Varsóvia, Polónia

Uma das cidades que mais sofreu durante a II Guerra Mundial. Foi bombardeada em 1939 durante a invasão e anexação da Polónia, episódio que marcou o início da guerra. Também neste ano, os nazis criaram o Gueto de Varsóvia, com o objetivo de isolar a população judaica da cidade. A Polónia ficaria ocupada pela Alemanha nazi por quase cinco anos. O plano de destruir por completo a cidade era uma ideia antiga de Adolf Hitler que queria transformar Varsóvia numa cidade alemã que teria, até, uma residência oficial para Hitler.

Em 1944, após um ataque da resistência polaca, que tentou recuperar a cidade, o regime nazi decidiu destruir por completo Varsóvia com o objetivo de dar um exemplo ao resto da Europa sobre o que poderia acontecer aos movimentos de resistência. Além disso, os alemães já previam que muito em breve a cidade seria tomada pelos aliados.

Varsóvia em 1945
Varsóvia em janeiro de 1945 créditos: M. Swierczynski

Assim, 80 a 90% dos edifícios de Varsóvia foram destruídos. Depois de bombardeamentos aéreos, equipas terrestres destruíram sistematicamente, com explosões e incêndios, os edifícios que restaram de pé. Grande parte do património cultural da cidade (séculos de história) foi propositadamente destruído, queimado ou roubado.

A destruição de Varsóvia foi tão severa que o plano de reconstrução demorou cerca de seis anos a ser planeado. O objetivo era reconstruir a cidade velha do século XIII e, para tal, mapas e pinturas antigas foram meticulosamente consultadas. Varsóvia foi reconstruída entre 1950 e 1970 pelo regime comunista, unicamente com ajuda da Rússia. A cidade velha foi completamente reerguida, o que lhe valeu o reconhecimento da Unesco e a classificação de Património Mundial.

Varsóvia
Palácio Real de Varsóvia créditos: sfu/Wikipedia

Mostar, Bósnia e Herzegovina

Durante a guerra da Bósnia, que opôs ortodoxos, católicos e muçulmanos, no complicado processo de dissolução da antiga Jugoslávia, a cidade de Mostar sofreu um cerco durante três anos. A guerra durou de 1992 a 1995.

Mostar era uma cidade que agregava várias religiões e culturas, o que se refletia nos seus edifícios. Igrejas, mesquitas, edifícios do período Austro-Húngaro, ou seja, séculos de história que ficaram em ruínas depois do cerco. Todas as pontes da cidade sobre o rio Neretva foram destruídas, inclusive a Kriva Cuprija, também chamada de Ponte Velha (Stari Most), construída em 1558.

Mostar, Bósnia
Ponte Velha de Mostar créditos: Pixabay

Em 2004, ficou concluída a reconstrução da cidade, incluindo a Ponte Velha e os bairros históricos de Mostar. A ponte é hoje um símbolo da reconstrução, da paz e da esperança, mas as feridas da guerra ainda não fecharam por completo.

Lisboa, Portugal

A 1 de novembro de 1755 Lisboa foi quase totalmente destruída por um sismo, de cerca de 9 pontos na escala de Richter, seguido de um tsunami. A cidade ainda foi assolada por incêndios que duraram, pelo menos, cinco dias. Cerca de 90 mil pessoas morreram e 85% dos edifícios de Lisboa foram destruídos – palácios, bibliotecas, conventos e igrejas e hospitais.

"Enterrar os mortos e cuidar dos vivos" foram as primeiras ordens do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra e futuro primeiro-ministro, que, tal como a família real, conseguiu escapar da catástrofe. O pragmatismo de Marquês de Pombal ficou na história, bem como a rápida recuperação de Lisboa. Após um ano, a cidade já não estava em ruínas. Avenidas, praças e um planta retilínea marcaram a reconstrução da baixa lisboeta. Os novos edifícios foram pioneiros por utilizarem um modelo de construção antissísmica, que ficou conhecido como gaiola pombalina - uma estrutura interior de madeira.

