Há pouca atividade nesta e em outras praias da mundialmente famosa Riviera Maia. A alga, que solta um cheiro desagradável, afasta os turistas e afeta gravemente o ecossistema. A sua proliferação é favorecida pela ação humana.

"Não imaginava que estivesse assim tão mau!", comenta Chase Gladden, um empresário de 28 anos de São Francisco, Estados Unidos, enquanto observa o tapete de algas que tem quase 10 metros de largura.

A acumulação de sargaço, nativo do Atlântico, ameaça danificar de forma irreversível este ecossistema do sudeste do México.

Livia Vendramini, de 26 anos, oriunda de São Paulo, está desiludida. "Viemos para ver um mar azul, cristalino. E ver este mar como se fosse o de um porto é muito triste", partilha.

Acompanhada por duas amigas, Vendramini viu-se obrigada a sair do seu hotel em Playa del Carmen, onde diz que o sargaço não perdoou nenhuma praia, e a viajar 65 quilómetros até Tulum.

"Desastre ecológico e económico"

Evidências científicas apontam que o sargaço chega arrastado por ventos e correntes a partir de um novo mar desta alga - o antigo localiza-se em frente aos Estados Unidos -, detectado em 2011 na zona equatorial do Atlântico, entre a América do Sul e a África.

Lá, neste novo mar, a desembocadura de grandes rios carregados de nutrientes - resíduos da atividade humana -, a desertificação e o aquecimento global contribuem para o aumento da concentração de sargaço.

"Tem mais nutrientes que o mar de sargaço original, para além disso, há as questões da desflorestação em África e na América do Sul", explica Brigitta Van Tussenbroek, investigadora da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM).

"Tudo é antropogénico, não é algo natural", acrescenta sobre o fenómeno, que também afetou outros pontos das Caraíbas, como Barbados, Guadalupe e Bonaire.

A cientista holandesa alerta que o sargaço está a acelerar mudanças no ecossistema, de modo que urgem medidas "contundentes" que envolvam o governo.

"Há esperança mas não temos muito tempo. É uma questão de anos, não de décadas", alerta.

Uma vez na praia, o sargaço deve ser retirado o quanto antes. Caso não aconteça, decompõe-se devido à ação de bactérias que consomem o oxigénio da água, matando os animais que vivem na água, enquanto o seu rastro escuro bloqueia a luz solar, eliminando a vida do solo marinho.

Para além disto, acaba com o tom turquesa das Caraíbas, fenómeno que poderia ser irreversível pois não se sabe se este ecossistema pode reciclar os resíduos, explica Marta García, cientista espanhola do Instituto de Ciências do Mar da UNAM em Puerto Morelos.

"Pode tornar-se um desastre ecológico e económico", afirma a especialista.

A agência Moody's alertou esta semana que o fenómeno afetaria os rendimentos de hotéis, aeroportos e auto-estradas e a arrecadação fiscal. Como por exemplo, destaca a queda de 1,8% entre janeiro e abril dos passageiros do terminal de Cancún, o segundo mais movimentado do México, comparativamente ao mesmo período em 2018.

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