O Fábio é um videógrafo da Figueira da Foz apaixonado por motociclismo que está a ganhar seguidores no Youtube e Instagram pela forma carismática e descontraída como narra as suas aventuras de moto por Portugal e não só. Este verão, a sua espontaneidade levou-o até à Albânia numa viagem de moto a solo sem planos fechados nem reservas. Quisemos saber mais sobre como o fez e o que o motiva a viajar ao sabor do acaso.

Pelo teu Instagram fica óbvio que tens uma paixão por viagens e motos. Podes dar algum contexto a esta "eurotrip" que fizeste em junho? Foi a primeira do género? Quantos países visitaste? E como surgiu a ideia?

Fábio Grasina: O gosto pelas motos já vem de há muitos anos. Lembro-me de ter uns 5/6 anos e andar com o meu pai, como não tinha altura e idade para andar atrás normalmente andava entre ele e o depósito. Fui crescendo e mantive-me distante das motos, a minha mãe nunca me deixou tirar a carta nem a licença de 50cc aos 14 anos. Quando fiz os 18 anos, inscrevi-me na escola de condução e foi me sugerido tirar a carta de moto e de carro ao mesmo tempo. Aceitei e foi a melhor decisão que tomei! Desde então que sempre tive motos. Tenho 27 agora e já quase uma década a viver aventuras nas duas rodas.

Até 2021, sempre tive estilos de motos que não me permitiam viajar muito, tinha o prazer e liberdade de andar nas duas rodas mas nunca a verdadeira aventura de uma viagem. Em junho de 2022, com a Honda NC750X, embarquei na primeira viagem pela Europa, onde visitei 6 países (Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha e Luxemburgo). Já tinha viajado de avião mas de moto é completamente diferente. Não foi um mar de rosas, inclusive fiquei doente durante essa viagem, apanhei dois dias de chuva torrencial em França e acabou por ser impactante estar longe de tudo e todos, sozinho, com um veículo próprio pois sabia que tinha sempre uma viagem de 2500km de volta a casa.

No entanto e apesar das adversidades, essa viagem marcou-me muito e sempre foi motivo de conversa entre amigos e seguidores.

Em junho 2023, não sabia o que fazer nas minhas férias, se viajava por Portugal ou ia outra vez para fora… a oito dias do inicio das férias escolhi um país aleatoriamente do mapa e meti uma história no Instagram a anunciar a viagem. Acabei por ser contactado por várias marcas, inclusive um importador de motos com que já tinha trabalhado no passado (CFMOTO) que acabaram por me ceder o topo de gama deles para fazer essa viagem (CFMOTO 800MT).

Visitei nove países (Espanha, Itália, Croácia, Montenegro, Albânia, Eslóvenia, Áustria, Mónaco e França) e percorri 6290km durante os 15 dias de férias.

Montenegro
O Fábio elege Montenegro como um dos países que mais gostou de percorrer na sua moto este verão créditos: Fábio Grasina

A quem espreitar as stories da viagem, salta à vista a falta de planeamento. Não sabias onde irias dormir em alguns dias. Como foi isso? Abraçaste o acaso ou tinhas sempre um plano B?

Nestes dois anos, habituei-me a viajar muito dentro de fronteiras. Ou seja já tenho tudo esquematizado do que vou precisar para o campismo, cozinhar, etc. E o equipamento que levo tanto dá para um fim de semana como para seis meses pois levo apenas três mudas de roupa e a cada 3/4 dias tenho de a lavar. Portanto, o único planeamento da viagem foram os ferries. Embarquei de Barcelona para Roma e posteriormente de Ancona (Itália) para Split (Croácia). Depois disso a viagem foi sempre improvisada, nunca sabia onde ia dormir nem quantos quilómetros ia fazer por dia… tinha muitos pontos turísticos gravados no Google Maps dos países onde ia passar e escolhia o que visitar consoante a “vibe” do dia. O facto de ter uma moto com acesso a energia (tomadas, usb), uma tenda e material de cozinha deixava-me sempre tranquilo porque acontecesse o que fosse era só montar a barraca em qualquer lado, como aconteceu logo no primeiro dia em Zamora, onde não havia parques de campismo e acabei por montar a tenda num estacionamento de carros e caravanas.