Marquês de Pombal
Retrato do Marquês de Pombal em 1766 créditos: Louis-Michel van Loo

A baixa de Lisboa, também conhecida como baixa pombalina, é o resultado da reconstrução da cidade após o terramoto, sob a orientação do Marquês de Pombal.

Berlim, Alemanha

Durante a II Guerra Mundial Berlim foi alvo de vários bombardeamentos por parte das forças aéreas britânicas e norte-americanas. Já na reta final da guerra, a capital alemã foi fortemente bombardeada pelo exército soviético, responsável pela tomada de Berlim, em maio de 1945.

Berlim em 1945
Berlim em 1945 créditos: DR

Berlim, a capital do então III Reich de Hitler, ficou destruída em 80%. A difícil reconstrução começou em 1946, com o trabalho dos alemães que tentavam reerguer o país. Muitas mulheres e crianças foram responsáveis pelo início da reconstrução, principalmente limpeza dos escombros, uma vez que a maioria dos homens voltava da guerra.

Nos anos seguintes, com a cidade divida - divisão que seria consolidada com o Muro de Berlim -, o processo de reconstrução sofreu várias fases e influências. Em 1990, com a reunificação, Berlim passa por uma transformação urbanística, com a reabilitação de edifícios históricos e a construção de novos bairros.

Roterdão, Holanda

Como forma de conseguir a rendição holandesa, a força aérea alemã bombardeou Roterdão em maio de 1940. O resultado foi uma destruição quase total do centro medieval de Roterdão, mais de 800 mortos, milhares de desalojados e uma cidade por reconstruir.

Os três edifícios que “sobreviveram” aos bombardeamentos são: a igreja protestante gótica Laurenskerk (Igreja de St. Lawrence), construída no século XV, o antigo edifício de escritórios Witte Huis (Casa Branca), o primeiro arranha-céus da Europa com 43 metros de altura, construído em 1898, e o Stadhuis, a câmara municipal da cidade, uma construção de 1920.

Roterdão, Holanda
Roterdão créditos: Pixabay

Hoje, Roterdão é uma referência no que toca à arquitetura moderna e contemporânea, com exemplos de edifícios desde a altura da reconstrução da cidade, durante as décadas de 60, 70 e 80 do século XX, até aos arranha-céus high-tech que se juntam à colcha de retalhos arquitectónica que é esta cidade holandesa.

São Francisco, Estados Unidos da América

Foi o maior terramoto já registado nos Estados Unidos (na escala de Richter), causado por um movimento da falha de San Andreas, e atingiu a cidade de São Francisco em abril de 1906. Na época, esta era a nona maior cidade norte-americana e o centro económico e cultural do Oeste.

São Francisco em 1906
São Francisco em 1906 créditos: Arnold Genthe - Library of Congress

O sismo de 8 pontos deixou os edifícios vitorianos destruídos e os incêndios que se seguiram tiveram um impacto devastador em várias zonas da cidade – 80% de destruição após sismo e incêndios. Mais de metade dos habitantes ficaram sem casa e cerca de 3 mil pessoas morreram.

Em 1915, São Francisco já estava reconstruída e era celebrada, na Exposição Universal de 1915 (Panama–Pacific International Exposition), como a cidade que renasceu das cinzas.

Hiroshima, Japão

Hiroshima era uma importante cidade militar e industrial durante a II Guerra Mundial e Nagasaki era um dos principais portos do Japão, daí terem sido escolhidos como os alvos para o lançamento de duas bombas atómicas pelos norte-americanos (a 6 e 9 de agosto de 1945).

A forma de conseguir a capitulação do Japão destruiu 69% da cidade de Hiroshima. Apesar de a bomba usada em Nagasaki ter sido mais potente, as montanhas do Vale de Urakami conseguiram diminuir o efeito de destruição. Ainda assim, 40 mil pessoas morreram na explosão. Em Hiroshima, cerca de 70 mil pessoas morreram na explosão.

