Até ao século XIX esta zona do país era ocupada quase exclusivamente por indígenas. Mas o cultivo de café atraiu Europeus e dos casamentos com os nativos nasceram os mestiços. Ainda assim, hoje em dia, subsistem quatro grupos indígenas principais: Totonacas, Nahuas, Otomis e Tepehuas. É por isso uma terra de tradições que honra o passado indígena e onde não é difícil encontrar homens e mulheres envergando os trajes tradicionais, orgulhosos do seu legado ancestral. O nome Cuetzalan, ao que parece, significa “lugar abundante de quetzales”, uma ave colorida, cujas penas eram usadas como tributo pelos povos Aztecas.

Frequentemente embrenhada numa neblina devido à altitude, Cuetzalan ergue-se sobre profundos e exuberantes barrancos com as suas ruas estreitas e empedradas, ladeadas de edifícios toscos. No entanto há algumas construções que se destacam.

Uma delas é a Parroquia de San Francisco, em honra de São Francisco de Assis, construída em meados do século XVI. De estilo renascentista e características românicas possui a mais alta torre de todo o estado de Puebla. Ao Domingo, na missa do meio-dia, sobressaem as raízes dos habitantes de Cuetzalan com os cânticos e as danças indígenas a marcarem presença. Bem perto encontra-se a Capilla de la Puríssima Concepción, uma construção mais recente, do início do século XX, mas que guarda, no seu interior, curiosos murais pintados pelo artista Cuetzalteco Joaquín Galicia Castra.

Cuetzalan
créditos: Jesús Eloy Ramos Lara | Dreamstime.com

A fechar a lista dos edifícios religiosos mais interessantes está o Santuario de Guadalupe, também conhecido por Iglesia de los Jarritos devido aos vasos de barro que adornam a sua torre. Data de 1889 e assemelha-se à Basílica de Lourdes, em França. Mas o aspecto mais curioso é o átrio da igreja que é também onde se encontra o cemitério, com as suas campas, quase umas em cima das outras, todas elas viradas para a fachada principal da igreja. Esta disposição, pouco usual, deve-se ao facto de se acreditar que aqueles que ficavam sepultados mais perto da igreja eram os primeiros a entrar para o céu. É de destacar ainda o Palácio Municipal, uma semi-réplica da Basílica de São João de Latrão, em Roma, com uma escultura do último Imperador Azteca no topo do edifício.

Ao Domingo, o centro da cidade acolhe um mercado onde se vende quase tudo, nomeadamente o aromático café, proveniente das plantações existentes nos arredores da cidade, o tradicional vestuário de algodão branco e os xailes e ponchos de lã. Depois da missa, na praça em frente à Parroquia de San Francisco, tem lugar um espetáculo imperdível: o Rito de los Voladores, uma manifestação religiosa, considerada Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, na qual homens dançam pendurados de cabeça para baixo, a partir de um poste com mais de 20 metros de altura.

É fora da cidade que se encontra a verdadeira beleza de Cuetzalan, a beleza das suas paisagens. Deixando a urbe para trás é tempo de nos aventurarmos no interior da selva para descobrir as suas muitas cascatas e grutas. Os passeios pedem roupa confortável e calçado adequado para enfrentar a natureza no seu esplendor. Fazem-se passeios de Jeep, sobem-se montanhas, segue-se o curso dos rios, escutam-se os sons da selva e deixamo-nos levar pela esmagadora beleza da paisagem envolvente, quase sempre em estado bruto. É possível nadar nas cascatas, acampar e, para os mais aventureiros, não faltam uma série de atividades repletas de adrenalina. Há viagens ao centro da terra, que permitem explorar as muitas grutas da região. Uma outra experiência a não perder é uma visita a uma das muitas plantações de café, algumas delas oferecem até possibilidade de alojamento, o que pode ser uma interessante alternativa à cidade.

A cerca de oito quilómetros de Cuetzalan encontra-se um local absolutamente mágico: a zona arqueológica de Yohualichan. Trata-se de uma cidade que começou a ser construída no ano 200 pelos Totonacas, atualmente conhecida como La Casa de la Noche. O estilo arquitectónico caracteriza-se por edifícios em forma de pirâmide decorados à base de nichos, que representam a luz e a escuridão, o dia e a noite, a vida e a morte.

Yohualichan
Yohualichan créditos: Jesús Eloy Ramos Lara | Dreamstime.com

O sítio arqueológico é composto por 5 edifícios principais, orientados segundo os quatro pontos cardeais. Ao visitar as ruínas é possível ver um jardim, com uma grande variedade de vegetação da região, as pirâmides, a tumba de um governante, um mirante e os edifícios Las Grecas e Las Terrazas, que constituem a grande praça central onde decorriam as cerimónias e se jogava à bola.

Esta cidade terá sido o primeiro assentamento dos Totonacas na região que aqui se mantiveram até cerca do ano 1200. Naquela época os povos indígenas viviam essencialmente da produção agrícola e esta zona, conhecida pelos solos férteis, tornou-se muito cobiçada pelas tribos rivais. Assim, quando os Chichemecas dominaram a região, Yohualichan entrou em decadência. Hoje em dia, apesar da Serra Norte e o estado de Puebla serem uma região rica em ruínas do período pré-hispânico, Yohualichan é considerado o mais importante e mais belo sítio arqueológico de toda a zona.

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