A Ericeira é mar, os seus pescadores, o surf, os surfistas da casa e os surfistas do mundo, os seus ouriços (os doces e os outros, os que têm um festival próprio) e tem cheiro a peixe grelhado, a água salgada e a protetor solar na pele. Mas não é só isso. A Ericeira ensina-nos a esperar, a levar a vida devagar, sem pressas, começando logo pelo início do dia, quando o tempo também demora a abrir, deixando-se ficar um bocadinho mais na cama até às 11 da manhã. Ensina-nos também a aceitar realidades diferentes da nossa, ao ser ponto de encontro de comunidades e pessoas muito diferentes e que esquecem tudo o que as separa ao primeiro sorriso ou ao primeiro mergulho.

Gap Year Portugal: razões para passares pela Ericeira durante este período de novas experiências e aprendizagens
Vila Ericeira créditos: João Machado

Passares pela Ericeira durante o teu gap year é meio caminho andado para te enturmares com a vida efervescente da vila, sempre a descer até ao mar. Aqui vais ficar a conhecer a segunda Reserva Mundial de Surf do mundo (classificação que obteve em 2011), entre as praias da Empa e de São Lourenço, nas quais é habitual ver carrinhas com pranchas de surf pousadas em cima ou ao lado, fatos para a prática pendurados, ou mesmo aventureiros surfistas prontos a entrarem para o mar, e assim ficares com uma visão diferente da faixa costeira. E nada melhor do que também tu experimentares esta arte, recorrendo a uma das muitas escolas que por cá existem. O desporto liberta o corpo e a mente e pode ser bastante proveitoso ao teu gap year. Nada como o corpo relaxado e a mente tranquila depois da prática de atividade física para permitir uma reflexão mais ponderada sobre os próximos passos a dar no futuro. Qualquer que seja a decisão a tomar.

Despido o fato de surf, chegou a hora de conheceres a vila pelo estômago e pelos seus edifícios em tons de azul e branco. Da Ermida de São Sebastião ao paredão da Praia dos Pescadores, delicia-te com as janelas abertas para a rua, com a roupa estendida para o passeio e com as mulheres dos pescadores que te cumprimentam à janela. Lá pelo meio e bem pertinho da Praia do Algodio, entra pela porta da pastelaria O Pãozinho das Marias, que já ganhou o prémio de detentor de “O Melhor Pastel de Nata da Região de Lisboa”, e delicia-te. Mas prepara-te porque não vais querer ficar por aqui – para além dos pastéis de nata, do peixe diretamente do mar para a lota e da lota para a grelha, encontras também os famosos ouriços, quer sejam eles de mar ou de “terra”. Conhecidos como o caviar jagoz (nome pelo qual são conhecidos os naturais da Ericeira), os ouriços-do-mar são a iguaria tradicional da vila que dizem ter-lhe dado o nome (de Ouriceira para Ericeira é só um pulinho, não achas?) e que todos os anos são celebrados num festival gastronómico para todos os gostos. Fica a dica para quem se atrever pelo nevoeiro cerrado de finais de março e princípio de abril. De preferência, agasalhados, mas de chinelos nos pés – um clássico!

Gap Year Portugal: razões para passares pela Ericeira durante este período de novas experiências e aprendizagens
Ericeira créditos: João Machado

Para os mais doceiros e que dispensaram o pastel de nata anteriormente (ou não), os famosos ouriços materializam-se também num doce típico da vila, que se derretem na boca e que são a companhia perfeita para um café, mas sem açúcar. Recomendamos a Casa da Fernanda no topo da Praia dos Pescadores, que já fazia fila antes da pandemia. Imaginem agora! De barriga cheia, não te percas antes de chegares ao Jogo da Bola, uma das praças mais conhecidas da Ericeira onde o comércio local é rei e o movimento é uma constante. Senta-te num dos seus bancos e contempla a diversidade que a Ericeira tem para oferecer. Convidamos-te a tentar identificar todas as línguas que por ali são faladas, antes de te meteres a caminho em direção à Praia do Sul, campeã de fotografias da zona.

Por falar em línguas e relembrando os tons de azul que nos vão absorvendo pelo caminho, não podemos deixar de fazer referência ao bom trabalho que a SPEAK tem feito pela Ericeira, proporcionando a integração de migrantes e refugiados através de grupos de línguas (onde por força da simplicidade de uma partilha, todos ensinam todos, desde uma nova língua a elementos culturais do país em questão) e de eventos na comunidade. E tu podes juntar-te a eles, ou não fosse um gap year também um momento de aprendizagem, nossa e dos outros.  Não era nada mal pensado um gap year de entreajuda, onde ganhas novas competências que podem vir a ser postas à prova num futuro próximo, onde te cruzas com realidades que te trazem mundo e onde ainda podes dar um mergulho ou respirar a maresia ao final do dia. Uma receita imperdível, não concordas?

Gap Year Portugal: razões para passares pela Ericeira durante este período de novas experiências e aprendizagens
Ericeira créditos: João Machado

Pela Gap Year Portugal, já estamos roídos de inveja e ainda não te puseste a caminho. Mas queremos saber de tudo mal o faças. A tua história é a nossa história, e essa viagem de reflexão, procura e pausa faz o nosso dia.

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Joana Firmino Ribeiro

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