Hiroshima
Memorial da Paz em Hiroshima créditos: Pixabay

As duas cidades foram reconstruídas e o símbolo maior deste período negro da história mundial é o Memorial da Paz em Hiroshima, com o edifício Cúpula Genbaku, o mais próximo do epicentro da bomba que permaneceu de pé.

Beirute, Líbano

Já foi chamada de “Paris do Médio Oriente”, uma cidade fundada pelos fenícios no século XV a. C., que foi um importante centro económico do Médio Oriente até 1970, altura em que a guerra civil e outros conflitos começaram a destruir a cidade.

Anos de confrontos e bombardeamentos, transfiguraram a capital do Líbano. Só os bombardeamentos israelitas, durante o cerco de Beirute, destruíram 13.500 casas do lado oeste da capital.

A partir da década de 1990, com o fim dos conflitos, a cidade começa a reerguer-se através da criação de uma empresa privada, a Solidere, que seria a responsável pela reconstrução de Beirute. O processo de reconstrução da cidade foi polémico, uma vez que a empresa recebeu carta branca do governo para refazer Beirute, o que, na opinião de muitos especialistas, resultou numa cidade diferente e mais gentrificada. Muitos edifícios do centro histórico não foram recuperados e os interesses imobiliários sobrepuseram-se aos interesses de conservação do património.

Beirute
Beirute créditos: Michal Huniewicz/Flickr

Atualmente, Beirute é um importante centro económico do Médio Oriente, orientado para o setor bancário e para o turismo.

Londres, Inglaterra

Mais uma cidade que é um exemplo de saber reerguer-se depois de grandes adversidades.

Em 1666, Londres foi devastada por um grande incêndio de quatro dias que consumiu 80% da cidade medieval. A reconstrução, liderada pelo arquiteto Christophen Wren, sob a orientação do rei Carlos II, não ousou mas optou por ruas mais largas e menos edifícios. A Catedral de São Paulo foi reconstruída. Foi construído um monumento em Pudding Lane, no local onde começou o incêndio. A reconstrução após o grande incêndio marca também o início de um período áureo da cidade que viria afirmar-se como uma das mais importantes do mundo.

Na II Guerra Mundial, Londres foi bombardeada durante a Blitz, uma campanha de bombardeamentos alemães à Inglaterra que durou um ano. A Blitz começou na capital que foi bombardeada durante 57 noites consecutivas. O último grande ataque foi em maio de 1941 e destruiu ou danificou vários edifícios importantes, como o Museu Britânico, o Palácio de Westminster e o Palácio de St. James. Em 1944, Londres voltou a ser bombardeada pelos alemães. No final da guerra, a cidade estava devastada, principalmente nas áreas de Docklands e East End. 30 mil habitantes morreram.

Londres
Catedral de São Paulo durante bombardeamentos da II Guerra créditos: Herbert Mason

A reconstrução passou por expandir a cidade para áreas fora do centro, principalmente na região sudeste, bem como eliminar bairros pobres nos subúrbios, construindo novas habitações e serviços. Em 1950, o porto de Londres foi reconstruído, embora tenha passado por uma ampliação em 1980 para conseguir competir com os grandes portos da Europa.

Ishinomaki, Japão

Faz parte da história mais recente e, provavelmente, este nome não lhe diz grande coisa. Mas saiba que esta foi uma das cidades mais devastadas pelo sismo e tsunami de 2011 no Japão. As ondas gigantes destruíram 80% das casas junto ao porto de Ayukawa. Quase metade da cidade ficou inundada. Cerca de 29 mil habitantes perderam as suas casas.

Ishinomaki
O mesmo local na data do tsunami e um ano depois créditos: AFP

A destruição causada por esta catástrofe natural que assolou o nordeste do Japão, região de Tōhoku, foi enorme. A reconstrução começou logo a seguir mas ainda hoje existem problemas por resolver, como o da central nuclear de Fukushima.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Viagens. Semanalmente. No seu email.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.