És o tipo de pessoa que está habituado a "confiar no destino", por assim dizer, ou foi algo que te quiseste desafiar nesta viagem?

Confio quase sempre no destino. Já fiz viagens planeadas ao milímetro, mas regra geral considero que sou uma pessoa muito espontânea. A minha mãe até brinca com a situação, porque normalmente não lhe digo que vou viajar e ela só sabe quando eu já estou nos locais e então ela costuma dizer “Ele liga-me e diz-me que está em Sevilha ou no Gerês…” e é engraçado porque apesar de ser um jovem as pessoas com que me cruzo interessam-se sempre pelas minhas histórias e aventuras.

Fábio Grasina e amigos
O Fábio com o casal de italianos com que fez amizade no caminho para Barcelona créditos: Fábio Grasina

A adrenalina de confiar no destino é que nunca sabemos o que vai acontecer e quem vamos conhecer, acabamos por sair da nossa zona de conforto e viver a aventura de uma forma muito mais descontraída.

Consegues escolher um país ou região que te tenha ficado mais na memória e que possas recomendar a outros viajantes?

Muitos países marcaram-me nesta viagem, mas a escolher um seria o Montenegro. Foi o país que escolhi ao acaso para viajar e acabou por ser o mais incrível que já visitei até hoje. Curiosamente não vi portugueses lá, mas havia muitos turistas de toda a Europa. Os preços são semelhantes a Portugal e adorei fazer o país de moto. Ainda estive três dias na baía de Kotor, viajei pelas montanhas e pela costa. Um país muito seguro que acabou por ser, na realidade, a primeira vez que saí da União Europeia. Recomendo vivamente a todos visitar, porque tem cenários incríveis, água relativamente quente e o poder de compra é semelhante ao de Portugal.

E maior golpe de sorte (ocorrido na viagem)?

Estava a 48h de regressar ao trabalho e estava em Cannes. Esperava ter um dia muito aborrecido porque tinha de ir para Barcelona e fazer tudo por auto-estrada (nesta viagem viajei quase sempre por nacionais). Logo na primeira área de serviço conheci um italiano e uma italiana que me pediram ajuda com ferramentas. Foi a minha vez de retribuir pois já tinha sido ajudado em Itália quando deixei cair a moto nos Alpes e não a consegui levantar sozinho. Entretanto, cinco minutos à conversa, descobrimos que íamos todos para Barcelona. Acabámos por fazer essa viagem juntos e acampámos em Lloret del Mar onde partilhamos experiências, onde provei a pasta al pommodoro deles e acabamos a noite a beber cerveja nos bares espanhóis. E digo que foi sorte porque conheci duas pessoas incríveis... viajar é muito mais do que os locais, viajar são as pessoas e toda a envolvência, e nesse dia que esperava que fosse o pior da aventura acabou por ser um dos melhores. Ainda hoje mantenho contacto com eles.

viajar é muito mais do que os locais, viajar são as pessoas e toda a envolvência

Já tens planos para viagens que queiras fazer em 2024?

Felizmente, e devido aos vlogs que faço para o YouTube, consigo monetizar essas viagens, mas assumo um nível de custos baixíssimo, neste caso acampando e tendo uma moto de baixa cilindrada. Assim, consigo fazer com que os vídeos ajudem a pagar estas aventuras.

Para 2024 gostava de sair ainda mais da minha zona de conforto, o meu objetivo será atravessar e acampar no deserto do Saara e possivelmente chegar a Dakar (Senegal). Mas para uma viagem destas preciso de um pouco mais de planeamento… pois eventualmente teria de levar algumas vacinas, tratar de documentação e seguros e ainda adquirir um telefone satélite para o caso de precisar mesmo de contactar alguém e não tenha cobertura no telemóvel. Vamos ver.

Podem seguir as viagens e aventuras do Fábio no Instagram.

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