Esta explosão de diversidade e riqueza cultural e tecnológica, mesmo à porta de Lisboa, vão deixar-te com a sensação de que foste conhecer outro país, sem teres saído de Portugal. Que o diga a Marta Cunha Grilo, membro da Associação Gap Year Portugal e que chama casa à vila de Oeiras.

Sabes quem foi Sebastião José de Carvalho e Melo? Principal responsável pela reconstrução da baixa lisboeta, reformista e precursor do Iluminismo em Portugal, foi o 1º Conde de Oeiras, ainda antes de o conhecermos como Marquês de Pombal. Ao receber o Morgadio de Oeiras e a Quinta do Recreio numa herança familiar, transformou-os naquilo que hoje é conhecido como o Palácio Marquês de Pombal, destinado, em simultâneo, ao lazer e à produção vinícola. Merecedor de uma visita, o Palácio conta-nos a história da família Carvalho e leva-nos numa viagem no tempo através dos seus azulejos da época pombalina. Os seus jardins ajudam a compor o ramalhete, pelos seus elementos cénicos. Se fores amante de literatura, vais apaixonar-te na hora pela Cascata dos Poetas, na qual encontrarás os bustos de Homero, Virgílio, Tasso e Camões, mesmo junto à adega. Se não fores, será de igual modo um passeio num cenário idílico, recheado de outros pontos a visitar, como a Fonte das Quatro Estações e o Jardim das Merendas.

E é na adega que reside parte da história e do nome da vila. Diz-nos a Marta que não podes deixar de provar o vinho de Carcavelos, se possível, e nós acreditamos. Conhecido atualmente com o nome Villa Oeiras, continua a produzir brancos e tintos fortificados de alta qualidade, tendo o Villa Oeiras Superior obtido recentemente 94 pontos por uma das publicações mais conceituadas de vinho do mundo, a Wine Enthusiast. Prova e conta-nos tudo, mas não em demasia. Queremos que desfrutes em pleno do resto dos teus dias por Oeiras.

Sabemos que com o Estado de Emergência em vigor, pelo menos, nas próximas duas semanas, com a pandemia numa segunda vaga e com destino ainda incerto, que as visitas a alguns locais históricos foram encerradas ao público, o que não ajudará na tua experiência e na de outros visitantes. O Palácio Marquês de Pombal sofre com isso, mas manteve os seus jardins de portas abertas. Tenta só ajustar os teus horários aos das medidas em vigor, mas não percas nem mais um minuto. Caso ainda não estejas convencido, espreita aqui a visita virtual que foi disponibilizada pelo Município, para te inspirares a ir.

Saindo de território pombalino, continuam as suas influências, quanto mais não seja na hora de dar nome aos restaurantes. O Pombalino, no centro histórico da vila, traz-te comida tradicional portuguesa e uma carta de peixe variada, ou não estivéssemos numa vila ladeada pelo estuário do rio Tejo, entrando já mar adentro. Outra marisqueira de abrir o apetite é A Tendinha e se fores adepto de cozinha sazonal, biológica, assente no conceito farm-to-table, não percas o Temperatura. Para os fãs de comida asiática e de fusão, existe sempre o Mensa. Ambos nas imediações dos jardins do Palácio. Como vês, tens muito por onde escolher, sendo a oferta adaptada a qualquer gosto, carteira e tipo de gap year.

Sendo a manhã (ou primeiro dia, dependendo do tempo que tiveres e quiseres gastar em cada um dos sítios) repleta de passado, a tarde pode (e deve!) ser direcionada para o futuro. Fazer um gap year tem como objetivo enriquecer-te das ferramentas necessárias para um futuro mais esclarecedor e para tomadas de decisões sobre ti mais certeiras. É, sem dúvida, um investimento no futuro. Foi também com essa visão que nasceu o projeto Oeiras Valley (qualquer semelhança com Silicon Valley não é pura coincidência), que pretende transformar o concelho num ecossistema de inovação e de empreendedorismo, através da captação de novas empresas e de ciência. Com polos empresariais como o Tagus Park (onde se situa um dos polos de uma das mais conceituadas faculdades de engenharia portuguesas, o Instituto Superior Técnico) e o Lagoas Park, Oeiras quer ser reconhecida como a casa do futuro da ciência e da tecnologia europeias. Informa-te, explora um bocadinho este ecossistema de inovação e desenvolvimento e quem sabe não sairás mais esclarecido pelo exemplo.

Ter uma experiência fora da caixa também é parte fundamental de um gap year, quanto mais não seja para escaparmos um pouco à nossa rotina. E Oeiras pode ajudar-te nisso. A Marta partilhou connosco um projeto muito interessante, o ÓMAIS, que pretende dar a conhecer a arte de andar de skate a qualquer pessoa, sem limites de idade. Fundado por dois amigos skaters, o ÓMAIS é um movimento que vem ajudar a superar obstáculos, a trabalhar a resiliência que por vezes se encontra adormecida em nós e a libertar-nos de preconceitos, tudo isto sobre rodas. Apropriado para um gap year, não concordas?

Há muito por fazer e descobrir nesta pequena vila e neste imenso concelho, mas gostávamos de terminar com uma voltinha pelo Passeio Marítimo de Oeiras, ou paredão para os locais, que começa junto à praia de Paço d’Arcos e termina junto à Praia da Torre. O indicado é que faças o percurso a pé, para usufruíres da sensação de estares entre terra e mar, já que as bicicletas estão proibidas. No entanto, podes sempre arriscar e pôr em prática o que aprendeste na ÓMAIS e levares a tábua contigo.

Acompanha todos os destinos por onde já andamos e os próximos aqui no SAPO Viagens, segue-nos nas redes sociais da Gap Year Portugal (Instagram, Facebook e LinkedIn), e envia-nos as tuas ideias e sugestões. Queremos saber como e por onde andam esses gap years em casa.

 Texto por: Joana Firmino Ribeiro

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