
Situa-se também nas Flores, mais concretamente no Ilhéu de Monchique, o ponto mais ocidental do continente europeu. Esta ilha faz ainda parte das Reservas da Biosfera da UNESCO, consideradas ecossistemas fundamentais para a promoção da biodiversidade, devido ao seu património natural.
Não há voos diretos de Portugal continental para as Flores, mas é possível apanhar um voo de ligação nas ilhas de São Miguel, Terceira, Faial ou Corvo. Por isso é uma excelente opção combinar as Flores com a visita a outras ilhas dos Açores. Foi precisamente o que fiz no verão passado, e aproveitei para passar algum tempo adicional em São Miguel e na Terceira.
A melhor forma de conhecer a ilha é de carro. Por isso, recomendo alugar uma viatura e levantá-la na chegada às Flores. Apesar de ser uma ilha pequena, tem muito para oferecer aos visitantes, pelo que vale a pena dedicar-lhe pelo menos uns três ou quatro dias.
Se tiverem tempo, aproveitem para fazer uma viagem de barco (ou de avião) de um dia ao Corvo, a ilha mais pequena dos Açores também pertencente ao Grupo Ocidental. O Corvo é bastante conhecido pela beleza das paisagens e pelo facto de ser um sítio excelente para a observação de várias espécies de aves.
Nas Flores, fiquei alojada na zona da Fajã Grande, que é perto de muitas das principais atrações naturais da ilha. Não há muitas opções de alojamento disponíveis, pelo que convém fazer a reserva com muita antecedência. O mesmo se aplica ao aluguer de carro ou à reserva de tours.
As Flores são um destino que se pode perfeitamente visitar todo o ano, mas os meses entre junho e setembro são excelentes para explorar a ilha, já que o tempo habitualmente está bastante bom nesta época. Fui em julho e não me arrependi. Apanhei temperaturas na ordem dos vinte e muitos graus, com dias longos e quentes que até me permitiram fazer algumas horas de praia nas piscinas naturais da ilha. Esta é também a melhor altura do ano para ver as típicas hortênsias que cobrem os Açores de tonalidades de azul, branco e lilás.
Partilho convosco alguns dos sítios que considero imperdíveis na Ilha das Flores.
Poço da Ribeira do Ferreiro

O Poço da Ribeira do Ferreiro é provavelmente o sítio mais icónico e conhecido da Ilha das Flores. Na verdade, apaixonei-me por esta ilha muito antes de a visitar, quando vi pela primeira vez imagens deste local.
Imaginem um lago mágico rodeado por um penhasco com inúmeras quedas de água que se precipitam na vegetação verde e exuberante, rodeadas por uma névoa ténue. É um cenário que parece saído do nosso imaginário, mas é bem real e está à distância de uma viagem à Ilha das Flores.
Também conhecido como Poço da Alagoinha, este é o principal cartão postal da ilha e é uma visita obrigatória nas Flores. Localizado perto da Fajã Grande na costa ocidental, para lá chegar é necessário caminhar aproximadamente 20 minutos através de um trilho na floresta. O trilho não é muito difícil, mas uma grande parte é em pedra, pelo que se pode tornar escorregadio quando chove, por isso levem calçado adequado como ténis ou botas de caminhada.
Poço do Bacalhau

Também na área da Fajã Grande, outra localização idílica a não perder nas Flores é o Poço do Bacalhau, uma cascata impressionante com 90 metros de altura que cai sobre uma piscina natural, perfeita para nos refrescarmos do calor do verão. Toda a área circundante caracteriza-se pela beleza natural da paisagem.
É muito fácil chegar ao Poço do Bacalhau através de um trilho bem conservado e de um passadiço. No caminho para a cascata, encontram-se algumas casas típicas em pedra e um moinho.
Vila da Fajã Grande e piscinas naturais
A Fajã Grande é uma das minhas áreas favoritas nas Flores. Não apenas porque é muito próxima de algumas das principais atrações naturais da ilha como o Poço do Bacalhau ou o Poço da Ribeira do Ferreiro, mas também porque é uma vila costeira pequena e autêntica com vistas fantásticas sobre o mar dos Açores.
Aconselho percorrer a marginal e acabar a caminhada nas piscinas naturais. Ao final do dia, a Fajã Grande tem alguns dos pores do sol mais bonitos da ilha.

