas, como era o caso do contrabando.

Guerreiros do Rio
Rua de Guerreiros do Rio créditos: Who Trips

O Museu do Rio está numa antiga escola primária mesmo à beira do Guadiana. Famílias pobres e com muitos filhos construíram a escola e solicitaram uma professora permanente. No entanto, alguns anos depois, com a desertificação, a escola fechou e andou por várias mãos até que a Câmara de Alcoutim desenvolveu este projecto museológico.

Guerreiros do Rio
Cais em Guerreiros do Rio créditos: Who Trips

Na verdade, parece mais um museu vivo porque das janelas e da porta podemos ver a água a correr, alguns barcos juntos ao cais, a lancha da polícia a subir e, em terra, pequenas casotas de madeira onde se guardavam os instrumentos de pesca.

Apesar de haver uma estrada para Vila Real de Santo António, há quem prefira ir de barco. Em sentido contrário sucede o mesmo com Alcoutim que fica a 8km.

Guerreiros do Rio
Casotas de madeira para arrumos créditos: Who Trips

Do outro lado do Guadiana é Espanha e quase toda a encosta da serra é verde. Há apenas uma pequena casa em ruínas, do género das que eram utilizadas pelos carabineros como posto de vigia.

Guerreiros do Rio
O Museu do Rio créditos: Who Trips

As encostas das serras estão arborizadas essencialmente por pinheiros, oliveiras, figueiras e vinha. A fauna do Guadiana é marcada por espécies difíceis de encontrar em outros rios. É o caso do Saramugo.

Após a construção de várias barragens o Guadiana foi “domado”. Dificilmente se repetirão as cheias de 1876 quando as águas subiram até meio de Alcoutim.

As memórias da “auto-estrada” no Museu do Guadiana faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e pode ouvir aqui.

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