O nevoeiro na estação de Santa Apolónia, em Lisboa, chegou a fazer recear o pior, mas o Comboio Vintage do Tejo, a mais recente oferta de lazer da CP, rapidamente furou a cortina branca e deu a apreciar, de janelas abertas, as paisagens do Tejo.

Sem cortinas, nem o vidro fosco do Intercidades, foi possível abrir a "capota" para o Tejo, como se ouviu a bordo, graças às janelas "panorâmicas" das carruagens Schindler, que se podem baixar quase totalmente. A CP aproveitou a realização de uma excursão privada no dia anterior e antecipou, num domingo de abril, o seu teste comercial das carruagens históricas em parte da linha da Beira Baixa.

A excursão era "experimental", mas o sentimento a bordo oscilava mais no sentido inaugural. À passagem pelo Castelo de Almourol, já não era só o material circulante que fazia lembrar o popular Miradouro (o comboio histórico da Linha do Douro). No interior, quase todos se levantavam dos seus lugares para encher a vista, pelas janelas a sul, do solitário castelo à beira da água. Pouco a seguir, novo levantamento, desta vez para as janelas a norte, para uma melhor vista do mais elevado, e circunspecto, Castelo de Belver.

Mais à frente, depois de duas horas de uma paisagem praticamente indistinguível do Alto Douro (sem vinhas em socalco, é certo, mas onde nem as aves de rapina faltaram), o grande momento pelo qual todos esperavam: a passagem pelo Monumento Natural das Portas de Ródão.

A enorme escala das duas "portas" de pedra, com o Tejo a passar pelo meio, lembra cenários da fantasia cinematográfica, que a CP se encarregou de enfatizar num ralenti que não passou despercebido ("o Intercidades não faz isto!", exclamou um passageiro). O comboio, qual câmara montada nos carris, aproximou-se lentamente do geomonumento, num movimento operado a partir da cadeira de "realizador" na locomotiva, até atravessar um túnel na margem norte do rio.

Alguns dos destaques fotográficos desta viagem em "descapotável" junto ao Tejo.

Passando Vila Velha de Ródão, a linha separa-se do curso do Tejo e deixa entrever o horizonte acidentado da Beira Baixa até Castelo Branco, onde o nosso comboio chegou, por volta das 12h, ao som de um grupo de dança e música local. O programa da CP incluía descontos para explorar os principais museus e pontos de interesse da cidade, antes do regresso a Lisboa às 16h.

Um comboio experimental, sem falta de nomes propostos

Ainda não há datas anunciadas para mais edições do Comboio Vintage do Tejo, mas a sua realização futura parece depender mais da disponibilidade do material circulante (as carruagens usadas são precisas na Linha do Douro) do que da demonstração de interesse por parte do público. Até já circulam nas redes sociais sugestões para o nome do novo comboio histórico: MiraTejo e BeiraTejo.

A avaliar pelas reações a bordo, e pelos testemunhos fotográficos de quem esperou horas para ver o comboio atravessar o vale do Tejo (enviem-nos as vossas fotografias, se as quiserem ver aqui, para sapo.viagens@sapo.pt), a "experiência Schindler" foi acolhida com entusiasmo. Vai ser difícil baixar esta "capota".

*O SAPO Viagens viajou a bordo a convite da CP.

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