As centenas de figuras são maravilhosas, transmitem alegria, simplicidade, cor… Refletem com amor (e às vezes com humor) os ofícios e tradições que marcaram por centenas de anos o quotidiano das gentes alentejanas.

Consta que esta arte popular tem mais de dois séculos, já que as primeiras referências ao figurado de Estremoz surgem no séc. XVIII, mais concretamente num documento de 1770, que menciona as “boniqueiras” — mulheres que faziam curiosidades e figuras de barro e que tinham um trabalho não reconhecido enquanto ofício.

Boneco de Estremoz: a encantadora arte popular alentejana com mais de dois séculos
créditos: Travellight

Supõe-se que uma mulher habituada a lidar com o barro, numa terra onde o barro era abundante, se terá atrevido a modelar pela primeira vez um santinho da sua devoção e daqui terá nascido a tradição, que rapidamente se espalhou pelo povo por facilitar a quem tinha poucos recursos e vivia com dificuldades, adquirir a imagem do seu santo preferido.

Dos santinhos passou-se às cenas de natividade. Os Presépios que o povo observava nos Conventos e casas abastadas depressa foram adaptados pelas bonequeiras. Assim, na cena envolvente à da Sagrada Família nasceu todo um novo mundo: acrescentou-se os Reis Magos, e um vasto reportório de figuras populares, como o “pastor a comer”, o “pastor a dormir”, a “mulher das galinhas”, o “pastor com o cabrito às costas”, entre outros. Hoje estas figuras “sobrevivem” fora do Presépio.

Supõe-se que uma mulher habituada a lidar com o barro, numa terra onde o barro era abundante, se terá atrevido a modelar pela primeira vez um santinho da sua devoção e daqui terá nascido a tradição, que rapidamente se espalhou pelo povo por facilitar a quem tinha poucos recursos e vivia com dificuldades, adquirir a imagem do seu santo preferido.
créditos: Travellight

No princípio do séc. XX, os homens começam a “intrometer-se” na arte e a fazer também eles os bonecos, mas depois passou-se por um período de decadência em que a arte quase desapareceu.

Felizmente, em 1935, José Maria Sá Lemos, Diretor da Escola Industrial de Estremoz, convenceu a artesã Ti Ana das Peles, que apenas sabia modelar “assobios”, a ensinar o que sabia da arte e a participar no processo de “ressuscitar” as figuras que já ninguém modelava desde a década passada. Sorte nossa, porque foi este encontro de saberes que salvou esta arte tradicional que agora todos podemos apreciar.

O Centro Interpretativo, além de nos contar a história dos Bonecos de Estremoz e explicar o seu processo de criação, coloca o foco não apenas no passado, mas no seu presente e no seu futuro, com uma exposição idealizada para ser dinâmica nos conteúdos e na apresentação do figurado, dando destaque aos criadores desta arte, que no fundo são os grandes protagonistas desta tradição. Vale muito a pena visitar!

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Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World

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