Imagem: Susanaaraujo | Dreamstime.com

O Côa é um afluente do rio Douro que ao longo de milhares de anos foi, nos seus últimos quilómetros, rasgando caminho por entre as rochas, desenhando aquele que é hoje conhecido como o Vale do Côa. Esta paisagem multimilenar é também um santuário de Arte Rupestre legado pelos homens do paleolítico que ali desenharam milhares de gravuras que hoje, não só são Património Mundial da Humanidade, mas constituem também o mais importante conjunto de figurações paleolíticas de ar livre, conhecido em todo o mundo.

Atualmente, já foram identificadas mais de mil gravuras rupestres em mais de 70 sítios localizados neste vale. Com o predomínio de gravuras do paleolítico, há ainda figurações da Idade do Ferro, época histórica e pré-história recente. As representações são várias, mas destacam-se as gravuras onde se podem observar auroques, cavalos, cabras e veados. Para preservar, estudar e divulgar este amplo património, foi criado em 1996 o Parque Arqueológico do Vale do Côa.

Desde então que o Parque promove visitas destinadas ao público geral, orientadas por guias com formação especializada em arte rupestre. Só assim é possível ao público apreciar as gravuras paleolíticas, que não só são difíceis de ver, como de interpretar. Em pequenos grupos (máximo de 8 pessoas) o visitante é transportado numa viatura todo-o-terreno até um dos três principais sítios com arte rupestre existentes no Parque - Canada do Inferno, Penascosa e Ribeira de Piscos. Depois, a visita que permite ver as figuras gravadas em diversas rochas, faz-se a pé, seguindo os passos dos nossos antepassados.

GRAVURAS RUPESTRES
Gravuras rupestres créditos: Lusa

A visita ao sítio arqueológico da Penascosa tem como ponto de partida a aldeia de Castelo Melhor, onde também vale a pena visitar as ruínas do antigo castelo medieval que deu o nome ao povoado, que em 1209 recebeu do rei de Leão o seu primeiro foral, tendo passado para a posse definitiva de Portugal em 1297. Já a visita ao sítio de arte rupestre de Ribeira de Piscos começa em Muxagata, onde é possível visitar a Quinta Ervamoira, pertencente à conhecida produtora de vinho do Porto, Casa Ramos Pinto. Ervamoira foi a primeira quinta vinhateira a usufruir do título de Património da Humanidade e, por esse motivo, investiu num museu de sítio, que inclui uma exposição sobre a estação arqueológica romana e medieval da quinta.

O Parque arqueológico permite também usufruir de visitas noturnas, temáticas e até uma oficina de arqueologia experimental. Visitar um dos três locais acessíveis ao público, é uma experiência imersiva, num ambiente único de uma beleza arrebatadora e, embora o Parque seja o verdadeiro museu, um roteiro que se preze não deve deixar de fora uma visita ao Museu do Côa. Aberto desde Julho de 2010, este espaço museológico sintetiza o longo ciclo da Arte rupestre do Vale do Côa, através de coleções originais constituídas por peças de arte móvel paleolítica recuperadas em contexto de escavação e artefactos arqueológicos descobertos na área do Parque.

Não fossem estes motivos de sobra para visitar a região e ainda lhe damos mais um – durante os meses de Fevereiro e Março ocorre a floração das amendoeiras, uma árvore que abunda nas encostas montanhosas do Vale do Côa. Durante poucas semanas a paisagem transforma-se num prenúncio de Primavera nas terras quentes do Alto-Douro

É junto à foz do rio Côa, onde este desagua no Douro, que se encontra, como o nome deixa antever, Vila Nova de Foz Côa, a “Capital da Amendoeira”. Este concelho duriense apresenta a maior densidade de amendoeiras existente no país e em todas as suas 14 freguesias é possível contemplar a floração destas árvores - um espetáculo com que a Mãe Natureza nos brinda apenas uma vez por ano.

Com a Natureza em festa, todo o concelho se movimenta e de 23 de Fevereiro a 11 de Março realiza-se a “37ª Festa da Amendoeira em Flor e dos patrimónios mundiais”. A Música, a cultura, as tradições, os vinhos e a gastronomia da região estão em destaque, num programa recheado de iniciativas que visam divulgar e promover as duas grandes riquezas do concelho - a amêndoa e o Património Mundial da Humanidade.

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