Miradouro do Portal
Para quem, como eu, adora miradouros, as Flores é o destino perfeito para visitar. Um dos mais espetaculares é o Miradouro do Portal, de onde se pode ver o oceano Atlântico, a área da Fajã Grande e as montanhas onde está localizado o Poço da Ribeira do Ferreiro.

Rocha dos Bordões
Este é um monumento geológico que tem mais de 500 mil anos de história, com colunas de cerca de 20 metros de altura. Infelizmente, não o consegui ver, porque quando passei naquela área da ilha, um denso nevoeiro impedia a vista da Rocha dos Bordões. Ainda assim destaco-o, pois vi fotos e é realmente impressionante.
Lagoa Comprida e Lagoa Negra

Outro sítio obrigatório nas Flores é o miradouro da Lagoa Comprida e da Lagoa Negra, duas das sete lagoas situadas no coração da ilha. Estas lagoas têm a sua origem em crateras vulcânicas formadas pelas erupções que deram origem às Flores.
A Lagoa Comprida e a Lagoa Negra situam-se lado a lado, separadas por uma colina com vegetação densa. Uma curiosidade interessante é o facto da Lagoa Comprida ser, de facto, a mais escura de ambas.
Miradouro da Caldeira Rasa e Funda
Também no centro da ilha, vale a pena parar no Miradouro da Caldeira Rasa e Funda, outras duas lagoas de origem vulcânica. No dia em que visitei este local, o horizonte estava coberto por uma névoa que dava uma atmosfera quase mística à paisagem. Parei o carro numa estrada deserta para ver o espetáculo natural do nevoeiro a cobrir a lagoa. Quando o sol finalmente irrompeu, criou um efeito de luzes verdes na água, como auroras boreais em forma líquida. Simplesmente espetacular!

Estrada Regional 2
A Estrada Regional 2 (ER2) atravessa a ilha de este para oeste, e cruzá-la é uma das atividades a não perder nas Flores. Conduzir de uma ponta à outra da ER2 demora mais ou menos meia hora, mas ao longo desta jornada encontrarão inúmeros miradouros, paisagens naturais fantásticas e as saídas que levam a alguns dos pontos que mencionei anteriormente. Se a percorrerem no verão, terão o bónus adicional de ver a estrada repleta de hortênsias.
Fajã de Lopo Vaz
No sul da ilha, ao pé das Lajes das Flores, a Fajã de Lopo Vaz é outro reconhecido miradouro sobre o mar. Desta localização inicia-se um trilho de aproximadamente três quilómetros (ida e volta) até uma praia de areia negra.
Este ponto é ainda caracterizado por uma curiosidade histórica: foi um dos primeiros lugares na ilha a ser habitado e o nome Lopo Vaz deriva de um dos primeiros habitantes das Flores.
Santa Cruz das Flores

Santa Cruz das Flores é a capital da ilha e provavelmente o ponto de partida para qualquer viagem às Flores, uma vez que o aeroporto regional está aí localizado. Vale a pena passar algum tempo a percorrer as ruas da cidade, ou parar num dos restaurantes típicos e apreciar a famosa gastronomia dos Açores.
Não deixem de visitar o Museu das Flores, o Miradouro da Fajã do Conde e, nas imediações, a Gruta dos Enxaréus, uma formação geológica singular situada no promontório da Ponta da Caveira. No verão, recomendo parar nas piscinas naturais e aproveitar para fazer algumas horas de praia.
Costa Oriental
Percorrer de carro a costa oriental da ilha que vai de Santa Cruz das Flores até Ponta Delgada para admirar as vistas do mar enquadradas por milhares de hortênsias é outra experiência a não perder na ilha.
No caminho, encontrarão o gado bovino típico do arquipélago a pastar tranquilamente nos verdejantes prados açorianos. Ao longo desta estrada, situam-se mais alguns miradouros, como o Miradouro das Pedrinhas ou o Miradouro do Ilhéu Furado.
Ponta Delgada
Sendo a vila mais a norte das Flores, Ponta Delgada apresenta também algumas localizações particularmente cénicas como a Baía do Além ou o Farol de Albernaz.
Para mais inspiração de viagens aos Açores e a outros destinos, podem visitar o blogue de viagens The Travel in Pink.
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